Filtro de barro

A água geralmente já vem potável das estações de tratamento, mas até chegar na torneira pode receber resíduos provenientes das tubulações que levam a água até nossa casa. Com aquele ar interiorano e nostálgico, os filtros de barro cumprem muito bem sua função de filtrar, armazenar e até refrescar a água. Ele voltou aos noticiários em 2015, quando foi apontado como uma solução eficiente para filtrar a água possivelmente poluída com metais pesados do fundo do volume morto das represas do Sistema Cantareira. Não há evidências de que ele realmente tire todas as impurezas da água consumida – mas sabe-se que é realmente um dos mais eficientes.

Filtro de barro. Foto: ViniRoger
Filtro de barro. Foto: ViniRoger

Como funciona o filtro de barro?

Os filtros de água de cerâmica dependem do tamanho de poro pequeno do material cerâmico para filtrar a sujeira, detritos, bactérias, protozoários e cistos microbianos da água. Alguns podem receber uma camada de prata ajuda a matar ou incapacitar bactérias e impedir o crescimento de mofo e algas no corpo do filtro. Um núcleo de carvão ativado de alto desempenho dentro do cartucho de filtro de cerâmica reduz contaminantes orgânicos e metálicos, além de absorver compostos como o cloro. O sistema é capaz de filtrar partículas de até um micron (medida que equivale a um milionésimo de metro).

Geralmente, o filtro é imerso em um receptáculo de água contaminada sobre um outro recipiente vazio. Por gravidade, a água passa pelo filtro e pinga, gota a gota, no recipiente abaixo até preenchê-lo. Uma boia controla a passagem de água para o recipiente inferior, de modo a evitar o transbordamento. Essa lentidão no processo de filtragem garante uma eficiência maior na purificação, ao contrário de filtros cuja pressão da água empurra o fluido sobre o filtro, promovendo uma limpeza mais rápida, porém menos eficiente.

Para ser aprovado pelo Inmetro, o produto deve estabelecer redução no número de partículas de ao menos 85% e eficiência bactericida de 95%.

O filtro de barro mofa?

No caso do recipiente ser de barro, a água atravessa lentamente as paredes até atingir a superfície externa, por vezes deixando um tom mais escuro. Em contato com o ar, a água evapora e os sais minerais permanecem do lado de fora do filtro, dando um aspecto esbranquiçado. Esse processo é conhecido como eflorescência, que são depósitos cristalinos de cor branca que surgem na superfície do revestimento, como pisos (cerâmicos ou não), paredes e tetos, resultantes da migração e posterior evaporação de soluções aquosas salinizadas. Basta passar um pano levemente úmido para retirar o material, sem prejuízo à qualidade da água.

A evaporação da água ao atingir a superfície externa do filtro é que faz com que a água possa estar até 5°C mais fria do que estaria no ambiente externo. Isso ocorre porque a água “rouba” calor da proximidade (água do filtro) para poder passar do estado líquido para o gasoso, o que diminui a temperatura da água armazenada.

História

Com o crescimento das cidades nos séculos 19 e 20, mesmo com serviços de água encanada, existiam doenças epidêmicas relacionadas a água contaminada. Henry Doulton inventou a forma moderna de filtro de água sanitária para velas de cerâmica em 1827. Em 1835, a rainha Victoria o contratou para produzir esse dispositivo para seu uso na corte britânica. Paralelamente, imigrantes italianos e portugueses que vinham ao Brasil traziam na bagagem velas para filtrar água que já existiam na Europa. Eram peças rudimentares, feitas de pedras porosas, com os filtros de metal ou de pedra.

Entre os imigrantes que viviam e trabalhavam em São Paulo, um dia alguém percebeu que as jazidas de argila do interior do estado podiam fornecer material para fazer bons potes de cerâmica. E se podiam fazer bons potes, podiam fazer filtros.

Manutenção

O filtro de barro é o mais recomendado em países pobres que têm grandes problemas com doenças transmitidas pela água contaminada, por ser um método fácil de ser usado, não depende de energia elétrica, muito mais barato e que precisa de pouca manutenção. Como a área do filtro é independente do tamanho da junta de fixação, há menos vazamentos do que outras geometrias de filtro substituível e podem ser usadas juntas mais caras e de maior qualidade. Por serem protegidos pelo receptáculo superior, é menos provável que sejam danificados no uso comum. Eles são mais fáceis de higienizar, porque a parte não sanitária fica do lado de fora, onde é fácil de limpar – o lado sanitário está dentro da vela.

Os filtros podem ser limpos escovando-os com uma escova macia e enxaguando-os com água limpa. Filtros de carvão ativado precisam ser substituídos periodicamente porque o carvão fica entupido com material estranho. Não é recomendado lavar a vela com açúcar, sal, vinagre ou qualquer produto químico, pois qualquer um deles pode atrapalhar o sistema de filtragem.

Fontes