Calendários e alternativas para medir o tempo

Você começou a ler esse post às

Hora (UTC-3): 20:33 | Internet time: @23

Com base na percepção humana, a concepção comum de tempo é indicada por intervalos ou períodos de duração. Em física, tempo é a grandeza diretamente associada ao correto sequenciamento, mediante ordem de ocorrência, dos eventos naturais. Veja algumas formas de medir o tempo, começando em uma escala anual (através de diferentes tipos de calendários) até uma escala de horas, minutos e segundos (com padrões e divisões variadas). Depois, são apresentadas formas alternativas de medir o tempo.

Calendário permanente
Calendário permanente (clique na imagem para vê-lo maior)

História dos calendários ocidentais

Calendário é um sistema para contagem e agrupamento de dias que visa atender, principalmente, às necessidades civis e religiosas de uma cultura. Um calendário lunar é sincronizado com o movimento da Lua; um exemplo disso é o calendário islâmico. Um calendário solar é sincronizado com o movimento do Sol; um exemplo é o calendário persa. Um calendário luni-solar é sincronizado com ambos os movimentos do Sol e da Lua; um exemplo é o calendário hebraico. Um calendário arbitrário não é sincronizado nem com o Sol nem com a Lua. Um exemplo disso é o calendário juliano usado por astrônomos e continua sendo utilizado pelos cristãos ortodoxos em vários países.

O calendário romano original, obra do primeiro rei latino, Rômulo, era baseado na lua e tinha 10 meses, ou 304 dias. Martius, aprilis, maius e junius eram os primeiros, com nomes dedicados a deuses e eventos, como o início das plantações. Os meses seguintes eram contados em latim: quintilis, sextilis, septembre, octobre, novembre e decembre.

Como o calendário seguia o ciclo lunar, as estações do ano, ligadas ao sol, caíam em épocas diferentes. Para minimizar o problema, o rei Numa Pompílio, que sucedeu Rômulo em 717 a.C., criou mais dois meses, janus e februare, para anteceder março. Janeiro, dedicado a Jano, deus que representava entradas e saídas, se tornou o mês número 1 para trazer bons presságios.

Em 45 a.C., após conhecer os métodos orientais de determinar o tempo baseados no ciclo solar, o imperador Júlio César reformou novamente o calendário – posteriormente conhecido como calendário juliano. O senado escolheu quintilis para homenagear o imperador, e o sétimo mês virou julius. Mais tarde, a mesma honra foi concedida a Augusto, cujo nome transformou sextilis, o oitavo mês, em agosto. Como um César não podia ter mais dias que o outro, agosto – que tinha originalmente 30 dias – ganhou mais um, retirado de fevereiro, que ficou com 28. Para manter o critério de alternância do calendário instituído por Júlio César, setembro passou para 30 dias e assim sucessivamente.

O calendário gregoriano é um calendário de origem europeia, utilizado oficialmente pela maioria dos países. Foi promulgado pelo Papa Gregório XIII em 24 de Fevereiro do ano 1582 pela bula Inter gravissimas em substituição do calendário juliano implantado pelo líder romano Júlio César em 46 a.C. – anteriormente, estava em vigor o calendário romano, estabelecido por Rômulo à época da criação de Roma, em 753 a.C., e tinha 304 dias distribuídos em 10 meses. A bula ditava que o dia imediato à quinta-feira, 4 de outubro, fosse sexta-feira, 15 de outubro, omitindo-se assim 10 dias.

O dia do ano é uma forma de colocar os dias em uma sequência constante para todo o ano - no caso de anos bissextos, adicionar um dia para os meses depois de fevereiro. Fonte: Robin Wilson
O dia do ano é uma forma de colocar os dias em uma sequência constante para todo o ano – no caso de anos bissextos, adicionar um dia para os meses depois de fevereiro. Fonte: Robin Wilson

Horários do relógio

O Tempo Universal Coordenado (UTC) foi oficialmente formalizado em 1960 e adotado por muitos países, sendo o sucessor do Tempo Médio de Greenwich (Greenwich Mean Time – GMT). Ao contrário do GMT, o UTC não se define pelo sol ou as estrelas, mas é sim uma medida derivada do Tempo Atômico Internacional (TAI) – escala de tempo calculada pelo Escritório Internacional de Pesos e Medidas (BIPM), na França, usando informações de cerca de duzentos relógios atômicos em mais de 50 laboratórios nacionais ao redor do mundo. Atualmente, o TAIS está 35 segundos a frente do UTC. Quanto aos fusos horários, saiba mais clicando no link.

A data GPS (Global Positioning System time) é a escala de tempo atômica implementadas pelos relógios atômicos nas estações de controle em terra e nos próprios satélites do sistema GPS. Foi iniciada à meia noite de 6 de janeiro de 1980, que é coincidente com a hora UTC. Desde 1980 até 2012, a hora GPS acumulou 16 segundos a mais com relação ao horário “normal” devido aos leap seconds.

O leap second (ou segundo bissexto) é um ajuste de um segundo para manter os padrões de contagem de tempo próximos ao tempo solar, devido oscilações da rotação da Terra. Os segundos bissextos são necessários para manter os padrões sincronizados com os calendários civis, cuja base é astronômica. Os padrões para o tempo civil estão baseados na Coordenada Universal de Tempo (UTC, Universal Time Coordinate), que é mantida por meio de relógios atômicos extremamente precisos. Um histórico dos leap seconds pode ser encontrado em arquivo disponível no link.

O horário UNIX é definido como o número de segundos passados desde o início da Era UNIX, iniciada à meia noite de 1 de janeiro de 1970. O número de segundos do início da data UNIX até a data GPS pode ser obtido através do site Epoch Covnerter (em UTC), que dá 315964800 segundos. Existe também um conversor online entre data UTC e GPS disponível no link. Veja esse relógio online com diferentes horários.

Alguns problemas na medição do tempo

Originalmente, o segundo deveria ser o tempo que o sol a pino leva para percorrer a distância de 1/86400 (ou 1/3600 de uma hora, ou 1/60 de um minuto) da circunferência terrestre, ou seja, 462,962 metros na linha do equador. Hoje, o segundo é definido tecnicamente como a duração de 9 192 631 770 períodos da radiação correspondente à transição entre dois níveis hiperfinos do estado fundamental do átomo de césio 133.

Note que o dia solar não é exatamente o tempo da rotação da terra: a diferença entre ambas as medidas se dá pelo fato de que, ao longo de um dia, a terra percorre uma fração de sua translação em torno do sol. Um dia, entendido como o período de tempo que leva para a Terra para fazer um todo rotação com relação ao fundo celeste ou uma estrela distante (que se assume ser fixo), é chamado dia sideral ou ainda dia estelar. Este período de rotação é de 23h 56min 04s, ou seja, aproximadamente 4 minutos a menos do que as 24 horas clássicas (86400 segundos). Na verdade, até o período de rotação da Terra não é constante, principalmente devido a efeitos de maré, resultando em novas variações menores.

A Terra demora aproximadamente 365,2422 dias solares (1 ano trópico) para dar uma volta completa ao redor do Sol, enquanto o ano-calendário comum (por convenção) tem 365 dias solares. Sobram, portanto, aproximadamente 5h48m46 (0,2422 dia) a cada ano trópico. Acrescenta-se um dia a mais a cada quatro anos (exceto anos múltiplos de 100 que não são múltiplos de 400) para se corrigir a discrepância entre o ano-calendário convencional e o tempo de translação da Terra em volta do Sol tomando-se o ano trópico que utiliza o equinócio vernal (ou seja, o equinócio de primavera no hemisfério norte) como referência.

No caso do Calendário Gregoriano, este dia extra é incluído no final do mês de fevereiro, que passa a ter 29 dias (ano com 366 dias) em lugar dos 28 dias de anos normais (365 dias). O desenvolvimento dos calendários até o utilizado atualmente no mundo ocidental foi bastante turbulenta. O resultado foram meses com número de dias diferentes, semanas cortadas ao meio entre um mês e outros e anos com números de dias diferentes. Até os próprios nomes dos meses acabam confundindo – por exemplo, setembro não é o mês 7, e sim o 9.

Alternativas

O calendário Dekatrian (ou Decatriano) foi criado pelo físico/historiador medieval/cineasta Roberto “Pena” Spinelli. Ele aparece no universo fictício “Mundo Ravena“, que se passa no livro “ELDE” do autor Glauco Lessa. Esse calendário contém treze meses, de 28 dias cada, e 7 dias na semana. Esse período de uma semana e de um mês está muito relacionado ao ciclo hormonal dos seres humanos.

No total de 1 anos, 13 meses de 28 dias são 364 dias. Para sincronizá-lo com o ano solar, existe o “Dia Fora do Tempo”, considerado um dia “zero” antes de o ano novo começar. Se for usado como um feriado, não gera nenhum problema no calendário civil e ainda pode ser usado para refletir sobre o ano que passou e celebrar o novo ano que chega.

Calendário Dekatrian – o que diferencia entre um ano e outro é a equivalência com o calendário gregoriano, por isso está identificado pelo ano de 2017. Fonte: Calendário Dekatrian

Os nomes dos meses seguem a ordem alfabética (exceto o J porque no alfabeto latino I e J são a mesma letra), com significados bem interessantes – entre parênteses, segue a equivalência com o calendário gregoriano:

  1. Auroran (2 de janeiro – 29 de janeiro): simboliza a aurora da manhã, o começo de algo novo
  2. Borean (30 de janeiro – 26 de fevereiro): associado ao elemento do ar
  3. Coronian (27 de fevereiro – 26 de março): associado ao elemento da água e aos seres aquáticos
  4. Driadan (27 de março – 23 de abril): homenagem à natureza e aos seres da floresta
  5. Electran (24 de abril – 21 de maio): associado à luz e seus efeitos benéficos
  6. Faian (22 de maio – 18 de junho): associação com as relações amorosas entre os indivíduos
  7. Gaian (19 de junho – 16 de julho): associado ao elemento da terra e à noção de que todos vivemos em um lugar só
  8. Hermetian (17 de julho – 13 de agosto): associado aos estudos da magia e feitiçaria
  9. Irisian (14 de agosto – 10 de setembro): homenagem às cores do espectro do arco-íris
  10. Kaosian (11 de setembro – 8 de outubro): lembrado de forma conceitual como o princípio do vazio
  11. Lunan (9 de outubro – 5 de novembro): referência à lua
  12. Maian (6 de novembro – 3 de dezembro): simboliza a fertilidade
  13. Nixian (4 de dezembro – 31 de dezembro): mês da noite no sentido metafórico, pois o ano está acabando

Veja mais sobre o calendário Dekatrian na Wiki do Mundo Ravena e no post do Pena no portal Deviante.

Na época da Revolução Francesa, foi criado o calendário revolucionário francês (ou calendário republicano). Ele era baseado nos ciclos da natureza e utilizava o tempo decimal. O ano começava no equinócio de outono do hemisfério norte e os nomes dos meses eram alusivos às condições climáticas da época e à correspondente fase do ciclo agrícola na França. Só vigorou de 22 de setembro de 1792 a 31 de dezembro de 1805, quando Napoleão Bonaparte ordenou o restabelecimento do calendário gregoriano, e também durante a Comuna de Paris (18 de março a 28 de maio de 1871).

Calendário e relógio republicano francês. Fonte: Wikipedia

O calendário republicano era composto de doze meses de 30 dias (três semanas de dez dias, denominadas décadas) totalizando 360 dias. Veja os meses e suas correspondências com o calendário gregoriano:

– Outono

  • Vindemiário (vendémiaire) – 22 de setembro a 21 de outubro
  • Brumário (brumaire) – 22 de outubro a 20 de novembro
  • Frimário (frimaire) – 21 de novembro a 20 de dezembro

– Inverno

  • Nivoso (nivôse) – 21 de dezembro a 19 de janeiro
  • Pluvioso (pluviôse) – 20 de janeiro a 18 de fevereiro
  • Ventoso (ventôse) – 19 de fevereiro a 20 de março

– Primavera

  • Germinal (germinal) – 21 de março a 19 de abril
  • Floreal (floréal) – 20 de abril a 19 de maio
  • Prairial (prairial) – 20 de maio a 18 de junho

– Verão

  • Messidor (messidor) – 19 de junho a 18 de julho
  • Termidor (thermidor) – 19 de julho a 17 de agosto
  • Frutidor (fructidor) – 18 de agosto a 20 de setembro.

Para completar o número de dias do ano, eram acrescentados cinco dias (ou seis, nos anos bissextos) no fim do ano. Os dias de cada década (o “equivalente” a nossa semana) eram chamados:

  • primidi – dia da virtude
  • duodi – dia do engenho
  • tridi – dia do trabalho
  • quartidi – dia da opinião
  • quintidi – dia das recompensas
  • sextidi – dia da Revolução (somente nos anos bissextos)

O dia era dividido em dez horas, que se subdividiam em cem partes (como minutos), as quais se subdividiam em mais cem (como segundos). Essa subdivisão mínima equivalia a 0,864 segundos. Ou seja, usando regra de três simples (cada hora convencional tem 3600 segundos convencionais), cada hora do calendário revolucionário equivalia a 2 horas e 24 minutos convencionais.

Existe também um aplicativo para android com o calendário e o relógio revolucionário e um conversor de datas online disponíveis nos links.

A Swatch Internet Time foi um projeto da Swatch (marca suíça de relógios) que consiste na eliminação da base hexadecimal e dos fusos horários utilizados atualmente. O dia real foi dividido em 1000 “beats” (cujo símbolo é @), onde cada beat é equivale a 1 minuto e 26,4 segundos. A referência mundial para a Internet Time Biel Meantime (BMT) é o meridiano inicial (@000), situado na rua Jakob-Staempfli, em Biel, na Suíça. Assim quando em um lugar for @300 .beats do outro lugar também será @300 .beats, assim como em qualquer lugar do mundo. O sinal de arroba (@) pronunciado como at, significa em ou às. Veja a hora atual em Internet Time nesse site e um conversor online nesse outro link.

Obs.: veja como funciona a impressão do horário no início do post no link Plugins e PHP no wordpress.