O selo mais raro do mundo

Para quem já viu o episódio de Chapolin “Aristocratas Vemos, Gatunos Não Sabemos“, o conde Chihuahua Terranova é um cleptomaníaco que rouba várias coisas de um colecionador de selos, incluindo um tal “selo de dois centavos da Guiana Inglesa”. Pois saiba que esse selo realmente existiu, mas com o valor facial de 1 centavo, e que ficou conhecido como o selo mais raro do mundo. Em 2014, tornou-se o selo mais caro pago até hoje na Filatelia.

Chapolin pegando os selos a serem devolvidos, após ter tomado uma de suas pílulas encolhedoras. Fonte: Televisa
Chapolin pegando os selos a serem devolvidos, após ter tomado uma de suas pílulas encolhedoras. Fonte: Televisa

A Guiana foi constituída como uma colônia britânica em 1837, após aquisição junto à Holanda. Com o fim do ciclo canavieiro, sua principal fonte econômica, no final do século XIX, havia o risco de que seu estoque de selos postais chegasse ao fim antes da reposição enviada pela metrópole. Assim, em 1856, foram emitidos uma série de três selos definitivos de 1 centavo (1c) na cor magenta e destinava-se ao uso em jornais locais. Os outros dois selos, um magenta 4c e um azul 4c, destinavam-se a selos postais.

O chefe dos correios local, E. T. E. Dalton, autorizou Joseph Baum e William Dallas, que eram os editores do jornal Official Gazette em Georgetown, para imprimir uma edição de emergência de três selos. Dalton deu algumas especificações sobre o design, mas os impressores optaram por adicionar uma imagem de navio de seu próprio design aos carimbos. Dalton não estava satisfeito com o resultado final e, como salvaguarda contra a falsificação, ordenou que toda a correspondência com os selos fosse autografada por um funcionário dos correios.

Selos de 1 e 4 centavos da Guiana. Fonte: Wikipedia
Selos de 1 e 4 centavos da Guiana. Fonte: Wikipedia

O exemplar do selo mais raro do mundo foi rubricado EDW pelo funcionário ED Wight. Foi encontrado em 1873 por um colecionador de selos, L. Vernon Vaughan, feio, sujo e mal cortado a tesoura no formato octogonal. O selo foi sendo revendido a outros colecionadores por valores cada vez maiores até chegar em Philipp von Ferrary, cuja coleção foi tomada pela França como reparações de guerra após o final da Primeira Guerra Mundial.

Nessa época que a raridade do exemplar foi descoberta: como a estampa tivera sido usada para a franquia de jornais, todos os exemplares existentes tinham sido descartados juntamente com os periódicos. Assim, o selo da Guiana de 1 Cent era o único exemplar remanescente.

Depois de outra sequência de transações e heranças, o selo foi vendido em 17 de junho de 2014 em um leilão da Sotheby’s em Nova York por US$ 9.480.000, incluindo o prêmio do comprador. Foram necessários apenas dois minutos para vender a um licitante anônimo, posteriormente identificado como designer de sapatos e empresário Stuart Weitzman, e foi a quarta vez que o selo quebrou o recorde mundial de uma oferta de selo único.

O recorde anterior era de 1996, quando foi pago US$ 2.300.000 para o Treskilling Yellow, um selo sueco de 1855. Ele é considerado um dos selos postais mais caros do mundo pois devia ter sido impresso numa cor azul-verde, com a impressão dos oito skilling, mas acabou por ser impresso a amarelo. Acredita-se que esta seja a única cópia que resta deste selo sueco com um erro de impressão, emitido em 1855, e tem um valor estimado superior a 2,1 milhões de euros.

Outros selos também se tornaram raros devido a erros de impressão ou baixa tiragem, valendo centenas de milhares de euros. Outro selo da lista dos mais valiosos é o Penny Black, o primeiro selo autocolante do mundo. Emitido no Reino Unido em maio de 1840, foi determinante para a história dos selos postais britânicos.

Fontes