Moedas, cédulas e Numismática – parte 2 (Brasil)

Continuação do artigo sobre Numismática, agora falando mais sobre o Brasil (veja a parte 1 nesse link: Moedas, notas e Numismática parte 1).

No Brasil já circularam como moeda o pau-brasil, o açúcar, o cacau, o tabaco e outros produtos devido a falta de um padrão monetário. Cercados pelos portugueses no litoral de Pernambuco e não dispondo de dinheiro para pagar seus soldados e fornecedores, os holandeses realizaram a primeira cunhagem de moedas em território brasileiro. Em 1645 e 1646 foram cunhadas moedas de ouro no sistema Duodecimal de III, VI e XII florins (foto abaixo) e em 1654, pouco antes da partida, moedas de prata já no sistema decimal, nos valores de X, XX, XXX e XXXX soldos. A inscrição G.W.C. corresponde às iniciais de Geoctrooyeerde Westindische Compagnie – Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, em holandês.

Moedas do Brasil: soldo e florins (dourados), peça da coroação (em ouro, moeda mais valiosa e 1ª do Brasil independente), moedas de cobre do tempo do império (busto de D. Pedro II e brasão de armas), moeda de prata (lema Ordem e Progresso e peso), 400 réis (Getúlio Vargas, em níquel rosa), 2 cruzeiros e 1 cruzeiro em bronze-alumínio (mapa do Brasil), 50 cruzeiros em aço inoxidável (mapa de Brasília), 10 cruzados (frente e verso), 5000 cruzeiros (Tiradentes) e 100 cruzeiros reais (lobo guará).
Moedas do Brasil: soldo e florins (dourados), peça da coroação (em ouro, moeda mais valiosa e 1ª do Brasil independente), moedas de cobre do tempo do império (busto de D. Pedro II e brasão de armas), moeda de prata (lema Ordem e Progresso e peso), 400 réis (Getúlio Vargas, em níquel rosa), 2 cruzeiros e 1 cruzeiro em bronze-alumínio (mapa do Brasil), 50 cruzeiros em aço inoxidável (mapa de Brasília), 10 cruzados (frente e verso), 5000 cruzeiros (Tiradentes) e 100 cruzeiros reais (lobo guará).

Anteriormente a essas moedas, circulavam no Brasil moedas de outros países com carimbos locais, como por exemplo em moedas portuguesas e espanholas. Somente em 1694 é que foi fundada a primeira Casa da Moeda no Brasil, na Bahia. Em 1703 foi instalada definitivamente no Rio de Janeiro. A primeira série oficial de moedas de prata no Brasil tinham valor 4.000 réis, em ouro. Posteriormente vieram os apelidos das novas moedas cunhadas: pataca, dobrão e vintém (veja a imagem no final da postagem sobre Filatelia). Com relação às cédulas, eram emitidas fora do Brasil. Até o primeiro Plano Cruzeiro, nossas cédulas eram emitidas principalmente pela American Bank Note Company (nos EUA) e Thomas de La Rue (Reino Unido), depois pela Casa da Moeda do Brasil (veja mais no site Diniz Numismática).

Hoje, a Casa da Moeda do Brasil é uma empresa pública responsável pela produção do meio circulante brasileiro e de outros produtos de segurança, como passaportes com chips e selos fiscais. O complexo industrial, localizado em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio, é um dos maiores do gênero no mundo. No local, funcionam as três fábricas da empresa – de cédulas, de moedas e gráfica – onde são desenvolvidos produtos com o elevado padrão de qualidade exigido no mercado moderno. Veja nesses vídeos como funciona a casa da moeda: cédulas e moedas.

Cédulas nacionais: 10 reais de plástico, 1000 cruzeiros carimbada para 10 cruzeiros novos (Santos Dumont), 1000 cruzeiros ("1 barão"), 10 cruzeiros (Dom Pedro II), 5 mil cruzeiros reais (gaúcho), 100 mil cruzeiros carimbado para 100 cruzeiros reais (beija flor), 5 cruzeiros (nota do índio), mil réis e 50 mil cruzeiros reais (nota da baiana, dfícil encontrar essa).
Cédulas nacionais: 10 reais de plástico, 1000 cruzeiros carimbada para 10 cruzeiros novos (Santos Dumont), 1000 cruzeiros (“1 barão”), 10 cruzeiros (Dom Pedro II), 5 mil cruzeiros reais (gaúcho), 100 mil cruzeiros carimbado para 100 cruzeiros reais (beija flor), 5 cruzeiros (nota do índio), mil réis e 50 mil cruzeiros reais (nota da baiana, difícil encontrar essa).

Segue uma lista com as unidades monetárias que o Brasil já teve. Veja as cédulas emitidas em cada padrão monetário e todas as cédulas e moedas de Real. Outra página importante e interessante para visitar é com os elementos de segurança da nova família de notas do Real.

InícioPadrão monetárioInformações
Até 1942Réis (plural de Real)Acabou com a divisão milesimal (Mil réis passa a ser 1 cruzeiro)
1942CruzeiroDivisão em centavos; adoção do padrão ouro
1967Cruzeiro NovoCédulas carimbadas com novos valores; primeiro corte de 3 zeros
1970Cruzeiro1 Cruzeiro valia 1 Cruzeiro Novo; nova família de notas
1986CruzadoMil cruzeiros valiam 1 cruzado (segundo corte de zeros)
1989Cruzado NovoCédulas foram carimabadas para o novo padrão; novo corte de zeros
1990CruzeiroCédulas do padrão antigo foram carimabadas e novas foram feitas
1993Cruzeiro RealCédulas foram carimabadas para o novo padrão; novo corte de zeros
1994RealAdotado após período de transição com URV (Unidade Real de Valor)

Após a implantação do Plano Real, a Casa da Moeda elaborou projetos para substituir as moedas e notas de Real gradativamente para formatos e cores que diferenciassem melhor os diferentes valores. Na primeira etapa, foram analisadas as moedas que já circularam no Brasil e no mundo (particularmente o Euro) para definir tamanho, espessura, peso, acabamento do bordo, cor e metal utilizado da nova família de moedas. Posteriormente foi feita uma pesquisa pública em 1998 para definir as imagens a serem cunhadas nas novas moedas. Veja o resultado:

Projeto 1 – Temática: Desenhos indígenas de animais brasileiros – 15%
Autor: Aquatro Design Gráfico (DF)

real_indios

Projeto 2 – Temática: Exemplos típicos da flora brasileira – 28%
Autor: Guilherme Ribeiro Tardin Costa (RJ)

real_flora

Projeto 3 – Temática: 500 anos do Descobrimento do Brasil – 57%
Autores: equipe técnica da Casa da Moeda do Brasil
(projeto vencedor e atualmente utilizado)

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4 comentários

    1. Oi Danilo, buscando um pouco mais sobre essa questão, encontrei uma discussão interessante nesse link: em http://sualingua.com.br/2009/05/08/plural-de-real/ . Inicialmente, “réis” era o plural de um real virtual, um valor apenas de referência. O verdadeiro real, antiga moeda portuguesa, fazia mesmo o plural reais (como qualquer substantivo terminado em –AL). No Dicionário Morais da Língua Portuguesa, de António de Morais Silva, o “réis” era chamado de “moeda ideal”. Em sua edição de 1813, é explicado que havia os “reais brancos del-Rei D. Duarte; eram de cobre com estanho, 20 deles faziam uma libra e valiam 36 réis (…) os reais pretos, de cobre sem liga (…) os reais de prata”. Ou seja, 20 reais valiam 20 réis. Agora, de onde teria vindo o nome o “réis” original?

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