Raciocínio lógico – 1a parte

Você resolve problemas com facilidade? Ter boa memória é uma ajuda na hora de tomar decisões, pois isso disponibiliza uma quantidade de informações relevantes. Mas isso não basta: o raciocínio lógico é a capacidade específica de lidar mentalmente com as informações disponíveis, encontrando associações entre elas, semelhanças, diferenças, correlações e relações de causalidade, o que torna possível tomar decisões adequadas às situações. Também faz parte do raciocínio lógico a capacidade de identificar problemas, estabelecer metas, traçar estratégias para atingi-las e então coordenar a execução do plano arquitetado, garantindo que a meta seja atingida.

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O raciocínio lógico é uma habilidade fundamental à vida cotidiana e profissional, pois lhe permite lidar de maneira bem-sucedida com problemas os mais variados: desde organizar sua agenda do dia até resolver problemas mais complexos. Quanto mais você resolve problemas que exijam raciocínio, melhor você fica em resolvê-los bem e rapidamente: essa é a melhor maneira de exercitar o raciocínio lógico.

O matemático inglês autodidata George Boole removeu a lógica do mundo da Filosofia e introduziu-a na matemática. Ele desenvolveu um processo muito simples de análise que permite separar os processos/tarefas em pequenos passos individuais. Cada passo envolve decidir se uma afirmação é verdadeira ou falsa: se a resposta for verdadeira, pode ser atribuído um valor 1, e se for falsa, valor 0. As respostas podem envolver os operadores E, OU ou NÃO. O operador E fornece valor 1 se as todas as afirmações forem verdadeira, enquanto que OU fornece valor 1 mesmo que somente uma das afirmações estiverem corretas. Já o NÃO fornece valor 1 somente se uma das afirmações for verdadeira e a outra falsa. Desse modo, podem ser formadas árvores de decisões complexas.

Claude Elwood Shannon introduziu o conceito de informação e da teoria da comunicação através da codificação da informação em uma série de 0s e 1, aos quais chamou de bits. Assim, podem ser representados por chaves desligada (0) ou ligada (1) para a passagem de corrente elétrica, e através da álgebra booleana a informação pode ser processada automaticamente por circuitos eletrônicos. Esse é o conceito central de circuitos eletrônicos e computadores.

A Lógica é uma forma de examinar o que é válido ou não. Dada uma premissa (ou proposição), uma conclusão, e uma regra segundo a qual a premissa implica a conclusão, pode-se distinguir três tipos de raciocínio lógico (ou seja, três formas diferentes de se abordar um problema):

  • Dedução corresponde a determinar a conclusão. Utiliza-se da regra e sua premissa para chegar a uma conclusão, muito utilizado na Matemática. Exemplo: “Quando chove, a grama fica molhada. Choveu hoje. Portanto, a grama está molhada.”
  • Indução é determinar a regra. Aprende-se a regra a partir de diversos exemplos de como a conclusão segue da premissa, como os cientistas fazem. Exemplo: “A grama ficou molhada todas as vezes em que choveu. Então, se chover amanhã, a grama ficará molhada.”
  • Abdução significa determinar a premissa. Usa-se a conclusão e a regra para defender que a premissa poderia explicar a conclusão, geralmente utilizados por médicos e detetives. Exemplo: “Quando chove, a grama fica molhada. A grama está molhada, então pode ter chovido.”

Vejam alguns testes simples de lógica:

  1. Você está numa cela onde existem duas portas, cada uma vigiada por um guarda. Existe uma porta que dá para a liberdade, e outra para a morte. Você está livre para escolher a porta que quiser e por ela sair. Poderá fazer apenas uma pergunta a um dos dois guardas que vigiam as portas. Um dos guardas sempre fala a verdade, e o outro sempre mente e você não sabe quem é o mentiroso e quem fala a verdade. Que pergunta você faria?
  2. Você é prisioneiro de uma tribo que conhece todos os segredos do Universo e portanto os indígenas sabem de tudo. Você está para receber sua sentença de morte. O cacique o desafia: “Faça uma afirmação qualquer. Se o que você falar for mentira você morrerá na fogueira, se falar uma verdade você será afogado. Se não pudermos definir sua afirmação como verdade ou mentira, nós o libertaremos. O que você diria?

Respostas:

  1. Pergunte a qualquer um deles: Qual a porta que o seu companheiro apontaria como sendo a porta da liberdade?
    Explicação: O mentiroso apontaria a porta da morte como sendo a porta que o seu companheiro (o sincero) diria que é a porta da liberdade, já que se trata de uma mentira da afirmação do sincero. E o sincero, sabendo que seu companheiro sempre mente, diria que ele apontaria a porta da morte como sendo a porta da liberdade.
    Conclusão: os dois apontariam a porta da morte como sendo a porta que o seu companheiro diria ser a porta da liberdade. Portanto, é só seguir pela outra porta.
  2. Afirme que você morrerá na fogueira.
    Explicação: Se você realmente morrer na fogueira, isto é uma verdade, então você deveria morrer afogado, mas se você for afogado a afirmação seria uma mentira, e você teria que morrer na fogueira.
    Conclusão: Mesmo que eles pudessem prever o futuro, cairiam neste impasse e você seria libertado.

Existe também o paradoxo, que é uma declaração aparentemente verdadeira que leva a uma contradição lógica, ou a uma situação que contradiz a intuição comum. Exemplos: “Um homem diz que está mentindo. O que ele diz é verdade ou mentira?” e “Seria impossível o personagem Pinóquio dizer: meu nariz vai crescer agora!” (se o nariz crescer, ele está falando a verdade e o nariz não deveria crescer; se o nariz não cresce, ele está mentindo e o nariz deveria crescer).

Veja mais problemas de lógica na segunda parte desse post sobre Raciocínio Lógico.