Como é medido o trânsito em SP?

Sabe aqueles índices de congestionamento em São Paulo divulgados na mídia e disponíveis no site da CET? Ou do MapLink/Google? Toda estatística deve ser muito bem interpretada para não gerar falsas conclusões, e uma forma é entender como ela é feita.

Primeiramente, o índice oficial geralmente divulgado é fornecido pela CET (Companhia de Engenharia de Tráfego do município de São Paulo). O modelo de medição atual utiliza os Postos Avançados de Campo (PACs) da CET. Nele, agentes fazem uma medição visual da extensão da lentidão, usando como referência, por exemplo, a distância entre os cruzamentos de determinadas vias. Esse padrão de medição é o mesmo desde a década de 1980. Desse modo, apenas 868 quilômetros (os principais corredores, geralmente das regiões centrais) são monitorados, gerando menores valores de congestionamento do que realmente existe (observe que outras cidades da região metropolitana não entram na conta).

Em fevereiro de 2013, a prefeitura anunciou atualizar o sistema para ampliar a região monitorada para 3,3 mil km. Como fazer isso? Em vez de marronzinhos de binóculos, serão usados GPSs em carros. Se forem utilizados carros próprios para isso, acredito que vão aumentar os índices de congestionamento (hehe), pois os carros utilizados em ocorrências ficam parados nessas regiões, e contar com a boa vontade de motoristas particulares não sei se geraria dados com qualidade para a estatística.

O índice de lentidão é medido quando a velocidade média é inferior a metade da velocidade da via. Assim, reduzindo-se a velocidade máxima da via de 70 para 50 km/h, será registrado como lento somente quando a velocidade for inferior a 25km/h (em vez de 35 km/h, como anteriormente).

Percebam que, nas ruas, existem recortes na pista em formato retangular, muitas vezes com uma linha azul delimitando a área (foto abaixo). Pelo que pesquisei, é um sistema de contagem volumétrica de veículos do tipo “loop magnético” embutido no pavimento. Ele é um quadrado ou retângulo com os vértices cortados, feito por um fio contínuo, formando uma bobina com cerca de 3 ou 4 espiras. As extremidades do loop estão ligadas a uma linha de transmissão do sinal através de uma conexão colocada dentro de um tubo de PVC, com as extremidades vedadas com resina epoxi. O loop é selado utilizando-se ligante betuminoso, resina epoxi ou outra substância selante apropriada (fonte: Plano de Contagem – DNIT).

Se um carro passa, perturba o campo eletromagnético nas linhas da bobina e é gerada uma contagem no sistema. Comparando-se o número de veículos que passam e o tempo, pode-se calcular o fluxo de carros por período de tempo, e definir se o trânsito está parado, lento ou fluindo. Parte da matemática envolvida nesses cálculos pode ser encontrada aqui: Métodos para Contagem Volumétrica Abreviada (CET Notas técnicas).

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Sistema de contagem volumétrica de veículos do tipo “loop magnético” – Av. Lins de Vasconcelos, São Paulo

Uma empresa privada, a MapLink, coleta os dados de trânsito, que são utilizados pelo Google Maps. Os índices de trânsito são mostrados para várias vias da região metropolitana de São Paulo e de outros estados. Como são calculados? Segundo o site da MapLink, “as informações de trânsito (…) são fruto de parcerias com clientes que fornecem posições de veículos circulando no Brasil inteiro anonimamente. Todas as posições são processadas e calculadas em nossa plataforma inteligente de trânsito para compilação de dados como latitude, longitude, velocidade e azimute. A partir das posições, nossa plataforma consegue processar as velocidades médias de deslocamento desses veículos dentro da base cartográfica.” Com relação aos dados de parceiros, acredito que sejam dados estatísticos de empresas de rastreamento de veículos, pois as mesmas já tem essa informação com precisão de 15 metros e atualizadas a cada 2 minutos. Outros meios exigiram alto custo de manutenção e implementação. Por exemplo, já vi medições de trânsito dentro da USP, e ninguém parado lá monitorando com binóculo (rsrs), então imagino que os carros monitorados sejam uma possível explicação.

Observando o site do MapLink e comparando com a realidade, percebi que nem sempre tem trânsito lento no momento em que é registrado, e vice-versa. Pode ser um atraso entre a obtenção e processamento da informação e a visualização no site, mas as vezes a diferença durava vários minutos (mais de meia hora as vezes). Uma explicação seria a de que somente considerem dados estatísticos. Por exemplo, já foi observado que entre 16:30 e 17:30 tem trânsito lento na saída da USP, então toda vez que chegar esse horário o site mostra trânsito lento na saída da USP.

O aplicativo de celulares smartphones Waze envia para um servidor a localização do usuário e a velocidade que está se deslocando. Dessa forma, consegue estimar o trânsito somando as informações de vários usuários, que por sua vez podem usar essas informações para obter a rota que leve menos tempo através do mesmo aplicativo.

Essa matéria foi mais para apontar os resultados de algumas pesquisas que fiz sobre o tema, em cima de uma curiosidade que tenho. Se você puder acrescentar informações ou alguma correção, por favor compartilhe através do espaço para comentários logo abaixo!