CPB do jardim

Um commonplace book (CPB) é uma forma de compilar registros sobre um determinado tema – descobri essa no Meteorópole. Por exemplo, o naturalista Carl Linnaeus (sempre que fala esse nome, lembro do Lineu da Grande Família rs) usou CPB para organizar o Systema Naturae para propor um sistema hierárquico de classificação das espécies.

Este CPB é sobre um jardim com plantas em vasos, cujas dicas de implementação dele estão no post do link. Aqui vão algumas dicas que fui descobrindo sobre as espécies que plantei e observações sobre coisas que aconteceram com elas, em ordem alfabética. Algumas delas são PANCs (Plantas Alimentícias Não Convencionais) – veja mais sobre PANC nesse post do Meteorópole (sempre que fala em PANC lembro da Punky, a levada da breca rs).

Observação: devido aos nomes populares semelhantes (ou até iguais), é comum a confusão entre as diferentes espécies. Por exemplo, é comum confundir a erva-cidreira com o capim-cidreira (por causa do nome, já que são bem diferentes fisicamente) ou com a erva-cidreira brasileira (veja as diferenças nos respectivos itens). Também existem plantas com centenas de espécies, como as samambaias, e tão parecidas que seria preciso uma análise mais aprofundada para identificação.

Sumário

Alecrim (Rosmarinus officinalis)

Alecrim já desenvolvido e replantado. Foto: ViniRoger
Alecrim já desenvolvido e replantado. Foto: ViniRoger

O alecrim é uma espécie arbustiva que pode alcançar 1,5 metros de altura, aprecia luminosidade a sol pleno e tem ciclo de vida perene. as hastes do alecrim são lenhosas e as folhas são finas, pequenas e muito aromáticas. Seu nome científico Rosmarinus significa “orvalho que vem do mar” e foi dado pelos romanos devido ao aroma da planta, que vegetava espontaneamente em regiões litorâneas do mar mediterrâneo. Ou seja, está acostumado com vento, salinidade e solo pedregoso. Floresce quase todo o ano e o fruto é um aquênio (tipo aquela “sementinha” na superfície do morango).

Muito utilizado como tempero, aromatizador e chás, também apresenta propriedades medicinais e é usado em rituais religiosos. A cultura popular diz que é bom contra dores reumáticas, depressão, cansaço físicos (em compressas), gases intestinais, cicatrização de feridas (antisséptico), dor de cabeça de origem digestiva (anti-inflamatório), debilidade cardíaca, inapetência e problemas respiratórios.

CPB – Transferido nesse vaso de um sítio em Mogi das Cruzes/SP em setembro de 2021. Foi muito judiada no transporte e acabou perdendo muitas folhas, mas foram recuperadas após um tempo. Semanas depois do transporte, começaram a nascer outras plantas no mesmo vaso: quebra-pedra, samambaia, braquiária (Urochloa decumbens), serralha e capiçoba. Todas foram transplantadas para vasos separados, restando somente a samambaia (do outro lado do vaso) e o quebra-pedra (com grande crescimento). Em março/2022, a samambaia e o quebra-pedra foram transportados para outros vasos e o alecrim foi replantado em um novo vaso (com argila expandida e manta apropriada). Neste ponto, já estava com as folhas tomadas por pontos amarelos (fungos? ácaros?) desde as longas chuvas de janeiro/2022. No início de maio/2022, após vários borrifos intermitentes de enxofre na tentativa bem sucedida de eliminar ácaros, foram tirados 5 ramos de 12 cm, limpada a base e inseridos em um copo com água para ver se dão raízes e plantar novas mudas (se bem sucedidas, devem ser plantadas no vaso onde estava o beldroegão).

Alpiste (Phalaris canariensis)

Alpiste. Foto: ViniRoger
Alpiste. Foto: ViniRoger

O alpiste é uma gramínea, originária da região mediterrânica, geralmente cultivada pelo seu grão utilizado na alimentação de pássaros. Seu plantio costuma se dar através de sementes. Elas podem ser adquiridas em pet shops e deve-se iniciar o processo de germinação colocando essas sementes em um pequeno pote com água limpa e deixando por aproximadamente 24 horas. Depois disso, escorra a água e espalhe as sementes no vaso, cobrindo com um pouquinho de terra. Tome cuidado para que elas não fiquem fundas demais, o ideal é que estejam mais próximas das superfície. As regas devem ser bem suaves, para não encharcar a terra nem espalhar as sementes desorganizadamente, e deve permanecer em um local com alguma iluminação. Ela demora uns 10 dias para crescer. A grama de alpiste pode ser consumida por gatos, auxiliando na eliminação das temidas bolas de pelo, e fazer parte dos chamados “bonecos de alpiste” formando como se fosse um cabelo verde.

CPB – Sementes plantadas em três vasos pequenos em março/2022 – sementes mais próximas à superfície, sem hidratação e enterradas, com hidratação maior do que 24 horas.

Árvore da Felicidade (Polyscias fruticosa)

Árvore da felicidade - fêmea, à frente, e macho. Foto: ViniRoger
Árvore da felicidade – fêmea, à frente, e macho. Foto: ViniRoger

Essa árvore cresce lentamente, podendo atingir até 5 metros de altura (após 20 anos, em média). A árvore macho tem suas folhas mais escuras, grossas e robustas, e a fêmea possui uma tonalidade mais clara, delicada e fina. Prefere meia-sombra e se adéqua muito bem a espaços bem iluminados, mas sem a incidência de sol direto e constante. Gosta de locais úmidos e de bastante rega, mas não de solo encharcado.

CPB – Mudas macho e fêmea adquiridas no final de fevereiro/2022 em Holambra/SP, replantadas para um só vaso maior.

Aspargo pendente (Asparagus densiflorus Sprengeri)

Aspargo pendente. Foto: ViniRoger
Aspargo pendente. Foto: ViniRoger

Graças graças ao seu pequeno porte herbáceo e aspecto peculiar de suas várias folhinhas pontudas, são muito bons para plantar em jardineiras e vasos suspensos. Natural da África do Sul, possui frutos chamativos e não comestíveis, além de flores brancas, discretas e pequenas. Devem ser cultivadas a meia-sombra. A planta é tolerante ao frio e sua multiplicação é feita por sementes e por divisão da planta, preservando a sua estrutura.

CPB – Mudas retiradas de uma casa na Vila Mariana e plantadas em três pequenos vasos pendentes em maio/2022.

Babosa (Aloe vera)

Babosas - Aloe vera var. chinensis (com pontos brancos). Foto: ViniRoger (set/2021)
Babosas – Aloe vera var. chinensis (com pontos brancos). Foto: ViniRoger (set/2021)

De origem africana, a babosa é uma suculenta que pode atingir de 0,5 a 2 metros de altura e que gosta de sol pleno. A planta é popularmente conhecida como babosa por conta da “baba” extraída de suas folhas. Existem cerca de 300 espécies do gênero Aloe em todo o mundo, sendo que a mais comum no Brasil é a Aloe Vera. No entanto, possuem variações com aparências diferentes. As flores são organizadas em um tipo de inflorescência chamada racemo.

Plantas suculentas não gostam de encharcamento no solo, e por isso é utilizada areia média no substrato e regas de no máximo uma vez por semana. Suas raízes possuem uma simbiose com um fungo, que permite à planta um maior acesso a nutrientes minerais no solo. Apesar do enraizamento superficial, é extenso e precisa de um espaço considerável para crescer. Se ficar em um vaso apertado, para sobreviver, ela gerará brotos que você deverá retirar e plantar em um vaso maior.

Quando for realizar o transplante da muda de babosa para um vaso maior, deixe a planta sem água por uns 3 dias aproximadamente. Dessa maneira ela conseguirá se recuperar dos traumas da troca de lugar e se fortalecerá para um novo ciclo refazendo as raízes quebradas. Não deixar a folha em contato direto com a terra para não apodrecer.

Quando atinge a fase adulta, produz de 15 a 30 folhas por ano, que medem de 20 a 50 centímetros de comprimento quando maduras e possuem cerca de 8 centímetros de largura. As folhas são grossas e carnosas, de cor verde a cinza-esverdeado, com espinhos em suas bordas. Se estiverem muito flácidas, precisam de rega.

O gel retirado da babosa in natura oxida rapidamente, tomando uma coloração escura e progressivamente perdendo o princípio ativo. Ele possui aplicações medicinais, cosméticas e paisagísticas. É indicada como anti-inflamatório, cicatrizante e hidratante, ótima para o cabelo.

CPB – A babosa original é a que aparece maior na foto, adquirida em maio de 2021. Em poucos meses, os brotos foram aparecendo e foram replantados. Poucas folhas, mais antigas e próximas ao solo, que foram retiradas por apodrecimento. Em outubro, a babosa maior foi transplantada para um vaso maior. Começaram a aparecer mais brotos, inclusive das menores, e mais distantes da “mãe”. Em novembro, uma nova babosa de outra variedade foi trazida de Mogi das Cruzes/SP e todas foram transportadas para um local onde bate mais sol. No mesmo vaso mais longo, em outubro/2021, começou a nascer uma outra planta, de folhas finas e alongadas, parecida com a que começou a nascer na mesma época no vaso grande de lavanda, depois identificada como a capoeraba. Em fevereiro/2022, várias folhas começaram a amarelar, então foram deixadas na sobra plena para tomar menos e sol, e em 2 dias já estavam quase que totalmente recuperadas – também despejou-se um pouco de água oxigenada na terra, para matar eventuais fungos que estivessem contaminando as raízes.

Beldroegão (Talinum paniculatum)

Visão geral da major-gomes em dois momentos e zoom nas flores e sementes. Foto: ViniRoger
Visão geral da major-gomes em dois momentos e zoom nas flores e sementes. Foto: ViniRoger

Essa planta possui muitos nomes populares, sendo os mais comuns: beldroega-grande, beldroegão, major-gomes, maria-gorda, maria-gomes, língua-de-vaca e ora-pro-nobis-miúdo. Nativa do continente americano, a planta pode atingir os 2 metros de altura medidos a partir da superfície do solo.

Se tiver umidade e sombra, ficará com folhas enormes e vai ramificando, formando uma moita. Se estiver em sol forte, fica mais compacta e desenvolve uma raiz subterrânea muito grossa, como uma pequena cenoura – sua reserva de alimento e água. Costuma nascer junto ao mourão de cercas e buracos nos muros. Como é bem resistente e prolifera muito facilmente, muitas vezes é vista como uma praga.

Possui alto teor proteico (22% na matéria seca), além de ser considerada boa fonte de ferro, zinco e molibdênio. Usada na medicina caseira como emenagogo, diurético, cicatrizante, emoliente, vulnerário e anti-infeccioso, é também consumida em saladas e refogados – com parcimônia quando crua, devido à quantidade de oxalatos. As cápsulas, com tons de amarelo ao marrom, abrigam pequenas sementes pretas e brilhantes que podem entrar na composição da massa de pães e bolos.

CPB – Em maio de 2021, uma folha de major-gomes começou a crescer na parte de baixo de uma coluna de madeira. Foi transplantado para um canto da jardineira com a citronela. Como ela “pegou”, foi transferida para a lateral de um vaso com babosa (foto). Como cresceu demais, foi para um vaso próprio. Perdeu algumas folhas mas as flores/sementes se desenvolveram mais. Em maio/2022, após pegar ácaro (combatido com enxofre) e lagartas, perdeu muito de seu vigor e foi replantado para um vaso que já tinha quebra-pedra e uma nova capiçoba.

Botão-de-ouro (Galinsoga parviflora)

Botão-de-ouro com algumas quebra-pedras embaixo e flor em destaque. Fotos: ViniRoger
Botão-de-ouro com algumas quebra-pedras embaixo e flor em destaque. Fotos: ViniRoger

Também é conhecida como picão-branco, mas esse nome pode confundir com o picão-branco (Bidens alba) que tem pétalas maiores e as características agulhas pretas – ambas são ervas daninhas. Suas folhas podem ser usadas como tempero no preparo de receitas quentes, com um gosto parecido ao de uma alcachofra ou de cogumelos. Apresenta ciclo curto de até 50 dias. Costuma aparecer em um vaso ou outro de tempos em tempos. Pode ser consumida hortaliça, refogadas ou cruas, porém seu maior uso é como tempero – veja mais no link como preparar o tempero de picão-branco.

Brilhantina (Pilea microphylla)

Brilhantina. Foto: ViniRoger
Brilhantina. Foto: ViniRoger

Popularmente conhecida como brilhantina e dinheirinho, é considerada por muitos uma erva-daninha, dado à sua fácil propagação em locais de umidade favorável. Para seu desenvolvimento, precisa ter no mínimo um pouco de claridade e luz solar indireta. Possui pequenas folhas verdes brilhantes e flores sem valor ornamental. Costuma ser usada como forração em jardins, mas também possui propriedade medicinais: ajuda na cicatrização quando usada em compressas e é um ótimo chá diurético.

CPB – foram retiradas integralmente duas moitas de uma casa na Vila Mariana: do vão entre pedras da calçada e outra, maior, do ralo da garagem. Elas foram plantadas em duas áreas do vaso com samambaias, em solo nu sombreado pelas folhas, em janeiro/2022. No entanto, com o crescimento rápido da área de sombra da samambaia, a maior parte foi replantada junto à citronela. Outra grande quantidade foi retirada da calçada em frente de casa e replantada no vaso da jabuticabeira.

Camedórea-elegante (Chamaedorea elegans)

Camedórea-elegante. Foto: ViniRoger
Camedórea-elegante. Foto: ViniRoger

Essa palmeira de pequeno porte é originária do México e Guatemala. Deve ser cultivada sob meia-sombra ou luz difusa, por isso mesmo sendo muito usada em ambientes interiores. A incidência direta do sol provocará queimaduras nas folhas, mas aprecia o calor e a umidade ambientais (deve-se evitar ar condicionado).

CPB – Muda adquirida e plantada em maio/2022.

Cana-de-açúcar (Saccharum officinarum)

Quatro brotos de cana-de-açúcar plantados, um deles ainda sem folhas desenvolvidas e um pouco desenterrado para mostrar a divisória entre dois colmos. Foto: ViniRoger
Quatro brotos de cana-de-açúcar plantados, um deles ainda sem folhas desenvolvidas e um pouco desenterrado para mostrar a divisória entre dois colmos. Foto: ViniRoger

Nativa das regiões tropicais do sul da Ásia e da Melanésia, a cana é utilizada principalmente para a produção de açúcar, etanol e outros derivados. Tem caules robustos, fibrosos e articulados, ricos em sacarose, e pode crescer entre dois e seis metros de altura. Gosta de bastante iluminação solar direta, além de calor e umidade, por isso é bom plantar na época do ano que atenda esses requisitos. Para isso, corte no meio dos colmos (não na divisão deles, porque é ali naquela divisória que os brotos nascem) e plante em um buraco, regando em seguida.

CPB – plantada na segunda metade de abril/2022 em três vasos (junto com menta, hortelã e em separado). No final do mesmo mês, 4 brotos (folhas e raízes) desenvolvidos foram cortados do restante do caule e replantados no vaso mais largo e raso.

Capiçoba (Erechtites valerianifolius)

Capiçoba vista de cima. Foto: ViniRoger
Capiçoba vista de cima. Foto: ViniRoger

É também conhecida como capiçova, gondó e maria-gomes, conforme a região. Da família das Asteráceas, é parente do dente-de-leão, da losna ou absinto, da serralha e serralhinha, da margarida, da camomila e outras plantas com inflorescências (agrupamento de flores pequenas que se assentam num mesmo receptáculo).

Nativa da América do Sul, é considerada uma erva daninha – ou seja, nasce sem plantio. No entanto, as folhas e inflorescências são usadas como hortaliça. De gosto levemente amargo e parecido com a rúcula, geralmente são preparadas na forma de refogados. O amargor pode ser reduzido ao ferver.

CPB – começou a nascer no vaso de Alecrim dias depois de transferido de Mogi das Cruzes/SP em setembro/2021. Quando ganhou um tamanho considerável em janeiro/2022, foi transferido para um vaso próprio. Em março/2022, quando abriram as flores e avistava-se sua morte, as folhas foram retiradas duas vezes para salada e o restante da planta foi descartado.

Capim-santo (Cymbopogon citratus)

Dois vasos com capim santo - e algumas plantas invasoras. Foto: ViniRoger (set/2021)
Dois vasos com capim santo – e algumas plantas invasoras. Foto: ViniRoger (set/2021)

Também conhecido como capim-cidreira ou capim-limão, o capim-santo é uma planta herbácea de até 1 metro de altura. Suas folhas, finas e compridas que medem até 90 cm de comprimento, que exalam um perfume cítrico. Elas se agrupam em touceiras de cerca de 50 cm de diâmetro e formam uma copa de até 1 m de diâmetro.

Apesar de muito rústico e resistente, é um alvo fácil para a ferrugem, fungo que também ataca as produções de cana. A praga deixa a folhagem da herbácea com manchas marrons e aspecto ressecado com o passar do tempo. Para evitar a ferrugem, deve ser mantido sob sol pleno e em solo bem drenado. O ideal é regá-la duas vezes por semana, mesmo durante a estiagem, e manter o local ventilado.

Suas folhas em infusão são muito usadas para chás e em medicina popular, tendo propriedades febrífugas, sudoríficas, analgésicas, calmantes, anti-depressivas, diuréticas e expectorantes, além de ser bactericida, hepatoprotectora, antiespasmódica, estimulante da circulação periférica, estimulante estomacal e da lactação.

CPB – Primeiro pé de capim-santo foi transferido em março de 2021 de um sítio em Mogi das Cruzes/SP, mas estava muito seco e não resistiu. O segundo (vaso azul) foi trazido em setembro de 2021. Em abril de 2021, foram adquiridas duas mudas e plantadas no mesmo vaso (preto), mas depois de alguns meses sem crescimento aparente, uma delas morreu e a outra começou a desenvolver novos “tufos” – acho que estavam brigando por recursos e uma prevaleceu. Quanto às plantas invasoras que aparecem na foto, parecem ser melissa (ou mentrasto/picão-roxo, que depois foi para um vaso em separado no qual foi plantado um picão branco e outras plantas invasoras) e Anogramma leptophylla (um tipo de samambaia).

Capoeraba (Commelina sp)

Exemplares de capoeraba: com flor e mais desenvolvida. Fotos: ViniRoger
Exemplares de capoeraba: com flor e mais desenvolvida. Fotos: ViniRoger

Também conhecida como trapoeraba, é tida como uma erva daninha. Dependendo da espécie, pode possuir folhas mais largas (C. benghalensis) ou mais estreitas (C. diffusa ou C. erecta). Suas flores em tons azuis bem fortes desabrocham em sua alta temporada, no meio do verão e início do outono, abrindo de manhã e fechando já perto do meio-dia. Tanto as flores quanto as folhas são comestíveis (PANC). Veja mais sobre a planta no post Trapoeraba.

CPB – foi retirada uma muda de um canteiro (dando flor) na rua e plantada em vaso em outubro/2021 e deu a primeira flor em janeiro/2022. No mesmo vaso da babosa, está crescendo uma outra planta que parece ser um exemplar de capoeraba, quando teve algumas folhas predadas por uma grande lagarta. Foi separada em vaso a parte em janeiro/2022 – com menos raízes, folhas encurvavam nos momentos de mais sol do dia. Outro exemplar cresce vigorosamente no vaso da lavanda.

Caruru (Amaranthus hybridus)

Caruru em vaso de babosa, com cigarrinha em folha. Fotos: ViniRoger
Caruru em vaso de babosa, com cigarrinha em folha. Fotos: ViniRoger

Caruru é a designação comum a certas plantas do gênero Amaranthus, da família das amarantáceas, algumas de folhas comestíveis (após cozimento), bastante utilizada em culinária. A maioria delas é invasora de plantações. É também conhecida como bredo em Pernambuco e na Bahia, onde é utilizado na culinária local, reservando-se o termo “caruru” a um prato que, geralmente, não leva esta planta nos seus ingredientes. Todas as partes do caruru são comestíveis. É um alimento rico em ferro, potássio, cálcio e vitaminas A, B1, B2 e C. As sementes podem ser ingeridas torradas ou em pães e outras receitas, e são conhecidas como amaranto.

CPB – Começou a crescer espontaneamente no vaso com babosa trazida de Mogi das Cruzes/SP em setembro/2022 e em outros vasos. Todas foram replantadas no vaso de barro junto ao picão roxo em fevereiro/2022. Depois disso, seu desenvolvimento foi nulo e pereceram uma a uma.

Citronela (Cymbopogon winterianus)

Citronela. Foto: ViniRoger (set/2021)
Citronela. Foto: ViniRoger (set/2021)

Original do sudeste asiático, a citronela forma uma touceira densa, com folhas longas e finas de bordas cortantes e coloração verde clara. Sua aparência lembra muito o capim limão, mas tem um aroma bem diferente e não pode ser ingerida. Gosta de sol pleno e solo bem drenado, não tolerando frio intenso. Para reprodução, recomenda-se separar algumas touceiras e plantar com um espaçamento por volta de um metro, para não competirem umas com as outras quando crescerem.

A citronela é bastante conhecida pelos efeitos repelentes de seu óleo essencial, principalmente contra mosquitos e borrachudos. As folhas podem ser queimadas para liberar o aroma ou seu óleo pode fazer parte de velas e difusores. O chá de citronela pode ser usado para lavar superfícies e espantar insetos. Esfregando a folha amassada no corpo, evita que pernilongos se aproximem.

CPB – Parte de uma touceira foi dividida em alguns “tufos” ao longo da jardineira de concreto em março de 2021, trazidas de um sítio em Mogi das Cruzes/SP. Depois de muita limpeza das folhas mortas, foi utilizado fertilizante líquido Ouro Verde para raízes a cada duas semanas por 2 meses, surgindo alguns brotos. Em setembro do mesmo ano tiveram um forte crescimento, após regas mais modestas. Folhas secas podem servir de apoio às folhas mais novas, mas podem obstruir o desenvolvimento de novos brotos – mais de uma vez, uma folha nova nascendo dentro de uma morta acabou enrolando, não saiu e morreu. Em fevereiro/2022, visando reduzir áreas de solo nu junto ao trevo, foram plantadas brilhantinas que estavam na na samambaia – uma pequena porção nasceu espontaneamente no canto direito, junto a outra planta que ainda não identifiquei.

Corda-de-viola (Ipomoea purpurea)

Corda-de-violão com duas flores recém abertas, uma fechada e um botão que abriria no dia seguinte. Foto: ViniRoger
Corda-de-violão com duas flores recém abertas, uma fechada e um botão que abriria no dia seguinte. Foto: ViniRoger

A corda-de-viola também é conhecida como glória-da-manhã, pois suas flores geralmente abrem pela manhã e fecham a tarde. Essa trepadeira é nativa do México e seu ciclo é anual/perene. Por crescer rapidamente, é considerada uma erva daninha a diversas culturas. No entanto, é extremamente ornamental, com folhas verdes em forma de coração e flores grandes com cores vivas – geralmente azul ou roxo. Gosta de clima quente e úmido com bastante sol.

CPB – um exemplar com raiz, folha e alguns botões de flores foi trazido em vaso de Mairiporã/SP em março/2022. Logo nos primeiros dias, as flores foram abrindo quase que uma por dia. No mesmo vaso tinha um hibisco com uma flor que abriu, mas não resitiu pois foi retirada sem raiz, e brilhantina, que foi transplantada para o vaso da jabuticabeira. Ao perceber que tinha vingado, foi instalado um pau de vassoura para que enrolasse, e em maio/2022 foi tansplantada para um vaso maior (onde estava o beldroegão).

Crepe-do-japão (Crepis japonica)

Crepe-do-japão, com flores e folha em destaque. Foto: ViniRoger
Crepe-do-japão, com flores e folha em destaque. Foto: ViniRoger

Conhecida também como alface do brejo e tida como uma erva daninha, ela apresenta folhas verdes brilhantes e pequenas flores amarelas. É da família das Asteraceae, nativa do Sudeste da Ásia. Pode ser consumida in natura, refogados, sopas, saladas ou sucos.

CPB – Aparece espontaneamente em um vaso ou outro. O exemplar da foto (tirada no final de janeiro/2022) cresceu na sombra da lavanda.

Erva-cidreira ou melissa (Melissa officinalis)

Erva-cidreira: muda recém-plantada (abr/2021) e desenvolvida (set/2021). Foto: ViniRoger
Erva-cidreira: muda recém-plantada (abr/2021) e desenvolvida (set/2021). Foto: ViniRoger

De origem europeia e da mesma família da hortelã e do manjericão, a erva-cidreira verdadeira apresenta um típico perfume cítrico nas folhas. Suas folhas são opostas, ovadas a romboides, de margens crenadas, cor verde clara e pequenos pelos. Pode chegar a 40 centímetros de altura e floresce na primavera e verão, despontando flores pequenas de cor amarelo clara a lilás – elas costumam atrair abelhas, daí o nome melissa. Os frutos que se seguem são do tipo aquênio, oblongos e pardacentos. Deve ser cultivada sob sol pleno ou meia sombra, não gostando de excesso de calor ou de umidade.

O chá de infusão das folhas de erva-cidreira ajuda a relaxar (contra insônia e ansiedade) e tem propriedades digestivas. Seu óleo essencial pode ser utilizado em perfumaria, produtos de limpeza e produtos farmacêuticos, assim como adicionar sabor em sorvetes (junto com a hortelã). É o ingrediente principal da Águas das Carmelitas, a qual pode ser encontrada à venda nas farmácias alemãs.

CPB – Muda plantada em abril de 2021 em vaso de 30 cm de diâmetro, com bom crescimento. Poucas folhas tiveram larvas de mosca-minadora e lagartas durante período seco do inverno.

Erva-cidreira brasileira (Lippia alba)

Erva-cidreira brasileira. Foto: ViniRoger (mai/2022)
Erva-cidreira brasileira. Foto: ViniRoger (mai/2022)

Conhecida também como falsa melissa, a erva-cidreira brasileira é um arbusto multi-ramificado, atingindo altura de 1,5 m. De origem americana, possui folhas opostas e flores pequenas, de cores brancas e lilases. Tem um aroma mais forte que o da melissa verdadeira.

Na estação seca, a obtenção de óleo essencial é superior à estação chuvosa. Em ambos os casos, os maiores teores foram obtidos extraindo as folhas às 15 horas (Santos & Innecco, 2005). Popularmente usada como anti-espasmódico, calmante e anticonvulsivante, também apresenta atividades anti-inflamatória, antimicrobiana e anticarcinogênica.

CPB – Transferido de um sítio em Mogi das Cruzes/SP em setembro de 2021 e replantado em balde com furos. Logo que foi retirado do seu lugar original, as folhas começaram a murchar e perder o verde rapidamente. Após algumas semanas e retirada de algumas folhas secas, que ainda estavam boas para chá, foram nascendo novas folhas verdes, a partir da base.

Feijão

Feijão com algumas semanas de desenvolvimento. Foto: ViniRoger
Feijão com algumas semanas de desenvolvimento. Foto: ViniRoger

O nome feijão é comum a uma grande variedade de sementes de plantas de alguns gêneros da família Fabaceae, rico em proteínas, ferro, cálcio e vitaminas. Seu plantio é bem simples e costuma ser usado como experiência escolar. É uma planta anual, ou seja, seu ciclo todo de vida dura, no máximo, 12 meses. Pode ser plantado entre uma cultura e outra para ajudar a nitorgenar o solo, já que uma bactéria que convive muito bem com o feijão (o rizóbio) atua na fixação do nitrogênio do ar no solo.

CPB – em abril/2022, foram plantados 4 grãos de feijão carioca após hidratação de algumas horas, com 3 vingando.

Funcho (Foeniculum vulgare)

Funcho de variedade com bulbo "funcho de Florença" com joaninha. Foto: ViniRoger (ago/2021)
Funcho de variedade com bulbo “funcho de Florença” com joaninha. Foto: ViniRoger (ago/2021)

Também é conhecido como erva-doce, mas esse nome também é dado ao anis (Pimpinella anisum). Elas pertencem à mesma família (apiaceae), tem frutos morfologicamente similares (aquênios) e ambas contém anetol no óleo essencial, o que explica a similaridade no aroma. As duas espécies diferem no aspecto morfológico, especialmente no porte, cor das flores e forma das folhas, além de componentes relacionados que conferem efeitos terapêuticos.

O funcho é uma herbácea de caules erectos múltiplos, com até dois metros de altura (mas em geral com menos de 80 centímetros), de cor verde intenso. As folhas terminam em segmentos filiformes a aciculares (com cerca de 0,5 mm de diâmetro). Produz inflorescências terminais compostas com 5 a 15 cm de diâmetro e frutos milimétricos. A raiz é rizomatosa, esbranquiçada e muito suculenta, armazenando grande quantidade de água. Nativa da bacia do Mediterrâneo, possui variedades na Macronésia e no Médio Oriente. No Brasil, é cultivado comercialmente no agreste nordestino.

O óleo essencial da erva-doce é empregado em farmácia para conferir sabor e odor agradáveis a medicamentos e em confeitaria na fabricação de licores e guloseimas. As sementes e flores são usadas na confecção de chá. Sua raiz, caules e folhas podem ser consumidas como salada e no preparo de pratos. Apresenta propriedades de atividade inseticida, antifúngica, ação galactogoga (que provoca ou aumenta secreção de leite), anti-inflamatória, diurética e antiespasmódica (alívio de cólica em crianças), além de ser estimulante das funções digestivas, carminativo e espasmolítico.

CPB – Muda adquirida em abril de 2021, foi replantada pouco tempo depois em vaso de 20 cm de diâmetro raso (o da foto). Mesmo com joaninhas, sempre voltavam muitos pulgões e a planta não desenvolveu muito nem em tamanho nem um bulbo consideravelmente grande. Foi consumida em salada em setembro de 2021.

Hortelã (Mentha sp)

Dois pés de hortelã desenvolvidos. Foto: ViniRoger
Dois pés de hortelã desenvolvidos. Foto: ViniRoger

As espécies do gênero Mentha e seus híbridos são chamadas de hortelã. Suas folhas são oval-lanceoladas e serrilhadas, de cor verde a arroxeada, um tanto pilosas e têm um forte aroma refrescante. De seu óleo essencial, se extrai o mentol. As flores são numerosas e roxas e se apresentam em inflorescências terminais do tipo espiga. Seu cultivo é fácil, pois ela é muito rústica e se multiplica facilmente – inclusive invadindo o espaço de outras plantas. As regas devem ser regulares, deixando o solo permanentemente úmido, porém sem encharcamento. Pode ser cultivada em lugares ensolarados ou em sombra parcial.

É indispensável na Culinária Árabe, temperando diversos pratos, como esfirras, quibe e tabule. Muito utilizada na indústria farmacêutica, cosmética e de alimentos, seja como planta medicinal ou como aromatizante. Apresenta propriedades analgésica, expectorante, anti-helmíntica, descongestionante, anti-séptico, anti-inflamatória e anti-espasmódica, sendo indicado em alterações gastro-intestinais, mau-hálito, verminoses e problemas respiratórios.

CPB – Duas mudas de hortelã adquiridas em abril de 2021, plantadas lado a lado na ponta de uma jardineiro, junto com manjericão e orégano. Desenvolveu muito bem e até cresceu um ramo pela beirada interna, ultrapassando o manjericão e atingindo o orégano quanto estava em um local com menos iluminação, mas depois diminui a velocidade de crescimento. Com o uso de fertilizantes em janeiro/2022, ganhou novo fôlego de crescimento. No mês seguinte, já estavam com poucas folhas saudáveis e sendo comidas por lagartas, sendo assim removidas do vaso. Somente com novas mudas trazidas em abril/2022 que o plantio voltou.

Em novembro, uma muda de outra variedade, de aroma mais “refrescante” e folha mais comprida e fina, foi trazida de Mogi das Cruzes/SP e plantada em vaso pequeno: hortelão-do-campo (Mentha arvensis). Teve problema com cochonilhas mas foram eliminadas com água oxigenada. Em janeiro/2022, foi feito replantio dos galhos que estavam muito longos e com poucas folhas nas pontas, o que foi bem sucedido. O procedimento foi repetido no final de fevereiro/2022 incluindo terra adubada mas a maioria não resistiu. Somente com novas mudas trazidas em abril/2022 que o plantio voltou.

Menta (jan/2022). Foto: ViniRoger
Menta (jan/2022). Foto: ViniRoger

Jabuticabeira (Myrciaria jaboticaba)

Muda de jaboticabeira recém plantada. Foto: ViniRoger
Muda de jaboticabeira recém plantada. Foto: ViniRoger

A jabuticabeira é uma árvore frutífera nativa da Mata Atlântica, sendo que a espécie jabuticaba-sabará é a mais cultivada no Brasil (folhagem jovem avermelhada, muito doce, de casca fina). Veja mais sobre a fruta no post de geleia de jabuticaba. De porte médio, gosta de bastante sol e muita água – a ponto de encharcar o solo, molhando as folhas inclusive. O vaso tem que ser virado pelo menos uma vez por mês, tomando o cuidado para que a planta receba sol por inteiro, em todos os lados.

CPB – Muda adquirida no final de fevereiro/2022 em Holambra/SP, replantada para vaso grande.

Lavanda (Lavandula dentata)

Lavanda: muda (abr/2021) e flor em destaque (set/2021). Foto: ViniRoger
Lavanda: muda (abr/2021) e flor em destaque (set/2021). Foto: ViniRoger

A lavanda, ou alfazema, é uma espécie nativa do continente europeu, especialmente nas ilhas do Atlântico. Existem cerca de 39 espécies de seu gênero, sendo que a Lavandula angustifolia (antigamente L. officinalis) é a mais utilizada comercialmente no mundo, enquanto que a L. dentata é a mais adaptada ao clima no Brasil – mas ambas são muito parecidas.

Encontra-se na forma de um arbusto que pode atingir de 30 cm a 2 metros de altura. Ela necessita de luz solar direta por algumas horas diariamente. No geral, a lavanda não tolera climas úmidos, assim como não suporta o frio ou o calor por muito tempo. O solo deve permanecer levemente úmido, principalmente durante a fase inicial de crescimento. Quando bem desenvolvida, a planta se torna bem resistente a períodos de seca e pode ser irrigada esparsamente.

Costuma florescer nos meses frios, em sores púrpuras e de fragrância forte. As flores podem ser colhidas assim que se abrem, cortando quase todo o ramo – delas que os óleos essenciais são extraídos. As folhas podem ser apanhadas quando necessário – o importante é fazer a poda de ramos velhos que se tornam lenhosos. Ela é perene e pode produzir por mais de uma década.

Possui ampla aplicação em perfumes e cosméticos. As flores de lavanda são usadas para arranjos florais secos e com fins aromatizantes. O óleo extraído e utilizado como antissépticos, em aromaterapia e na indústria de cosméticos.

CPB – Muda adquirida em abril de 2021, foi replantada pouco tempo depois em vaso maior de barro de 20 cm de diâmetro. Flores começaram a aparecer em junho com auge em setembro. Em outubro, foi replantada para vaso maior. Após algumas semanas, no mesmo vaso, começou a nascer uma capoeraba.

Manjericão (Ocimum basilicum)

Manjericão: visão geral (ago/2021) e flor (abr/2021). Foto: ViniRoger
Manjericão: visão geral (ago/2021) e flor (abr/2021). Foto: ViniRoger

Originária da Índia, o manjericão é uma planta herbácea, aromática e medicinal. Apresenta caule ereto e ramificado, e atinge cerca de 0,5 a 1 metro de altura. Suas folhas são ovaladas e de cor verde-brilhante, com aroma doce e picante. As inflorescências são do tipo espiga e compostas por flores brancas, lilases ou avermelhadas – geralmente são podadas pois consomem a energia direcionada para as folhas. Deve receber pelo menos 4 horas de sol por dia.

Suas folhas são utilizadas secas ou frescas na preparação de diversos pratos quentes ou frios. Possui vitaminas A, B, C, E e K, assim como zinco, cálcio, manganês, magnésio, ferro e potássio.

É muito comum aparecerem manchas como uma estrela e caminhos escuros nas folhas. São causadas pela mosca-minadora: uma mosquinha pequena que põe ovos, de onde nascem lagartinhas que andam por dentro das folhas formando essas manchas.

CPB – Muda adquirida em abril de 2021, plantada no centro de uma jardineira, com orégano e hortelãs aos lados. Sempre desenvolveu vigorosamente, dando muitas folhas (uma poda por mês aproximadamente). Comum as folhas ficarem com larvas de mosca-minadora.

Musgo

Musgo. Foto: ViniRoger
Musgo. Foto: ViniRoger

Os musgos (briófitas) possuem estruturas muito simples, sem vascularização, raízes, caule ou sementes. Cada planta individual é geralmente composta por filídios (folhas) simples, ligados a um eixo central que pode ser ramificado, mas que tem apenas um papel limitado na condução de água e de nutrientes. Ele ajudar a manter a umidade, evitando regas em excesso. Costuma se desenvolver em locais úmidos e de sombra plena. O musgo recebe nutrientes do ar, e não do solo. Deve-se colocar água diariamente e sem pressão, ou seja, borrifar para não danificar a planta. Caso o musgo comece a ficar escuro ou manchado, é porque está recebendo água em excesso.

CPB – Muda adquirida no final de fevereiro/2022 em Holambra/SP.

Orégano (Origanum vulgare)

Muda de orégano (abr/2021) e desenvolvida antes da poda (ago/2021). Foto: ViniRoger
Muda de orégano (abr/2021) e desenvolvida antes da poda (ago/2021). Foto: ViniRoger

Originária da Europa mediterrânea, o orégano é uma planta semi-lenhosa, ramificada, perene e de folhas muito aromáticas, que atinge de 20 cm a 80 cm. Algumas variedades de orégano se apresentam como pequenos arbustos, densos, com caule e ramagem eretos; outras são como forrações. As folhas são ovais, opostas e ricas em óleo essencial. Suas flores são pequenas, tubulares, róseas a arroxeadas e surgem no verão, em inflorescências do tipo rácemo.

Apesar de sobreviver à meia-sombra, sua folhagem não adquire aroma tão intenso nessas condições. Mesmo perene, deve ser replantado a cada 2 a 3 anos, pois perde o vigor e a beleza com o tempo. Multiplica-se por sementes, divisão das touceiras ou da ramagem enraizada.

Para colher, corte com uma tesoura a ⅓ do comprimento do caule do orégano. Pode ser usado fresco na culinária, mas o aroma pungente de suas folhas se intensifica com a secagem. Existem várias formas de secar/desidratar o orégano, mas a que parece funcionar melhor é, depois de lavar e secar bem os ramos, pendurá-los em algum lugar ao abrigo de luz porém ventilado naturalmente, para que não cresçam fungos. Também devem ficar protegidos do acúmulo de poeria, já que devem ficar por volta de 3 semanas para secar, o que pode ser feito com sacos de papelão com alguns furos. Depois, basta passar o dedo ao longo dos ramos secos no sentido contrário à orientação das folhas, para que quebrem e se acumulem no papelão ou no recipiente que guardará o orégano.

CPB – Muda adquirida em abril de 2021, plantada no centro de uma jardineira, com orégano e hortelãs aos lados. Sempre desenvolveu vigorosamente, dando muitas folhas (uma poda por mês aproximadamente). Pouquíssimas folhas tiveram larvas de mosca-minadora e lagartas durante período seco do inverno.

Pimenteira

Pimenteira.Foto: ViniRoger
Pimenteira.Foto: ViniRoger

Pimenta é o nome comum dado a várias plantas, seus frutos e condimentos deles obtidos, de sabor geralmente picante. Ela precisa receber pelo menos seis horas de sol por dia e rega diária, mas sem deixar o solo encharcado. Demora entre 50 e 55 dias após a floração para gerar frutos e estar apta para a colheita, podendo ter o seu desenvolvimento abreviado em regiões com temperatura mais elevada. Quando ela estiver 80% vermelha, é sinal de que está pronta para a colheita dos frutos.

CPB – Muda adquirida no final de fevereiro/2022 em Holambra/SP já dando frutos vermelhos. Foi plantada na jardineira no lugar dos hortelãs. Poucos dias depois de plantada, ficou com muito ácaro e alguns insetos pretos e vermelhos (talvez algum percevejo da família Coreidae). Mesmo eliminando as pragas e com as folhas renascendo, secou e foi arrancada em maio/2022.

Poaia-branca (Richardia brasiliensis)

Poaia-branca: visão geral e destaque para flor. Foto: ViniRoger (set/2021)
Poaia-branca: visão geral e destaque para flor. Foto: ViniRoger (set/2021)

A poaia-branca (ou mata-pasto) é uma das principais plantas que infestam espontaneamente os agroecossistemas na América, de onde é nativa. Herbácea e ramificada, seu caule pode apresentar de 20 a 50 cm de comprimento. Possui folhas simples, dispostas em pares opostos a cada nó do caule e ramos. Ao final de cada ramo, forma-se um glomérculo contendo cerca de 20 pequenas flores, de coloração branca.

Outra planta da mesma família (Rubiaceae) e com aparência semelhante é a poaia-da-praia (Mitracarpus hirtus ou alguma desse gênero), com folhas mais alongadas. Segundo esse estudo sobre a Mitracarpus frigidus, ela apresentou potencial esquistossomicida, redução oxidante, aumento do peristaltismo intestinal, atividades antimicrobiana, antifúngica (no caso do óleo essencial) e leishmanicida.

CPB – Na mesma jardineira da citronela, começaram a se desenvolver duas plantas invasoras que ganharam porte rapidamente: uma poaia-branca e duas Gnaphalium pensylvanicum (geralmente tida como praga). Cada uma foi transplantada para um vaso pequeno. Um mês depois, a poaia-branca foi transplantada para um vaso maior (junto com outra poaia que estava crescendo em um dos vasos da outra), e a outra acabou definhando por crescer demais em um vaso muito pequeno. Em janeiro/2022, a poaia-branca foi retirada do vaso para dar lugar a duas serralhas já desenvolvidas. No mesmo mês, apareceram poaias-da-praia em dois outros vasos.

Quebra-pedra (Phyllanthus tenellus)

Nativa do Brasil, é uma erva daninha conhecida por suas propriedades diuréticas e de combate aos cálculos renais.

CPB – Costuma aparecer em um vaso ou outro de tempos em tempos. Em março, foi feito um chá com um dos exemplares e os outros três (os maiores junto do alecrim) foram replantados em um caso separado (onde estava a capoeraba).

Roseira-miniatura (Rosa chinensis)

Roseira na jardineira com a citronela. Foto: ViniRoger
Roseira na jardineira com a citronela. Foto: ViniRoger

As rosas pertencem à família Rosaceae, e ao gênero Rosa L., com mais de 100 espécies, e milhares de variedades, híbridos e cultivares. São arbustos ou trepadeiras, providos de acúleos. As folhas são simples, partidas em 5 ou 7 lóbulos de bordos denteados. As flores, na maioria das vezes, são solitárias. Originária da Ásia, a R. chinensis cresce até 40 cm de altura e dá flores na primavera e verão. Necessita de sol pleno e possui ciclo de vida perene.

Roseiras não gostam de água em excesso e pegam muitas doenças quando as raízes são mantidas úmidas. Curiosamente, a melhor forma de evitar isso é fazendo a rega perto do meio-dia, uma prática que não vale para a maioria das flores, mas que permite às raízes aproveitarem a água num curto espaço de tempo e passarem o resto do dia secas. Isso também evita o surgimento das três doenças fúngicas mais comuns em roseirais, míldio, oídio e ferrugem. As mini-rosas são bastante sensíveis a pragas, então são muito atacadas por insetos e fungos – é comum perder todas as folhas por isso.

É muito usada para presentear pessoas e como adorno, mas as flores podem ser usadas para aromatizar e até mesmo na culinária.

CPB – Muda adquirida em abril de 2021, foi plantada junto da citronela e replantada pouco tempo depois em vaso de barro de 20 cm de diâmetro. Já veio dando flores, mas pararam com a chegada do frio no inverno. A planta parecia morta mas começou a dar folhas novamente em setembro de 2021. Durante esse período, teve doenças fúngicas.

Samambaia

Samambaia. Foto: ViniRoger
Samambaia. Foto: ViniRoger

As samambaias são plantas altamente exigentes em umidade no solo. Assim, o ideal é que tenha um solo orgânico com alta capacidade de retenção de água. Elas crescem na sombra e em locais de alta umidade, mas não gostam de onde há ventos constantes porque acelera sua desidratação. No caso de pouca água, as folhas ficam secas e amareladas rapidamente. A luminosidade também é difícil de acertar: luz solar em excesso pode deixá-las amareladas e até queimá-las; pouca luz pode fazer com que ela não se desenvolva. De modo geral, quanto mais escura a folha, mais clorofila ela tem e mais sombreada ela está. Para adubação, gostam muito de cálcio, então triturar casca de ovo até virar pó e misturar com a terra pode ser uma boa.

CPB – Foram transplantadas para o vaso duas samambaias que haviam crescido em um buraco na parede de um corredor sem luz solar direta. Tiveram bom crescimento até setembro de 2021, quando o sol começou a ficar mais tempo sobre elas. Uma delas queimou todas as folhas mas renasceram em pouco tempo depois de muita água e mudança de local. Uma terceira foi plantada no final desse mês, mas parece que não aguentou o sol e o tempo seco. Em fevereiro/2022, já recuperada de um período de amarelamento das folhas, seus brotos começaram a murchar antes mesmo do sol nascer, mas a planta foi deslocada para a sombra plena e recebeu muita água, se recuperando em pouco mais de um dia.

Serralhinha (Emilia fosbergii, Emilia sonchifolia)

Serralha e inflorescências de dois exemplares (jan/2022). Foto: ViniRoger
Serralha e inflorescências de dois exemplares (jan/2022). Foto: ViniRoger

Também conhecida como algodão-de-preá, bela-emília, falsa-serralha e pincel-de-estudante, é tida como uma erva daninha. Fica em forma de roseta e mais rente ao chão quando jovens e espicham verticalmente quando é a época de crescerem as flores e espalhar as sementes através do vento. Parente do alface, do almeirão e da chicória, tem folhas em formato de lança, serrilhadas, semelhantes às do dente-de-leão – difere desta por ter caule e por ter mais de uma flor por haste. A serralha verdadeira (Sonchus oleraceus) tem folha ligeiramente coberta recoberta de pequenos pelos, um tanto opaca, e látex com princípios amargos. A serralhinha tem o mesmo aroma herbáceo agradável, mas sem o amargor, e a principal diferença está na flor: enquanto a serralha verdadeira possui o dente de leão genuíno, a falsa possui os botões em forma de pincel.

A Emilia sonchifolia (Emilia coccinea) possui flores lilases e pequenas, sendo esta a recomendada para consumo; a com flores vermelho coral (Emilia fosbergii) deve ser consumida somente em pequenas quantidades. Flores e folhas são usadas como alimento em saladas e preferencialmente cozida em refogados, mas as folhas podem render um chá que lembra o chá verde. É rica em pró vitamina A, óleos essenciais, mucilagem e flavonoides. Estudos de propriedades medicinais indicam como antioxidante, bactericida e hepatoprotetora.

CPB – uma nasceu no vaso de alecrim e outra no de erva-cidreira brasileira. Começaram a aparecer alguns dias depois de transferir os vasos de Mogi das Cruzes/SP em setembro/2021. Em janeiro/2022, as plantas espicharam e surgiram as inflorescências, sendo transplantadas para um vaso em separado. Uma delas aparentemente pegou fungo e morreu logo mas a outra continuou se desenvolvendo. Em fevereiro/2022, foi retirada para experimentar folhas (inclusive chá e refogadas) e dar lugar a exemplares de crepe japonês e outra planta ainda não identificada.

Suculentas

Suculentas. Foto: ViniRoger
Suculentas. Foto: ViniRoger

As plantas suculentas são aquelas que possuem raiz, o talo ou as folhas engrossados para permitir o armazenamento de água em quantidades muito maiores que nas plantas normais. Adaptadas a ambientes áridos, diferem dos cactos porque estes transformam as folhas em espinhos, que cumprem a dupla função de reter a água e defender a planta de possíveis agressões. Sua reprodução se dá por estaquia (planta-se diretamente uma folha caída ou arrancada no solo), pois a água contida da folha é suficiente para hidratar as raízes e a formação da muda até a maturidade do crescimento. Elas gostam de terra seca, por isso areia e vasos de barro ajudam no processo de secagem. Depois de rega abundandte (até escorrer água pelos buracos do vaso), a terra demora em meia uma semana para secar. Deve-se evitar molhar as folhas e mantê-las em local que receba uma boa quantidade de luz natural. As folhas mais próximas da base são as mais antigas e as primeiras a amarelarem e secarem.

CPB – Composição adquirida no final de fevereiro/2022 em Holambra/SP e mantidas na parte interna de uma janela.

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