Astrometeorologia

Quanto mais antigo na linha do tempo, maior o peso que se dava às previsões de tempo realizadas pelo conhecimento popular, baseadas nas observações do dia a dia. Previsões climáticas faziam parte dos prognósticos ocultos dos astrólogos, especialmente na Europa, onde seus almanaques com resultados lucrativos ofereceram previsões habilmente formuladas durante todo o ano.

A astrologia, diferentemente da astronomia, é uma pseudociência segundo a qual as posições relativas dos corpos celestes poderiam prover informação sobre a personalidade, as relações humanas, e outros assuntos relacionados à vida do ser humano. No entanto, no início creditava-se aos astros muito mais do que o ser humano, como as condições atmosféricas.

A ferramenta principal da astrologia é o Horóscopo (também conhecido como carta astrológica ou apenas carta). Este mapa é um diagrama bidimensional que representa a posição dos corpos celestes vistos de certo local tendo o Sol como ponto central. Sua interpretação leva em consideração a posição de corpos celestes em relação aos signos do zodíaco, cálculo das dignidades astrológicas (que determinam a força de cada planeta no enquadramento do mapa astrológico), posição absoluta e relativa destes corpos dentro de um dos sistemas de casas astrológicas (12 divisões do céu, estabelecidas de acordo com o local e a hora de nascimento de cada pessoa ou de um evento em específico) e os aspectos astrológicos (relação trigonométrica dos corpos celestes entre si).

Ingresso do Sol em Capricórnio – 21.12.2001, 17h21m16s HV (-02:00) – Petrópolis, RJ – 22s32, 43w11 (fonte: Constelar)

A Astrometeorologia tem raízes muito antigas, utilizando as técnicas mais variadas. Entre elas, destaca-se o uso das estrelas fixas, algumas delas de claro significado meteorológico. Dependendo da estrela que se manifestasse em posição angular, era possível prever a chuva, a neve, a seca ou a ventania. As partes arábicas também tinham aplicação semelhante.

As regras básicas de astrometeorologia estão disponíveis no link A Basic Guide to Astro Meteorology, de Kim Farnell. Basicamente, se olha as cartas mundanas (chamadas assim porque são usadas para a previsão no nível mundial) de longo prazo, como as de ingresso solar e eclipses. Tais mapas são calculados para o momento exato do ingresso do Sol nos signos cardinais, ou seja, para o início exato das quatro estações do ano, do ponto de vista astronômico e astrológico. As previsões feitas com auxílio desses mapas são sazonais porque cobrem um período de três meses, exatamente a duração de cada estação. Na sequência, vai se refinando com as características das cartas de curto prazo, como as de luas, ingresso de mercúrio e nascer do Sol. O foco é na casa 4 do mapa, que representa o terreno e mostra 50% do padrão de tempo, e então segue-se para a casa 1, com 25% do padrão; o restante fica nas casas 7 e 10. Os astros nessas casas serão sua previsão de tempo, contra a qual será comparado o tempo real para um período de lunação:

Astros

  • Sol – quente, seco, calmo, a menos que em combinação violenta. Primariamente, dá um efeito mais acentuado quando os planetas são mutuamente aparentes, além do Sol em combinação com a Lua, caso em que produz condições meteorológicas extremas. Em conjunção com com Sol/Vênus, tempo turvo ou chuvoso.
  • Lua – frio, mais molhado de todos os planetas. A entrada lunar nos sinais cardinais (especialmente Capricórnio) tem um vínculo estreito para registrar a precipitação, especialmente através da angularidade de Júpiter. Vênus e a Lua tendem a ser posicionados em ou perto dos ângulos do gráfico de entrada em chuvas superiores ao normal. O papel da Lua é o de um gatilho.
  • Mercúrio – vento, frio para frio, tende a secar. Mercúrio governa o vento e corresponde à alta pressão do bom tempo. Brisas delicadas para ventos de força de furacão podem ser encontradas sob o domínio de Mercúrio. Em conjunção com Saturno, Urano, Netuno e Plutão antes do evento da tempestade pode denotar o tipo de força do vento que eventualmente pode resultar no meio ambiente. As causas caem na pressão do ar. Mercúrio/Urano geram agitações repentinas ou rajadas violentas; Mercúrio/Saturno aumentam constantemente a força do vento (mais chuva quando retrógrado).
  • Vênus – uma influência quente e úmida que tende a baixar a pressão. Temperaturas moderadamente quentes e aguaceiros suaves estão entre as marcas registradas de Vênus. No inverno, tende a aumentar a queda de neve ou a chuva gelada. Umidade, influência moderadora, consistentemente molhada. As combinações Vênus/Marte costumam referir-se a tempestades.
  • Marte – calor agudo, extremo se combinado com outros planetas violentos. Influência morna e seca. Verões quentes, secas e invernos suaves são alguns dos seus traços.
  • Júpiter – brisas acolhedoras e agradáveis, nas condições adequadas pode ser um grande vento, tende a secar. Por si só, Júpiter é considerada uma influência do tempo justo, trazendo condições temperadas e uma atmosfera revigorante. Júpiter aumenta a temperatura.
  • Saturno – frio, úmido, duradouro, sombrio, teimoso e determinado. Normalmente produz condições frias e úmidas que podem ser agravadas quando outros astros concordam. As tempestades ou os sistemas de baixa pressão gerados sob Saturno são mais prolongados e generalizados. Queda de temperatura com chuva. O aspecto de Saturno traz um clima frio e sombrio.
  • Uranus – frio, seco, gravador, mudanças inesperadas, reversões, instável, tempestades. As massas de ar frio e seco que resultam em inverno congelantes e as frentes frias de verão são atribuídas ao poder de Urano. A pressão alta e as velocidades do vento muito grandes também podem ser encontrados sob sua influência. Súbita, ventosa, chuvosa, fria.
  • Netuno – calmo, úmido, névoa, nevoeiro, eventos peculiares e extravagantes, inundações. O poder de Netuno reside na sua capacidade de baixar o barômetro e provocar chuvas torrenciais e condições de inundação. Durante as estações mais frias, as tendências de aquecimento e os descongelamentos são típicos de uma influência Netuno. Seco e quente, tempestuoso.
  • Plutão – calmo, violento, extremo, grave e intenso dependendo de outras indicações do gráfico. Alguns acreditam que o efeito de Plutão é semelhante ao de Marte.

Signos

  • Áries – quente, quente, seco; um sinal inconstante e pode trazer algum vento.
  • Touro – calmo, úmido, uma influência moderadora e pode ser constante; traz a chuva boa para agricultura.
  • Gêmeos – tende a frio, seco, dúbio; nuvens em movimento, céu aberto, flutuações de temperatura.
  • Câncer – esfriando; molhado, possibilidade de chuva com aguaceiros.
  • Leão – quente e seco; sinal mais inconstante; no inverno, derretimento de neve.
  • Virgem – frio, seco; frio com ventos; ventoso.
  • Libra – calmo, diminui a temperatura ao invés de aquecer; brisas, favorece seca; agradável.
  • Escorpião – extremos: muito molhado/seco/quente/frio; opressivo; este sinal intensifica a ação do resto.
  • Sagitário – quente, seco, claro e ensolarado; agradável; degelo no inverno.
  • Capricórnio – mais frio, tempestades; baixas temperaturas no inverno; pode adicionar calor ao verão; pode ser severo e longo.
  • Aquário – frio, seco, duro; tempestuoso; muito mutável; aumenta o potencial de tempestades.
  • Peixes – calmo, molhado, suave; sazonável.

Os aspectos astrológicos tradicionais – a conjunção, sextil, quadrado, trígono e oposição – e paralelos de declinação, são chaves importantes na determinação dos padrões climáticos.

Observação: isso foi o que entendi lendo o guia linkado anteriormente e um post do site Astrologia Tradicional (de Yuzuru Yzawa) e no site Constelar (artigo de Helvécio Herkenhoff Lima). Não entendo de astrologia, mas quis compartilhar essa atividade histórica da tentativa de se fazer uma previsão de tempo.

Aeromancia

A aeromancia usa formações de nuvens, correntes de vento e eventos cosmológicos, como cometas, para tentar prever o futuro. Existem sub-tipos desta prática que são os seguintes: austromancia (adivinhação do vento), ceraunoscopia (observação de trovões e relâmpagos), cleromancia (previsão a partir do lançamento de algum objeto, que seria redirecionado pelo vento), meteoromancia (previsão de estrelas cadentes) e nefomancia (adivinhação das nuvens).

Como é praticado: o vidente fecha os olhos, concentra-se e faz a pergunta. Ao abrir os olhos para o céu, o vidente traduz as formas das nuvens nos eventos futuros – um método bem semelhante à leitura borras de café ou aleuromancia. Diz-se que o saque de Jerusalém por Antíoco, foi previsto por uma pessoa que viu nas nuvens alguns cavaleiros misteriosos.

O observador pode também intervir na formação das figuras para encaixar a mensagem que pede adivinhação pelo consultante, promovendo uma espécie de psicocinese de forma inconciente, tornando a mensagem ainda mais clara.

O vento também pode ser um elemento previsor. Por exemplo, o vento leste é presságio de sorte; o vento do sul, por sua vez, significa divulgar segredos; o vento oeste , o infortúnio, adversidade; o vento norte, incapacidade de tomar uma decisão. Provavelmente na região onde essa técnica começou a ser praticada, o vento leste devia trazer ventos úmidos e bons para chuva e a agricultura, por exemplo, e assim surgiram essas conexões.

Além disso, o vidente pode formular perguntas com respostas binárias que serão respondidas pela direção do vento. Se o vento soprar para o Norte ou para o Oeste, a resposta é “sim”, mas se soprar para o Sul ou para o Leste, a resposta é “não”. Porém, se o vento não soprar e continuar assim depois de 10 minutos, a interpretação é que essa pergunta não tem resposta imediata.

O primeiro registro dessa palavra data de 1753. No entanto, ela já havia sido mencionada indiretamente em Deuteronômio 18 como sendo condenada por Deus:

Quando entrarem na terra que o Senhor, o seu Deus, lhes dá, não procurem imitar as coisas repugnantes que as nações de lá praticam. Não permitam que se ache alguém entre vocês que queime em sacrifício o seu filho ou a sua filha; que pratique adivinhação, ou dedique-se à magia, ou faça presságios, ou pratique feitiçaria ou faça encantamentos; que seja médium ou espírita ou que consulte os mortos.
Deuteronômio 18:9-11

Também foi condenada por Albertus Magnus em Speculum Astronomiae, que descreveu a prática como um derivado da necromancia (suposta arte de adivinhar o futuro por meio de contato com os mortos).