CPB do jardim

Um commonplace book (CPB) é uma forma de compilar registros sobre um determinado tema – descobri essa no Meteorópole. Por exemplo, o naturalista Carl Linnaeus (sempre que fala esse nome, lembro do Lineu da Grande Família rs) usou CPB para organizar o Systema Naturae para propor um sistema hierárquico de classificação das espécies.

Este CPB é sobre um jardim com plantas em vasos, cujas dicas de implementação dele estão no post do link. Aqui vão algumas dicas que fui descobrindo sobre as espécies que plantei e observações sobre coisas que aconteceram com elas, em ordem alfabética.

Observação: devido aos nomes populares semelhantes (ou até iguais), é comum a confusão entre as diferentes espécies. Por exemplo, é comum confundir a erva-cidreira com o capim-cidreira (por causa do nome, já que são bem diferentes fisicamente) ou com a erva-cidreira brasileira (veja as diferenças nos respectivos itens). Também existem plantas com centenas de espécies, como as samambaias, e tão parecidas que seria preciso uma análise mais aprofundada para identificação.

Alecrim (Rosmarinus officinalis)

Alecrim já desenvolvido e replantado. Foto: ViniRoger
Alecrim já desenvolvido e replantado. Foto: ViniRoger

O alecrim é uma espécie arbustiva que pode alcançar 1,5 metros de altura, aprecia luminosidade a sol pleno e tem ciclo de vida perene. as hastes do alecrim são lenhosas e as folhas são finas, pequenas e muito aromáticas. Seu nome científico Rosmarinus significa “orvalho que vem do mar” e foi dado pelos romanos devido ao aroma da planta, que vegetava espontaneamente em regiões litorâneas do mar mediterrâneo. Ou seja, está acostumado com vento, salinidade e solo pedregoso. Floresce quase todo o ano e o fruto é um aquênio (tipo aquela “sementinha” na superfície do morango).

Muito utilizado como tempero, aromatizador e chás, também apresenta propriedades medicinais e é usado em rituais religiosos. A cultura popular diz que é bom contra dores reumáticas, depressão, cansaço físicos (em compressas), gases intestinais, cicatrização de feridas (antisséptico), dor de cabeça de origem digestiva (anti-inflamatório), debilidade cardíaca, inapetência e problemas respiratórios.

CPB – Transferido nesse vaso de um sítio em Mogi das Cruzes/SP em setembro de 2021.

Babosa (Aloe vera)

Babosas - Aloe vera var. chinensis (com pontos brancos). Foto: ViniRoger (set/2021)
Babosas – Aloe vera var. chinensis (com pontos brancos). Foto: ViniRoger (set/2021)

De origem africana, a babosa é uma suculenta que pode atingir de 0,5 a 2 metros de altura e que gosta de sol pleno. A planta é popularmente conhecida como babosa por conta da “baba” extraída de suas folhas. Existem cerca de 300 espécies do gênero Aloe em todo o mundo, sendo que a mais comum no Brasil é a Aloe Vera. No entanto, possuem variações com aparências diferentes. As flores são organizadas em um tipo de inflorescência chamada racemo.

Plantas suculentas não gostam de encharcamento no solo, e por isso é utilizada areia média no substrato e regas de no máximo uma vez por semana. Suas raízes possuem uma simbiose com um fungo, que permite à planta um maior acesso a nutrientes minerais no solo. Apesar do enraizamento superficial, é extenso e precisa de um espaço considerável para crescer. Se ficar em um vaso apertado, para sobreviver, ela gerará brotos que você deverá retirar e plantar em um vaso maior.

Quando for realizar o transplante da muda de babosa para um vaso maior, deixe a planta sem água por uns 3 dias aproximadamente. Dessa maneira ela conseguirá se recuperar dos traumas da troca de lugar e se fortalecerá para um novo ciclo refazendo as raízes quebradas. Não deixar a folha em contato direto com a terra para não apodrecer.

Quando atinge a fase adulta, produz de 15 a 30 folhas por ano, que medem de 20 a 50 centímetros de comprimento quando maduras e possuem cerca de 8 centímetros de largura. As folhas são grossas e carnosas, de cor verde a cinza-esverdeado, com espinhos em suas bordas. Se estiverem muito flácidas, precisam de rega. Seu gel possui aplicações medicinais, cosméticas e paisagísticas. É indicada como anti-inflamatório, cicatrizante e hidratante, ótima para o cabelo.

CPB – A babosa original é a que aparece maior na foto, adquirida em maio de 2021. Em poucos meses, os brotos foram aparecendo e foram replantados. Poucas folhas, mais antigas e próximas ao solo, que foram retiradas por apodrecimento.

Capim-santo (Cymbopogon citratus)

Dois vasos com capim santo - e algumas plantas invasoras. Foto: ViniRoger (set/2021)
Dois vasos com capim santo – e algumas plantas invasoras. Foto: ViniRoger (set/2021)

Também conhecido como capim-cidreira ou capim-limão, o capim-santo é uma planta herbácea de até 1 metro de altura. Suas folhas, finas e compridas que medem até 90 cm de comprimento, que exalam um perfume cítrico. Elas se agrupam em touceiras de cerca de 50 cm de diâmetro e formam uma copa de até 1 m de diâmetro.

Apesar de muito rústico e resistente, é um alvo fácil para a ferrugem, fungo que também ataca as produções de cana. A praga deixa a folhagem da herbácea com manchas marrons e aspecto ressecado com o passar do tempo. Para evitar a ferrugem, deve ser mantido sob sol pleno e em solo bem drenado. O ideal é regá-la duas vezes por semana, mesmo durante a estiagem, e manter o local ventilado.

Suas folhas em infusão são muito usadas para chás e em medicina popular, tendo propriedades febrífugas, sudoríficas, analgésicas, calmantes, anti-depressivas, diuréticas e expectorantes, além de ser bactericida, hepatoprotectora, antiespasmódica, estimulante da circulação periférica, estimulante estomacal e da lactação.

CPB – Primeiro pé de capim-santo foi transferido em março de 2021 de um sítio em Mogi das Cruzes/SP, mas estava muito seco e não resistiu. O segundo (vaso azul) foi trazido em setembro de 2021. Em abril de 2021, foram adquiridas duas mudas e plantadas no mesmo vaso (preto), mas depois de alguns meses sem crescimento aparente, uma delas morreu e a outra começou a desenvolver novos “tufos” – acho que estavam brigando por recursos e uma prevaleceu. Quanto às plantas invasoras que aparecem na foto, parecem ser melissa (ou mentrasto/picão-roxo) e Anogramma leptophylla (um tipo de samambaia).

Citronela (Cymbopogon winterianus)

Citronela. Foto: ViniRoger (set/2021)
Citronela. Foto: ViniRoger (set/2021)

Original do sudeste asiático, a citronela forma uma touceira densa, com folhas longas e finas de bordas cortantes e coloração verde clara. Sua aparência lembra muito o capim limão, mas tem um aroma bem diferente e não pode ser ingerida. Gosta de sol pleno e solo bem drenado, não tolerando frio intenso. Para reprodução, recomenda-se separar algumas touceiras e plantar com um espaçamento por volta de um metro, para não competirem umas com as outras quando crescerem.

A citronela é bastante conhecida pelos efeitos repelentes de seu óleo essencial, principalmente contra mosquitos e borrachudos. As folhas podem ser queimadas para liberar o aroma ou seu óleo pode fazer parte de velas e difusores. O chá de citronela pode ser usado para lavar superfícies e espantar insetos. Esfregando a folha amassada no corpo, evita que pernilongos se aproximem.

CPB – Parte de uma touceira foi dividida em alguns “tufos” ao longo da jardineira de concreto em março de 2021, trazidas de um sítio em Mogi das Cruzes/SP. Depois de muita limpeza das folhas mortas, foi utilizado fertilizante líquido Ouro Verde para raízes a cada duas semanas por 2 meses, surgindo alguns brotos. Em setembro do mesmo ano tiveram um forte crescimento, após regas mais modestas. Folhas secas podem servir de apoio às folhas mais novas, mas podem obstruir o desenvolvimento de novos brotos – mais de uma vez, uma folha nova nascendo dentro de uma morta acabou enrolando, não saiu e morreu.

Erva-cidreira ou melissa (Melissa officinalis)

Erva-cidreira: muda recém-plantada (abr/2021) e desenvolvida (set/2021). Foto: ViniRoger
Erva-cidreira: muda recém-plantada (abr/2021) e desenvolvida (set/2021). Foto: ViniRoger

De origem europeia e da mesma família da hortelã e do manjericão, a erva-cidreira verdadeira apresenta um típico perfume cítrico nas folhas. Suas folhas são opostas, ovadas a romboides, de margens crenadas, cor verde clara e pequenos pelos. Pode chegar a 40 centímetros de altura e floresce na primavera e verão, despontando flores pequenas de cor amarelo clara a lilás – elas costumam atrair abelhas, daí o nome melissa. Os frutos que se seguem são do tipo aquênio, oblongos e pardacentos. Deve ser cultivada sob sol pleno ou meia sombra, não gostando de excesso de calor ou de umidade.

O chá de infusão das folhas de erva-cidreira ajuda a relaxar (contra insônia e ansiedade) e tem propriedades digestivas. Seu óleo essencial pode ser utilizado em perfumaria, produtos de limpeza e produtos farmacêuticos, assim como adicionar sabor em sorvetes (junto com a hortelã). É o ingrediente principal da Águas das Carmelitas, a qual pode ser encontrada à venda nas farmácias alemãs.

CPB – Muda plantada em abril de 2021 em vaso de 30 cm de diâmetro, com bom crescimento. Poucas folhas tiveram larvas de mosca-minadora e lagartas durante período seco do inverno.

Erva-cidreira brasileira (Lippia alba)

Erva-cidreira brasileira. Foto: ViniRoger (set/2021)
Erva-cidreira brasileira. Foto: ViniRoger (set/2021)

Conhecida também como falsa melissa, a erva-cidreira brasileira é um arbusto multi-ramificado, atingindo altura de 1,5 m. De origem americana, possui folhas opostas e flores pequenas, de cores brancas e lilases. Tem um aroma mais forte que o da melissa verdadeira.

Na estação seca, a obtenção de óleo essencial é superior à estação chuvosa. Em ambos os casos, os maiores teores foram obtidos extraindo as folhas às 15 horas (Santos & Innecco, 2005). Popularmente usada como anti-espasmódico, calmante e anticonvulsivante, também apresenta atividades anti-inflamatória, antimicrobiana e anticarcinogênica.

CPB – Transferido de um sítio em Mogi das Cruzes/SP em setembro de 2021 e replantado em balde com furos. Logo que foi retirado do seu lugar original, as folhas começaram a murchar e perder o verde rapidamente.

Funcho (Foeniculum vulgare)

Funcho de variedade com bulbo "funcho de Florença" com joaninha. Foto: ViniRoger (ago/2021)
Funcho de variedade com bulbo “funcho de Florença” com joaninha. Foto: ViniRoger (ago/2021)

Também é conhecido como erva-doce, mas esse nome também é dado ao anis (Pimpinella anisum). Elas pertencem à mesma família (apiaceae), tem frutos morfologicamente similares (aquênios) e ambas contém anetol no óleo essencial, o que explica a similaridade no aroma. As duas espécies diferem no aspecto morfológico, especialmente no porte, cor das flores e forma das folhas, além de componentes relacionados que conferem efeitos terapêuticos.

O funcho é uma herbácea de caules erectos múltiplos, com até dois metros de altura (mas em geral com menos de 80 centímetros), de cor verde intenso. As folhas terminam em segmentos filiformes a aciculares (com cerca de 0,5 mm de diâmetro). Produz inflorescências terminais compostas com 5 a 15 cm de diâmetro e frutos milimétricos. A raiz é rizomatosa, esbranquiçada e muito suculenta, armazenando grande quantidade de água. Nativa da bacia do Mediterrâneo, possui variedades na Macaronésia e no Médio Oriente. No Brasil, é cultivado comercialmente no agreste nordestino.

O óleo essencial da erva-doce é empregado em farmácia para conferir sabor e odor agradáveis a medicamentos e em confeitaria na fabricação de licores e guloseimas. As sementes e flores são usadas na confecção de chá. Sua raiz, caules e folhas podem ser consumidas como salada e no preparo de pratos. Apresenta propriedades de atividade inseticida, antifúngica, ação galactogoga (que provoca ou aumenta secreção de leite), anti-inflamatória, diurética e antiespasmódica (alívio de cólica em crianças), além de ser estimulante das funções digestivas, carminativo e espasmolítico.

CPB – Muda adquirida em abril de 2021, foi replantada pouco tempo depois em vaso de 20 cm de diâmetro raso (o da foto). Mesmo com joaninhas, sempre voltavam muitos pulgões e a planta não desenvolveu muito nem em tamanho nem um bulbo consideravelmente grande. Foi consumida em salada em setembro de 2021.

Hortelã (Mentha sp)

Dois pés de hortelã desenvolvidos. Foto: ViniRoger
Dois pés de hortelã desenvolvidos. Foto: ViniRoger

As espécies do gênero Mentha e seus híbridos são chamadas de hortelã. Suas folhas são oval-lanceoladas e serrilhadas, de cor verde a arroxeada, um tanto pilosas e têm um forte aroma refrescante. De seu óleo essencial, se extrai o mentol. As flores são numerosas e roxas e se apresentam em inflorescências terminais do tipo espiga. Seu cultivo é fácil, pois ela é muito rústica e se multiplica facilmente – inclusive invadindo o espaço de outras plantas. As regas devem ser regulares, deixando o solo permanentemente úmido, porém sem encharcamento. Pode ser cultivada em lugares ensolarados ou em sombra parcial.

É indispensável na Culinária Árabe, temperando diversos pratos, como esfirras, quibe e tabule. Muito utilizada na indústria farmacêutica, cosmética e de alimentos, seja como planta medicinal ou como aromatizante. Apresenta propriedades analgésica, expectorante, anti-helmíntica, descongestionante, anti-séptico, anti-inflamatória e anti-espasmódica, sendo indicado em alterações gastro-intestinais, mau-hálito, verminoses e problemas respiratórios.

CPB – Duas mudas de hortelã adquiridas em abril de 2021, plantadas lado a lado na ponta de uma jardineiro, junto com manjericão e orégano. Desenvolveu muito bem e até cresceu um ramo pela beirada interna, ultrapassando o manjericão e atingindo o orégano quanto estava em um local com menos iluminação, mas depois diminui a velocidade de crescimento.

Lavanda (Lavandula dentata)

Lavanda: muda (abr/2021) e flor em destaque (set/2021). Foto: ViniRoger
Lavanda: muda (abr/2021) e flor em destaque (set/2021). Foto: ViniRoger

A lavanda, ou alfazema, é uma espécie nativa do continente europeu, especialmente nas ilhas do Atlântico. Existem cerca de 39 espécies de seu gênero, sendo que a Lavandula angustifolia (antigamente L. officinalis) é a mais utilizada comercialmente no mundo, enquanto que a L. dentata é a mais adaptada ao clima no Brasil – mas ambas são muito parecidas.

Encontra-se na forma de um arbusto que pode atingir de 30 cm a 2 metros de altura. Ela necessita de luz solar direta por algumas horas diariamente. No geral, a lavanda não tolera climas úmidos, assim como não suporta o frio ou o calor por muito tempo. O solo deve permanecer levemente úmido, principalmente durante a fase inicial de crescimento. Quando bem desenvolvida, a planta se torna bem resistente a períodos de seca e pode ser irrigada esparsamente.

Costuma florescer nos meses frios, em sores púrpuras e de fragrância forte. As flores podem ser colhidas assim que se abrem, cortando quase todo o ramo – delas que os óleos essenciais são extraídos. As folhas podem ser apanhadas quando necessário – o importante é fazer a poda de ramos velhos que se tornam lenhosos. Ela é perene e pode produzir por mais de uma década.

Possui ampla aplicação em perfumes e cosméticos. As flores de lavanda são usadas para arranjos florais secos e com fins aromatizantes. O óleo extraído e utilizado como antissépticos, em aromaterapia e na indústria de cosméticos.

CPB – Muda adquirida em abril de 2021, foi replantada pouco tempo depois em vaso maior de barro de 20 cm de diâmetro. Flores começaram a aparecer em junho com auge em setembro.

Major-Gomes (Talinum paniculatum)

Visão geral da major-gomes em dois momentos e zoom nas flores e sementes. Foto: ViniRoger
Visão geral da major-gomes em dois momentos e zoom nas flores e sementes. Foto: ViniRoger

Essa planta possui muitos nomes populares, sendo os mais comuns: beldroega-grande, beldroegão, major-gomes, maria-gorda, maria-gomes, língua-de-vaca e ora-pro-nobis-miúdo. Nativa do continente americano, a planta pode atingir os 2 metros de altura medidos a partir da superfície do solo.

Se tiver umidade e sombra, ficará com folhas enormes e vai ramificando, formando uma moita. Se estiver em sol forte, fica mais compacta e desenvolve uma raiz subterrânea muito grossa, como uma pequena cenoura – sua reserva de alimento e água. Costuma nascer junto ao mourão de cercas e buracos nos muros. Como é bem resistente e prolifera muito facilmente, muitas vezes é vista como uma praga.

No entanto, é considerada uma PANC (Planta Alimentícia Não Convencional) – veja mais sobre PANC nesse post do Meteorópole (sempre que fala em PANC lembro da Punky, a levada da breca rs). Possui alto teor proteico (22% na matéria seca), além de ser considerada boa fonte de ferro, zinco e molibdênio. Usada na medicina caseira como emenagogo, diurético, cicatrizante, emoliente, vulnerário e anti-infeccioso, é também consumida em saladas e refogados – com parcimônia quando crua, devido à quantidade de oxalatos. As cápsulas, com tons de amarelo ao marrom, abrigam pequenas sementes pretas e brilhantes que podem entrar na composição da massa de pães e bolos.

CPB – Em maio de 2021, uma folha de major-gomes começou a crescer na parte de baixo de uma coluna de madeira. Foi transplantado para um canto da jardineira com a citronela. Como ela “pegou”, foi transferida para a lateral de um vaso com babosa (foto). Como cresceu demais, foi para um vaso próprio. Perdeu algumas folhas mas as flores/sementes se desenvolveram mais.

Manjericão (Ocimum basilicum)

Manjericão: visão geral (ago/2021) e flor (abr/2021). Foto: ViniRoger
Manjericão: visão geral (ago/2021) e flor (abr/2021). Foto: ViniRoger

Originária da Índia, o manjericão é uma planta herbácea, aromática e medicinal. Apresenta caule ereto e ramificado, e atinge cerca de 0,5 a 1 metro de altura. Suas folhas são ovaladas e de cor verde-brilhante, com aroma doce e picante. As inflorescências são do tipo espiga e compostas por flores brancas, lilases ou avermelhadas – geralmente são podadas pois consomem a energia direcionada para as folhas. Deve receber pelo menos 4 horas de sol por dia.

Suas folhas são utilizadas secas ou frescas na preparação de diversos pratos quentes ou frios. Possui vitaminas A, B, C, E e K, assim como zinco, cálcio, manganês, magnésio, ferro e potássio.

É muito comum aparecerem manchas como uma estrela e caminhos escuros nas folhas. São causadas pela mosca-minadora: uma mosquinha pequena que põe ovos, de onde nascem lagartinhas que andam por dentro das folhas formando essas manchas.

CPB – Muda adquirida em abril de 2021, plantada no centro de uma jardineira, com orégano e hortelãs aos lados. Sempre desenvolveu vigorosamente, dando muitas folhas (uma poda por mês aproximadamente). Comum as folhas ficarem com larvas de mosca-minadora.

Orégano (Origanum vulgare)

Muda de orégano (abr/2021) e desenvolvida antes da poda (ago/2021). Foto: ViniRoger
Muda de orégano (abr/2021) e desenvolvida antes da poda (ago/2021). Foto: ViniRoger

Originária da Europa mediterrânea, o orégano é uma planta semi-lenhosa, ramificada, perene e de folhas muito aromáticas, que atinge de 20 cm a 80 cm. Algumas variedades de orégano se apresentam como pequenos arbustos, densos, com caule e ramagem eretos; outras são como forrações. As folhas são ovais, opostas e ricas em óleo essencial. Suas flores são pequenas, tubulares, róseas a arroxeadas e surgem no verão, em inflorescências do tipo rácemo.

Apesar de sobreviver à meia-sombra, sua folhagem não adquire aroma tão intenso nessas condições. Mesmo perene, deve ser replantado a cada 2 a 3 anos, pois perde o vigor e a beleza com o tempo. Multiplica-se por sementes, divisão das touceiras ou da ramagem enraizada.

Para colher, corte com uma tesoura a ⅓ do comprimento do caule do orégano. Pode ser usado fresco na culinária, mas o aroma pungente de suas folhas se intensifica com a secagem. Existem várias formas de secar/desidratar o orégano, mas a que parece funcionar melhor é, depois de lavar e secar bem os ramos, pendurá-los em algum lugar ao abrigo de luz porém ventilado naturalmente, para que não cresçam fungos. Também devem ficar protegidos do acúmulo de poeria, já que devem ficar por volta de 3 semanas para secar, o que pode ser feito com sacos de papelão com alguns furos.

CPB – Muda adquirida em abril de 2021, plantada no centro de uma jardineira, com orégano e hortelãs aos lados. Sempre desenvolveu vigorosamente, dando muitas folhas (uma poda por mês aproximadamente). Pouquíssimas folhas tiveram larvas de mosca-minadora e lagartas durante período seco do inverno.

Poaia-branca (Richardia brasiliensis)

Poaia-branca: visão geral e destaque para flor. Foto: ViniRoger (set/2021)
Poaia-branca: visão geral e destaque para flor. Foto: ViniRoger (set/2021)

A poaia-branca (ou mata-pasto) é uma das principais plantas que infestam espontaneamente os agroecossistemas na América, de onde é nativa. Herbácea e ramificada, seu caule pode apresentar de 20 a 50 cm de comprimento. Possui folhas simples, dispostas em pares opostos a cada nó do caule e ramos. Ao final de cada ramo, forma-se um glomérculo contendo cerca de 20 pequenas flores, de coloração branca.

CPB – Na mesma jardineira da citronela, começaram a se desenvolver duas plantas invasoras que ganharam porte rapidamente: uma poaia-branca e duas Gnaphalium pensylvanicum (geralmente tida como praga). Cada uma foi transplantada para um vaso pequeno. Um mês depois, poaia-branca foi transplantada para um vaso maior (junto com outra poaia que estava crescendo em um dos vasos da outra), e a outra acabou definhando por crescer demais em um vaso muito pequeno.

Roseira-miniatura (Rosa chinensis)

Roseira na jardineira com a citronela. Foto: ViniRoger
Roseira na jardineira com a citronela. Foto: ViniRoger

As rosas pertencem à família Rosaceae, e ao gênero Rosa L., com mais de 100 espécies, e milhares de variedades, híbridos e cultivares. São arbustos ou trepadeiras, providos de acúleos. As folhas são simples, partidas em 5 ou 7 lóbulos de bordos denteados. As flores, na maioria das vezes, são solitárias. Originária da Ásia, a R. chinensis cresce até 40 cm de altura e dá flores na primavera e verão. Necessita de sol pleno e possui ciclo de vida perene.

Roseiras não gostam de água em excesso e pegam muitas doenças quando as raízes são mantidas úmidas. Curiosamente, a melhor forma de evitar isso é fazendo a rega perto do meio-dia, uma prática que não vale para a maioria das flores, mas que permite às raízes aproveitarem a água num curto espaço de tempo e passarem o resto do dia secas. Isso também evita o surgimento das três doenças fúngicas mais comuns em roseirais, míldio, oídio e ferrugem.

É muito usada para presentear pessoas e como adorno, mas as flores podem ser usadas para aromatizar e até mesmo na culinária.

CPB – Muda adquirida em abril de 2021, foi plantada junto da citronela e replantada pouco tempo depois em vaso de barro de 20 cm de diâmetro. Já veio dando flores, mas pararam com a chegada do frio no inverno. A planta parecia morta mas começou a dar folhas novamente em setembro de 2021. Durante esse período, teve doenças fúngicas.

Samambaia

Samambaia. Foto: ViniRoger
Samambaia. Foto: ViniRoger

As samambaias são plantas altamente exigentes em umidade no solo. Assim, o ideal é que tenha um solo orgânico com alta capacidade de retenção de água. Elas crescem na sombra e em locais de alta umidade, mas não gostam de onde há ventos constantes porque acelera sua desidratação. No caso de pouca água, as folhas ficam secas e amareladas rapidamente. Para adubação, gostam muito de cálcio, então triturar casca de ovo até virar pó e misturar com a terra pode ser uma boa.

CPB – Foram transplantadas para o vaso duas samambaias que haviam crescido em um buraco na parede de um corredor sem luz solar direta. Tiveram bom crescimento até setembro de 2021, quando o sol começou a ficar mais tempo sobre elas. Uma delas queimou todas as folhas mas renasceram em pouco tempo depois de muita água e mudança de local. Uma terceira foi plantada no final desse mês, mas parece que não aguentou o sol e o tempo seco.

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