Meteorologia no transporte sobre trilhos

No dia 21 de setembro de 2021, a SuperVia, operadora dos trens cariocas, informou por volta das 15 horas que a circulação em vários ramais seriam temporariamente suspensas. A interrupção durou quase quatro horas e ocorreu devido a ventos fortes, que também chegaram a interromper o tráfego na ponte Rio-Niterói. Eventos meteorológicos podem influenciar o transporte sobre trilhos da diversas formas.

Vento

Ainda sobre a ponte Rio-Niterói, alguns pontos ainda podem ser válidos para certas pontes metroferroviárias. Até 2004, a ponte oscilava até 1 m para cima e para baixo, com rajadas entre 55 e 60 km/h, o que tornava mais comum o fechamento da via. No entanto, foi desenvolvido um sistema ADS (Atenuadores Dinâmicos Sincronizados) dentro da estrutura, que absorve os movimentos provocados pelos ventos através de molas.

A ponte conta com estações meteorológicas em toda sua extensão e as informações geradas são monitoradas por um centro de controle. O bloqueio do trânsito aconteceu por motivo de segurança, já que a ventania pode prejudicar a condução dos veículos e até derrubar motociclistas. Ventos a partir de 60 km/h já deixam a equipe em alerta, sendo que o trânsito é interrompido com rajadas superiores a 70 km/h. Quando o trânsito foi liberado, a concessionária adotou outro protocolo de segurança: comboios de viaturas cruzaram a ponte na frente dos carros para limitar a velocidade entre 20 e 40 km/h.

Note que, em situações de vento forte, o indicado é a redução de velocidade para que, no caso de perda de controle na condução do veículo, o condutor tem um menor espaço percorrido em descontrole e mais adequado ao tempo de resposta de reação do ser humano.

A interrupção nos serviços da SuperVia desse mesmo dia aconteceu nos ramais Japeri, Santa Cruz (interligado ao Deodoro) Belford Roxo e Saracuruna e nas extensões Paracambi, Vila Inhomirim e Guapimirim. O Centro de Operações Rio informou que a cidade entrou em estágio de mobilização às 15h20, devido aos registros de vento forte, associado à passagem de uma frente fria, na Base Aérea de Santa Cruz (57,4 km/h), Aeroporto do Galeão (68,5 km/h) e no Aeroporto Santos Dumont (64,8 km/h).

Os ventos fortes podem derrubar linhas aéreas que transmitem energia elétrica para o funcionamento dos trens. Também podem derrubar árvores e outros objetos na via, aumentando o risco de descarrilamento das composições ou mesmo impossibilitando o deslocamento. Na previsão de eventos extremos, as equipes devem buscar medidas para continuar transportando as pessoas com segurança (redução de velocidade ou até interrupção do serviço) e acionar planos de emergência para deslocar equipes (remoção de objetos na via e reparos).

Temperatura

Trecho do trilho dilatado próximo à estação Cosmos, na zona oeste do Rio. Fonte: Reprodução/Facebook
Trecho do trilho dilatado próximo à estação Cosmos, na zona oeste do Rio. Fonte: Reprodução/Facebook

Empresas ferroviárias cada vez mais vêm monitorando a temperatura dos trilhos diretamente para evitar empenamentos e limitar a velocidade dos trens. Em lugares como Austrália, Europa e Estados Unidos, têm padrões para limites de velocidade com base na temperatura do trilho. O frio intenso também pode afetar as operações em transportes.

No calor extremo, o metal dos trilhos pode dilatar a ponto dos trilhos entortarem. Isso já aconteceu em 19 de janeiro de 2018 no Rio de Janeiro, quando a maior temperatura do dia foi registrada em Santa Cruz, às 12h: 35,9°C. As viagens chegaram a ser interrompidas em trechos do ramal Santa Cruz, que atende a zona oeste.

Já no metrô de São Paulo, o problema foi o frio. Em 6 de agosto de 2011, a temperatura chegou a 6°C e afetou a rede de freios e portas, paralisando os trens. O problema foi resolvido em 20 minutos mas gerou transtornos, já que foi bem no horário de pico da manhã. Note que a temperatura afeta também o conforto dos passageiros e integridade das cargas, sendo comumente necessário equipamentos para reduzir ou aumentar a temperatura nos vagões.

Precipitação

A ocorrência de neve pode molhar os trilhos, reduzindo o atrito nas frenagens e levando à necessidade de redução da velocidade. Em grandes quantidades, a neve obstrui as vias, impossibilitando o deslocamento até o final da nevasca e remoção por equipes de manutenção. Somente quando acumula poucos centímetros de neve que o trem pode circular, conforme pode ser visto nesse vídeo.

Em cidades como Dublin e São Paulo, a chuva é o principal fator relacionado a atrasos dentre os eventos meteorológicos. Além da redução de velocidade por segurança, chuvas fortes podem vir acompanhadas de alagamentos, ventos fortes, redução de visibilidade e raios.

Em fevereiro de 2020, duas linhas da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos de São Paulo (CPTM) tiveram trechos interrompidos por conta de alagamentos, que perdurou mais que um dia. Descargas elétricas atmosféricas podem ocasionar danos a equipamentos e queda de energia e interrupção dos serviços.

Por conta disso, a operadora comunicou, por meio do Diário Oficial do Estado, que abriu um Chamamento Público para “a realização de prova conceito (PoC – ‘Proof of Concept’) de soluções tecnológicas, de hardware e/ou software para previsões climáticas com monitoramento meteorológico em tempo real, que possam auxiliar a programação de atividades ou previsão de alagamentos e raios em áreas da CPTM.” Mais detalhes no link.

Fontes

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