Viagem de trem

Uma crônica é um texto curto que costuma tratar de assuntos corriqueiros do cotidiano, geralmente veiculado na imprensa. O texto a seguir foi escrito por mim quando eu estava na 6ª série (atual 7º ano) do Ensino Fundamental para as aulas de redação na escola. Como tirei uma boa nota, fui incentivado a inscrevê-lo para um concurso.

Era o 1° Concurso Rosa Cruz Infanto-Juvenil de Crônica, e felizmente conquistei o 1º lugar. Esse foi um dos vários elementos que me incentivaram a continuar escrevendo até hoje. Uma boa escrita é algo muito importante para a vida pessoal e profissional, que somente com muita leitura e prática pode-se atingir. O texto a seguir foi o começo dessa jornada (tinha 13 anos na época), e espero que outros jovens possam ter oportunidades de serem incentivados a escrever por prazer.

Troféu de 1º lugar do 1° Concurso Rosa Cruz Infanto-Juvenil de Crônica. Foto: ViniRoger
Troféu de 1º lugar do 1° Concurso Rosa Cruz Infanto-Juvenil de Crônica. Foto: ViniRoger

Viagem de trem

Estou na estação do centro, esperando impacientemente que o trem chegue. Enquanto estou lá, compro a passagem e tomo um café com creme (daqueles bem ruins) para não ficar de estômago vazio.

Ele já está chegando. Pego minha pequena maleta com algumas roupas, blocos de anotações, documentos e subo nele. Acomodo-me em um banco (próximo à janela, claro) no último de seus vagões.

Quando dá o último apito e parte, sinto saudade de tudo que estou deixando para trás: da minha família (com alguns integrantes que nem valham a pena esse sentimento), amigos, casa, enfim, a minha vida parte novamente do zero.

Mas ao contrário do que eu achava, minha vida começou dentro do trem mesmo. Conheço uma pessoa muito atraente, Marilu. Ótima conversa e adora a nossa cidade de destino, o Rio de Janeiro, onde volta para rever sua vida, sua família, e quem sabe, até seus antigos amigos.

Para saber onde o trem está passando, vou conversar com o maquinista, que me informa que já estamos chegando. Um tempo depois, já começo a sentir o cheiro do mar, e me lembro de meu pai, almirante da marinha que morreu em treino de tiro (estava pintando os alvos nas pedras na hora dos disparos).

O trem começa a frear e estamos chegando à estação. Despeço-me de Marilu com um caloroso abraço. Assim que saio do trem escuto um sinal…

Descobri-me em um consultório psicológico, e estive esse tempo todo em outra vida: fiz uma viagem.

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