Influências da Meteorologia na Aviação

A aviação é uma das principais formas de transporte de cargas e passageiros, principalmente por ser muito rápida e segura. A tecnologia envolvida para permitir isso vai além do avião em si, já que ele deve considerar os fenômenos atmosféricos que acontecem ao seu redor. O mau tempo é um fator importante em 21% de todos os acidentes aéreos, de acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), com base em relatórios internacionais.

Imagem: Natalia Skvortsova

Dependendo das condições meteorológicas, podem acontecer atrasos e cancelamentos, que por sua vez geram custos extras para todos os envolvidos – de passageiros a cargas delicadas em termos de durabilidade e conservação.

Para viagens de negócios, a remarcação ou o cancelamento de um voo por conta de mudanças de tempo pode representar uma oportunidade perdida. Assim, o gestor pode conferir a previsão de tempo dos locais de origem e destino para saber das possibilidades a ocorrência de fenômenos atmosféricos extremos e adiantar/adiar uma viagem, se for o caso.

Temperatura alta

O valor da temperatura é um dos fatores que define a densidade do ar, que é uma das variáveis fundamentais para o desempenho de uma aeronave. Temperaturas elevadas indicam que as moléculas de ar têm mais energia, gerando um ar menos denso (ou seja, mais rarefeito). Isso reduz o desempenho das aeronaves, que precisam de ar denso para aumentar a sustentação (força vertical que mantém a aeronave voando) e com bastante oxigênio (para queima de combustível).

Existem locais do planeta, horários e fenômenos meteorológicos que causam aumento de temperatura para valores elevados – por vezes no intervalo de poucas horas. Conforme o modelo da aeronave, o comprimento da pista e outros fatores, a decolagem de um avião lotado com muito peso torna-se insegura. Nesse caso, deve-se diminuir o peso (retirando-se passageiros e/ou carga) ou aguardar a redução natural de temperatura por algumas horas.

Ventos fortes

Durante o pouso e decolagem, a aeronave deve permanecer alinhada com a pista de pouso e com um ângulo de descida correto. Rajadas de vento podem tornar esses procedimentos inseguros, resultando em atrasos (abortando uma decolagem ou ao arremeter uma decolagem).

Ventos fortes contínuos também são um problema de segurança de voo. Furacões e outros fenômenos de grande escala têm suas trajetórias previstas e são monitorados por serviços meteorológicos, permitindo o planejamento das atividades de todos os envolvidos nos voos. Rotas podem ser alteradas, aumentando o tempo de voo e consumo de combustível, ou voos podem ser atrasados/cancelados.

Quanto mais alto um avião está, menos turbulência é gerada pelos obstáculos de superfície e mais rápido é o vento. Em algumas regiões do globo, formam-se as correntes de jato em altos níveis de voo – é como se fosse um rio veloz de ar fluindo em uma parte da atmosfera. Caso a aeronave pegue uma dessas correntes a favor, o impulso pode ser aproveitado e a quantidade de combustível necessária durante o voo será menor – caso contrário, o gasto energético será muito maior para romper o atrito com as moléculas de ar vindos do sentido oposto.

Nevoeiros

Os nevoeiros são nuvens que estão próximas do solo. A redução de visibilidade gerada pelo fenômeno pode inviabilizar as operações de pouso, decolagem e até deslocamento de aeronaves em solo em um aeroporto, conforme sua infraestrutura.

No caso do nevoeiro de radiação (o tipo mais comum no Brasil), o relevo acidentado, a alta pressão atmosférica, ventos fracos, redução de temperatura e chuvas na noite anterior são fatores que contribuem para sua formação. Sua probabilidade de ocorrência é a de começar no fim da noite, mas aumenta conforme a madrugada avança.

Tempestades

As aeronaves são preparadas para suportar um certo grau de severidades, o que inclui raios e colisão com granizo. No entanto, deve-se evitar regiões com esses e outros fenômenos que em grande quantidade e em conjunto com outros fatores possam reduzir a segurança de voo e causar um acidente. O monitoramento em tempo real (como através de radares a bordo ou em terra, observação em solo e “reports” de pilotos) e previsões (usando modelos numéricos e a experiência de meteorologistas, por exemplo), é possível evitar as atividades aéreas nessas condições, através de adiamentos de pousos/decolagens e mudanças de rota.

Fontes