Meteorologia e esportes

Muitas atividades físicas são realizadas e melhor aproveitadas quando se está ao ar livre. Assim, as condições da atmosfera são fundamentais, influenciando desde a possibilidade de realizar um esporte e até mesmo no desempenho de atletas profissionais.

Tempestade com raios se aproximando de campo de futebol. Créditos: woodleywonderworks
Tempestade com raios se aproximando de campo de futebol. Créditos: woodleywonderworks

Exercícios físicos realizados em um ambiente com muita poluição, como ao longo de avenidas muito movimentadas, deixa o corpo em contato direto com maior quantidade de poluentes. Dentre os poluentes mais comuns estão o ozônio, que irrita as vias respiratórias (veja mais no artigo “ozônio e poluição“), e o material particulado, que ajuda a formar aquele pó preto. Houve um esforço do governo chinês durante as olimpíadas de 2008 no sentido de minimizar esse problema durante o evento – veja mais no post Poluição do ar nos Jogos Olímpicos de 2008.

No entanto, uma pesquisa da USP publicada em 2017 mostra que quem anda de bicicleta está menos exposto à poluição quando comparado a quem está dentro de um carro: 17% a menos de material particulado. A explicação é a mesma para quem fica com as janelas fechadas tentando evitar a poluição de entrar: os poluentes entram de qualquer jeito, o melhor é deixar janelas abertas e deixar o ar circular, evitando acúmulo no ambiente.

Caso o ar esteja seco, a perda de água e irritação das vias respiratórias ficam acentuados (veja mais no artigo “água na atmosfera“). Outro ponto que muitos não se atentam quando saem ao ar livre é a proteção contra os raios ultravioletas, princialmente no horário de maior radiação solar (entre 10h e 14h – Veja mais no artigo “Meteorologia e cosméticos têm muito em comum“).

As condições atmosféricas podem influenciar decisivamente em diferentes esportes:

Futebol – ocorrência de chuva pode influenciar no estado do gramado (poças parando a bola e desfavorecendo o número de gols, grama molhada deixando a bola mais rápida, etc); temperatura e umidade do ar (extremos quente/frio e seco/úmido aumentam o cansaço dos atletas, diminuindo o desempenho e o número de gols, principalmente em jogadores acostumados com o clima inverso ao que se apresenta); altitude (jogos em estádios longe do nível do mar apresentam ar mais rarefeito, reduzindo o desempenho dos times visitantes). Equipes que jogam com muita posse de bola e muitos passes tendem a ter mais dificuldades em praticar o seu futebol quando as condições atmosféricas e o gramado não se encontram em condições perfeitas para atividades físicas.

Tênis – ocorrência de chuva interrompe os jogos, favorecendo jogadores experientes acostumados a esse tipo de quebra no ritmo de jogo; vento favorece jogadores mais defensivos, pois leva o adversário a ser menos ousado ou então ficar mais propenso a incorrer em erros; umidade aumenta o cansaço e jogadores com condição física mais fraca e também desacelera a bola, tornando o jogo mais lento e beneficiando jogadores mais defensivos; em altitude, o ar mais rarefeito aumenta a velocidade da bola e beneficia jogadores agressivos. Em torneios realizados em locais de alta temperatura, não é incomum ver jogadores desistindo ou caindo de rendimento depois de uma longa partida.

Rugby – após uma chuva forte, o campo fica mais pesado e aumentam as falhas em rucks e em mauls. Ou seja, o mau estado do gramado pode traduzir em jogos com mais números de pontos.

Fórmula 1 e outros esportes de velocidade – em uma situação de chuva e pista molhada, geralmente um número menor de carros terminam a corrida (em relação ao piso seco), aumenta-se o número de paradas nos boxes, a chance de acidentes e de erros de pilotagem.

Atletismo – pista ou campo molhados pela chuva tendem a resgitrar marcas inferiores quando comparadas a um cenário sem chuva; competições em altitude geram marcas de melhor qualidade do que quando realizados ao nível do mar, especialmente provas em que a explosão seja mais importante do que a resistência (corrida de 100 metros livres, por exemplo).

Esportes Indoor (Futsal, Basquete, Vôlei, etc) – as condições de tempo conseguem ser controladas, diminuindo o peso do fator meteorológico nas condições de campo e no desempenho dos atletas.

No caso de esportes na neve, as atividades e competições devem ser interrompidas caso ocorra uma nevasca. Ventanias podem inviabilizar desde empinar pipa e aeromodelismo até velejar e voos em aviões de lazer (veja essa matéria de como a Meteorologia faz a diferença numa competição de iatismo).

A Somar Meteorologia (atualmente parte da Climatempo) fez uma série de programas chamada “No Clima do Esporte”, onde cada vídeo fala de uma prática esportiva e suas relações com a Meteorologia. Segue a playlist:

Segue uma apresentação muito boa sobre a relação entre esportes e Meteorologia, feita pela autora do blog Meteorópole. Tem dicas valiosas de como se proteger em caso de raios, já que sua incidência em campo aberto pode ser fatal durante a prática de esportes ao ar livre.

Para conhecer alguns esportes radicais praticados nas alturas, clique no link. Para ver mais dos efeitos da altitude no corpo humano, nesse vídeo sobre a Zona da Morte (uma região onde a maioria das pessoas somente consegue repirar usando meios artificiais).

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