Voar em um balão de ar quente é uma oportunidade segura para admirar a paisagem, aliviar o estresse e ainda curtir um passeio romântico e diferente. O balonismo é mais que um esporte: é também um hobby, tanto para pilotos quanto passageiros, e uma forma bastante difundida de turismo em diversos países.

A primeira demonstração de um objeto voador foi feita pelo brasileiro Padre Bartholomeu de Gusmão, em 1709. No entanto, o surgimento oficial do balão remonta ao ano 1783, na França, onde dois irmãos Etienne e Joseph Montgolfier realizaram um teste de voo. Em 1953, o americano Ed Yost inventou o moderno balão movido a ar quente, acrescentando um sistema combustor de propano, um novo material de envelope, um novo sistema de inflação (a maçarico) e novas tecnologias de segurança. Quando o Departamento de Pesquisa Naval da Marinha dos Estados Unidos perdeu o interesse nos balões a ar quente na década de 1960, Yost começou a vendê-los como equipamento esportivo, fazendo renascer o balonismo.
Atualmente, com o material necessário separado previamente, uma equipe bem treinada consegue montar um balão e deixá-lo pronto para voar em poucos minutos. São necessários:
Cesto
É onde vão os passageiros e o piloto. Geralmente é feito de vime trançado por ser leve, flexível e de fácil manutenção.
Envelope (ou Globo)
Parte que mais chama atenção, feita de tecido de náilon, com resinagem especial anti-chama e um impermeabilizante interno. A corda da coroa no topo do balão é utilizada para estabilizar o balão durante o inflamento. O processo começa com a inflagem de ar frio com um moto ventilador, depois de o balão estar com ¾ de ar frio começa o aquecimento com os maçaricos até o balão ficar em posição. As cordas de cativo são utilizadas para amarrar o balão e deixá-lo exposto e seguro em uma demonstração.
Cordas
A corda da coroa no topo do balão é utilizada para estabilizar o balão durante a inflagem. As cordas de cativo são utilizadas para amarrar o balão e deixá-lo exposto e seguro em uma demonstração. A corda de segurança é utilizada em apenas algumas situações onde o piloto se aproxima do pouso e joga a corda para a equipe de resgate, possibilitando que a equipe puxe o balão para um local mais adequado.
Tanque de combustível
Utiliza-se o gás propano, geralmente armazenado em tanques de alumínio ou aço, que pode levar de 80 a 120 kg de gás, conforme o tamanho do balão.
Maçarico
Utilizado para lançar chamas e aquecer o ar. Com o ar mais quente, ele fica menos denso e sobe – efeito esse conhecido como força de empuxo. O piloto deve dosar as chamas que fazem o balão decolar, se manter no ar e pousar. Antes de decolar, o piloto sabe a direção em que o vento está soprando e consequentemente sabe a direção que o balão irá. O ar é formado por várias camadas que se movimentam em diversas direções. Mesmo que o piloto não possa dirigir o balão para esquerda ou para direita, ele pode subir e descer buscando as diferentes camadas de ar/vento para que o balão mude de direção.
Instrumentos
Altímetro (indica a altitude), variômetro (marca a velocidade de descida ou subida), termômetro (indica a temperatura do envelope do balão), bússola, mapas, rádio aeronáutico e GPS.

A novela da Globo “Salve Jorge” apresentou aos brasileiros os voos de balão na Turquia, região da Capadócia. Ficou na moda até o acidente em que três brasileiros morreram nessa região. A Capadócia é famosa por suas formas geológicas chamadas chaminés de fada. Passeios de balão são uma maneira popular de ver as formações cônicas, criadas pela erosão de cinzas vulcânicas em torno delas. Justamente pelo tráfego mais intenso de balões é que os acidentes se tronam mais prováveis caso sejam negligenciadas as normas de segurança.
Apesar do acidente pontual, é muito seguro voar de balão. Para voar, não há qualquer restrição; já para pilotar, é preciso passar antes por um curso de balonismo autorizado pela ANAC, ter mais de 18 anos, realizar no mínimo no mínimo de 16 aulas práticas e demonstrar aptidão física e psicológica. O balão é uma aeronave com prefixo, como qualquer outra (desde aviões Boeing a helicópteros, por exemplo). Assim como na aviação, toda a atividade deve ser feita por profissionais e supervisionada por controladores de voo.
Para o dia do passeio de balão, recomenda-se o uso de roupas confortáveis, como jeans, camisetas ou moletons, além de tênis adequados. O uso de boné e protetor solar também é importante, especialmente por se tratar de uma atividade ao ar livre.
Os voos de balão geralmente acontecem ao amanhecer, próximo ao nascer do sol, ou no final da tarde, antes do pôr do sol. Esses horários são escolhidos porque os ventos costumam ser mais calmos, já que o sol ainda não está alto no céu. Durante o dia, o aquecimento mais intenso da superfície terrestre gera maior instabilidade atmosférica, tornando o voo menos seguro.
A angulação do sol exerce papel fundamental na formação dos ventos. O sol aquece a superfície da Terra de forma desigual: áreas com água, terra ou cobertura de nuvens aquecem em intensidades diferentes. O ar quente, por ser mais leve, sobe, enquanto o ar frio desce para ocupar seu lugar, gerando movimentos verticais e horizontais do ar. Esse processo resulta na formação dos ventos. Durante o dia, essas “bolhas” de ar quente e frio sobem e descem constantemente, o que torna o voo de balão desaconselhável nesse período.
Embora seja possível voar de balão à noite, essa prática não é comum. A pouca visibilidade e a necessidade de equipamentos específicos, como sistemas de iluminação, tornam esse tipo de voo mais complexo. Além disso, a maioria dos balonistas possui autorização apenas para voos diurnos.
Em relação à segurança, não há motivo para preocupação caso um pássaro colida com o balão durante o voo. O tecido do envelope é extremamente resistente, sendo possível voar mesmo com um furo relativamente grande, desde que ele não esteja localizado no topo do balão.
A durabilidade de um balão depende diretamente dos cuidados e da forma de utilização. Com manutenção adequada, o envelope pode ultrapassar 400 horas de voo.
É importante se planejar antes do passeio quanto a necessidades pessoais. O tempo médio de voo é de aproximadamente uma hora, e não há banheiro a bordo do balão, portanto recomenda-se se preparar adequadamente antes da decolagem.
O tempo de voo depende da carga de combustível, mas geralmente dura cerca de 1h30. O voo realizado foi através da Escola Brasileira de Balonismo, em Boituva/SP. Deve-se marcar com antecedência e o voo ocorre logo com o nascer do Sol, pois existe menos turbulência na atmosfera e ventos mais calmos. Veja o vídeo do balão passando próximo do topo de uma árvores e a vista da altura de 156 metros (no final, aparece o maçarico em funcionamento).
Vista aérea do local de lançamento do balão (do mesmo ponto saem balões de outras empresas de balonismo). O pouso geralmente é diferente da região de lançamento, já que o vento pode levar para lugares diferentes. Uma equipe de resgate acompanha o balão, comunicando-se via rádio.
No estado de São Paulo, também existem voos de balão em Campinas, Araçoiaba da Serra (Rubic Balões), Piracicaba/Rio Claro (Henrique Neto), São Pedro/Piracicaba (Air Brasil Balonismo) e Atibaia (Baiuca Sport).





4 comments