Referências a De Volta Para o Futuro

Várias obras foram feitas inspiradas na trilogia de filmes De Volta Para o Futuro e seus produtos oficiais derivados. Aqui vão algumas criações mais famosas, sendo que a lista pode ser atualizada conforme outras forem citadas ou criadas.

Rick and Morty (2013)

Essa série de animação adulta norte-americana de comédia e ficção científica foi criada por Justin Roiland e Dan Harmon para o bloco de programação noturno Adult Swim, exibido no canal Cartoon Network. Sua origem remonta de uma paródia animada em curta-metragem do filme “De Volta Para o Futuro” criada por Roiland para o festival de cinema Channel 101 em 2006: The Real Animated Adventures of Doc and Mharti. Nele, a dupla Doc e Mharti faz coisas engraçadas como soltar pipa e lamber testículos ressecados para viajar no tempo e salvar a humanidade. A Adult Swim abordou Harmon a respeito de ideias para um programa de televisão, então ele e Roiland desenvolveram o programa com base no curta.

Arte parodiando Rick and Morty x Doc and Marty
Arte parodiando Rick and Morty x Doc and Marty. Fonte: Divulgação

A série estreou em 2 de dezembro de 2013 e acompanha as perigosas aventuras do cientista alcoólatra Rick Sanchez e seu neto Morty Smith, que divide seu tempo entre a vida familiar e viagens em um número infinito de realidades, com os personagens viajando para outros planetas e dimensões através de portais usando o veículo voador de Rick.

Diferentemente de De Volta Para o Futuro, a viagem no tempo em Rick and Morty é baseada na existência de multiversos e de linhas de tempo ramificadas. Nessa teoria, a viagem no tempo não muda o que já aconteceu; se a pessoa viaja para o passado e muda alguma coisa, é criada uma realidade alternativa que acontece em paralelo com a realidade original, sem esta ser destruída.

Ready Player One (2018)

Em 2044, Wade Watts, assim como o resto da humanidade, prefere a realidade virtual do jogo OASIS ao mundo real. Quando o criador do jogo, o excêntrico James Halliday morre, os jogadores devem descobrir a chave de um quebra-cabeça diabólico para conquistar sua fortuna inestimável.

O filme “Jogador Nº1” foi produzido e dirigido por Steven Spielberg e escrito por Zak Penn e Ernest Cline, baseado no romance de 2011 de mesmo nome escrito por Cline. A trilha sonora seria originalmente composta por John Williams, mas como estava ocupado em outra produção de Spielberg, Alan Silvestri foi chamado. Como ele foi autor de boa parte da trilha sonora da trilogia De Volta Para o Futuro, existem algumas músicas cujos trechos foram oficialmente copiados para fazer parte do novo filme. A música “This is wrong” ilustra bem isso, principalmente depois dos 2 minutos.

Um dos momentos mais claros do uso da música de De Volta Para o Futuro no filme Jogador Nº1 é quando o protagonista usa o Zemeckis Cube para voltar 60 segundos no tempo e fugir de um grupo. Robert Zemeckis era o diretor de De Volta Para o Futuro, que foi escrito também por Bob Gale. O cubo em si é um brinquedo de quebra-cabeça conhecido como “Rubix Cube”, que não desempenha um grande papel em nenhum dos filmes da trilogia, mas muito comum nos anos 1980, em que os filmes foram produzidos.

À medida que o cubo voltava no tempo, os outros jogadores não teriam controle, já que seus avatares refizeram seus passos. Tudo o que eles podiam fazer era observar o ambiente através dos olhos de seu avatar.

Wade Watts como o avatar Parzival encontra o DeLorean em "Ready Player One".Fonte: Warner Bros. Pictures
Wade Watts como o avatar Parzival encontra o DeLorean em “Ready Player One”.Fonte: Warner Bros. Pictures

Outra referência clara é o famoso DeLorean, a máquina do tempo. Uma versão dele é usado na corrida, para obter a primeira chave, e no final, na batalha para chegar à terceira e última chave do desafio do criador do jogo. No painel e na grade frontal, está também o K.I.T.T. (Knight Industries Two Mil): um carro de IA carregado com um monte de gadgets e tecnologia, da série de TV de 1982 chamada Knight Rider.

No livro, também tinha a marca dos Ghostbusters nas portas, sendo a placa original do Delorean “ECTO-88”. No filme, não aparece essa referência aos Caça-Fantasmas, e a placa é o nome de Parzival.

Outra referência que tinha no livro e que não aparece no filme é com relação ao Max Headroom: um personagem fictício de inteligência artificial, conhecido por sua inteligência e voz gaguejante e eletronicamente alterada. O personagem foi criado por George Stone, Annabel Jankel e Rocky Morton. Max foi interpretado por Matt Frewer e foi chamado de “a primeira personalidade da TV gerada por computador”, embora a aparência gerada por computador tenha sido alcançada com um ator em maquiagem protética e iluminação severa, na frente de uma tela azul.

Max Headroom apareceu originalmente no filme britânico de TV cyberpunk “Max Headroom: 20 Minutes into the Future”, que foi transmitido em 4 de abril de 1985. Posteriormente, acabou virando uma curta série de televisão. Sua aparência original estava enraizada em um distópico futuro próximo dominado pela televisão e grandes corporações, e isso foi aproveitado para o ano de 2015 no filme De Volta Para o Futuro. A referência acontece no Café inspirado nos anos 1980, onde Michael Jackson, Ronald Regan e o Aiatolá Khomeini aparecem em monitores de TV para atender os clientes.

Curiosidade: Um vídeo de uma pessoa desconhecida usando uma máscara e traje Max Headroom, acompanhada por áudio distorcido, foi visto em dois sequestros de sinal de transmissão de TV em 22 de novembro de 1987 (Chicago): por 25 segundos durante o segmento esportivo da transmissão de notícias das 21:00 da WGN-TV e o seguinte ocorreu cerca de duas horas depois, por cerca de 90 segundos durante a transmissão do Doctor Who da afiliada da PBS na WTTW. O incidente Max Headrom ficou famoso como um hacker que conseguiu invadir uma transmissão de TV.

Durante a Tormenta (2018)

O filme espanhol dirigido por Oriol Paulo conta a história de uma misteriosa interação entre dois tempos faz com que uma mãe casada e feliz salva a vida de uma criança que viveu em sua atual casa 25 anos antes. Mas as consequências de sua boa ação provocam uma reação em cadeia que a faz acordar em uma nova realidade onde sua filha nunca nasceu.

Não bastasse a temática de viagens no tempo, existem várias referências à trilogia De Volta Para o Futuro. Pra começar, a existência de uma tempestade com raios tem uma relação direta com a viagem no tempo em ambos os filmes. Em Durante a Tormenta, a tempestade de grandes dimensões aparentemente abre um portal que permite a conexão entre dois pontos da linha do tempo. Já em De Volta Para o Futuro, o raio da tempestade serve como fonte de energia para o capacitor de fluxo.

E ainda falando de raios, um relógio no topo de uma construção em Durante a Tormenta é atingido por um raio, fato esse que o personagem sabe que vai acontecer. O modelo desse relógio é idêntico ao relógio da torre de De Volta Para o Futuro.

Relógios dos filmes "Durante a Tormenta" e "De Volta Para o Futuro"
Relógios dos filmes “Durante a Tormenta” e “De Volta Para o Futuro”

A comunicação em “tempo real” entre a criança (do passado) e a mãe (do presente) acontece através de uma TV com uma câmera de vídeo, do mesmo estilo do “estúdio de TV portátil” usado por Marty para gravar o doutor e fazer uma “comunicação assíncrona” com o passado.

O garoto que deveria ter morrido e sobreviveu tocava guitarra, ouvia walkman e andava de skate – assim como Marty. E ambos tinham um colete do tipo “salva-vidas”, só que o de um era verde e o do outro, vermelho.

Quando a mãe volta para a casa que acreditava ser sua, é recebida pelos moradores da nova linha temporal com agressividade, já que é uma invasora. Isso lembra muito a cena do segundo filme da trilogia, quando Marty pensa que voltou a sua casa, mas na verdade invadiu a casa de outra família nessa nova linha do tempo. Ah, e a explicação de uma linha do tempo original e outra que surgiu em um ponto dessa reta e corre por outra paralela é igual à da série De Volta Para o Futuro.

Vingadores: Ultimato (2019)

Após Thanos eliminar metade das criaturas vivas, os Vingadores têm de lidar com a perda de amigos e entes queridos. Com Tony Stark vagando perdido no espaço sem água e comida, Steve Rogers e Natasha Romanov lideram a resistência contra o titã. Scott Lang retorna do reino quântico e se encontra com Natasha e Steve, e explica que as leis da física e do espaço-tempo não se aplicam ao reino quântico, teorizando que eles poderiam viajar no tempo através das Partículas Pym e do portal. Assim, se separam em grupos para voltar ao passado e recuperar as Joias do Infinito.

No entanto, a teoria de viagens no tempo é diferente da dos filmes De Volta para o Futuro, o que é acaba sendo motivo de piada para Scott Lang. Em Vingadores, a versão de viagem no tempo é baseada na teoria das cordas, na existência de multiversos e de linhas de tempo ramificadas. Isso é interessante para a Marvel, de modo a evitar o paradoxo que faria os personagens voltarem no tempo e mudarem o futuro com suas ações – e é o modo como ela trata o tema nos quadrinhos.

Hulk: Time doesn’t work that way. Changing the past doesn’t change the future.
Scott Lang: We go back, we get the stones before Thanos gets them, Thanos doesn’t have the stones! Problem solved!
(…)
Hulk : If you go into the past, that past becomes your future, and your former present becomes the past, which can’t now be changed by your new future!
Scott Lang : So, “Back to the Future”‘s a bunch of bullshit?

Na teoria das cordas, aparecem múltiplos universos nas equações que descrevem as forças. Ainda não existem comprovações que essa teoria funcione, mas ela prevê que esses universos múltiplos são como objetos físicos um ao lado do outro, então pode-se imaginar que é possível ir de um para o outro.

Quando os Vingadores voltam no tempo, descobrem que seu passado se torna seu futuro e, consequentemente, seu presente se transforma em seu passado. Ou seja, a viagem no tempo não muda o que já aconteceu. Enquanto eles viajam pelo Reino Quântico, a vida de cada um continua de modo linear e causal, não importando em que lugar elas surjam na linha do tempo. Se você viaja para o passado e muda alguma coisa, você cria uma realidade alternativa (uma ramificação) que acontece em paralelo com a realidade original.

A viagem no tempo de Vingadores tem um fluxo, que é mantido em harmonia pela comunhão das Joias do Infinito em seus momentos corretos na História. Quando se tira uma Joia do Infinito, esse fluxo se ramifica nas realidades alternativas. Quando se devolve a Joia do Infinito ao seu ponto original, a realidade alternativa ramificada é apagada. Um post do site Nível Épico explica bem o que acontece em cada uma das viagens do filme.

Em um episódio do podcast dos Russo Bros., Pizza Film School, Bob Gale, diretor do filme De Volta para o Futuro, zombou sobre os comentários em Vingadores: “Vocês disseram que De Volta Para o Futuro é uma besteira, mas no final do dia vocês acabam voltando ao primeiro filme dos Vingadores e a um dos filmes anteriores de Thor, então é meio que como De Volta Para o Futuro”. Na resposta dos co-roteiristas de Vingadores, afirmaram que realmente estavam mirando em De Volta Para o Futuro 2 e que tiveram que fazer essa referência ao clássico pois é o que a maior parte do público ainda tem em mente quando se fala de viagens no tempo.

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