Campeonato Mundial de Balonismo de 2014

Um pouco da história e de como são os balões foi contado no post Voando de balão, com um vídeo mostrando um passeio desse meio de transporte em Boituva. Já o Campeonato Mundial de Balonismo é o evento máximo deste esporte em todo mundo. Sua primeira edição foi disputada em 1973, em Albuquerque (Estados Unidos).

Campeonato Mundial de Balonismo (2014). Foto: Marcos Lourenço
Campeonato Mundial de Balonismo (2014). Foto: Marcos Lourenço

A primeira vez que o Campeonato Mundial de Balonismo foi disputado na América Latina aconteceu em 2014 – com um pré-mundial em 2013. A cidade de Rio Claro, no interior de São Paulo, foi colorida com os balões de 59 equipes entre os dias 17 e 27 de julho. O evento contou com sete equipes brasileiras, além de alemães, americanos, japoneses e outras 19 nacionalidades. Foram disputadas 23 provas em uma semana. A equipe campeão foi a do Japão, comandada pelo jovem piloto Yudai Fujita e que contava também com o brasileiro Anselmo Cornea.

Como é um campeonato de balonismo?

A Área de Competição acontece normalmente num raio 20 a 30 km em relação ao centro de decolagem, por isso os balões ficam voando em áreas diferentes a cada dia conforme as provas a serem realizadas. Para um campeonato de balonismo ser válido, são necessários pelo menos dois voos com um mínimo três tarefas realizadas.

Balões ainda em solo. Foto: Marcos Lourenço
Balões ainda em solo. Foto: Marcos Lourenço

Uma das tarefas, a “fly in”, envolve sobrevoar um determinado alvo durante o voo e lançar uma fita numerada com seu número de competidor amarrada a um pequeno lastro de areia na ponta. A distância entre a posição da marca e o centro do alvo determina o resultado.

Outra das tarefas, conhecida como “Cotovelo”, exige do balonista decolar, voar para um alvo, atingi-lo com a marca e seguir para um segundo alvo, desviando o rumo, e joga outra marca. Ganha mais pontos o balonista que, nessa mudança de rumo, fizer um ângulo mais apertado.

Existe também uma prova de demonstração, a “caça à raposa”, onde um dos competidores faz um percurso aleatório de voo e os outros devem seguir o mesmo caminho. Quem conseguir pousar mais próximo do ponto onde o “balão raposa” aterrissou será o vencedor.

Meteorologia

O balão não tem controle de direção, então deve-se procurar camadas de ar em altitudes diferentes para levá-lo até a direção de seus alvos. Esse controle se dá através do acionamento do maçarico, que deve deixar o ar até três vezes mais quente que o ar exterior para permitir a flutuação. Isso exige bastante conhecimento de meteorologia e condições favoráveis de tempo como:

  • Visibilidade maior que 3 km;
  • Ventos de superfície calos até 15 km/h;
  • Ausência de chuva ou neblina.

No sudeste do Brasil, a melhor época do ano para encontrar condições assim são os meses de inverno. Os horários mais apropriados para os voos de balão são ao amanhecer, quando a atmosfera está mais calma, ou ao entardecer (3 horas antes do pôr do sol, pois balões não podem voar a noite).

Parte da equipe de Meteorologia: Marcos, Brad, Daniel Faria, Edson Yatabe, Villela e Franco. Foto: Marcos Lourenço
Parte da equipe de Meteorologia: Marcos, Brad, Daniel Faria, Edson Yatabe, Villela e Franco. Foto: Marcos Lourenço

Em terra, deve ser feito um acompanhamento meteorológico constante. O meteorologista Rubens Junqueira Villela e seu filho, Franco, fizeram parte da equipe de meteorologia, assim como Brad Temeyer, da Iowa State University, e Marcos Lourenço, da Universidade de São Paulo, que contou um pouco mais como foi essa experiência.

As informações de superfície (temperatura, vento, pressão, umidade) eram coletadas por uma estação meteorológica automática e disponibilizadas a cada dois segundos. A equipe também fazia o acompanhamento das condições de tempo presente usando gráficos (atual e previsões numéricas) e imagens de satélite, permitindo também fazer previsões para o local do evento.

Teodolito em uso e papel com perfil vertical de vento (PIBAL, de Pilot Baloon). Fotos: Marcos Lourenço
Teodolito em uso e papel com perfil vertical de vento (PIBAL, de Pilot Baloon). Fotos: Marcos Lourenço

Também era feito o perfil de vento através de um teodolito – no caso, sem o tripé de apoio. Para cada levantamento, era enchido um pequeno balão com gás hélio e liberado para subir na atmosfera. Conforme o balão subia, eram feitas observações de azimute e de elevação. A partir dessas medidas, é estimada a velocidade do vento em diferentes níveis (tanto direção como intensidade).

Fontes

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