Comunicação não-violenta

Maria Auxiliadora Roggério

A todo instante em nossas relações estabelecemos comunicações. Toda comunicação segue um esquema que envolve emissor/mensagem/meio(canal) e receptor. Existem vários tipos de comunicações as quais são classificadas em verbais e não-verbais. As comunicações verbais são constituídas pela palavra: as mensagens são orais ou escritas. As mensagens não-verbais ocorrem isoladamente ou em conjunto com as verbais.

"Eu gostaria de ter empatia com você", "Não é justo! É a minha vez de ser o empatizador!", "Não é mais fácil ter empatia do que lidar com as próprias necessidades malditas?". Fonte: ANVC (Almost Nonviolent Communication) Cartoons
“Eu gostaria de ter empatia com você”, “Não é justo! É a minha vez de ser o empatizador!”, “Não é mais fácil ter empatia do que lidar com as próprias necessidades malditas?”. Fonte: ANVC (Almost Nonviolent Communication) Cartoons

Enquanto falamos, nossas palavras transmitem uma mensagem consciente, no entanto, nossa postura física, nossos gestos, podem comunicar algo diferente ou adverso ao que foi dito, revelando uma mensagem inconsciente.

Não precisamos contar aos outros como nos sentimos; nossa afetividade pode ser notada pelo olhar, por gestos, expressão facial, mímica, posturas, tom de voz. Mínimos detalhes de nosso comportamento podem revelar emoções. O ditado popular “O silêncio vale mais que mil palavras” nos mostra o quanto a linguagem silenciosa do corpo é capaz de comunicar emoção de forma não-verbal.

As mensagens emitidas estão sujeitas a distorções (ruído na comunicação) e podem não serem compreendidas pelos receptores. Existem barreiras que se encontram latentes e são muito sutis. Como exemplos:

  • preconceitos e estereótipos influenciam a percepção que se tem do outro, levando ou não a ouvi-lo com atenção;
  • interesse por ouvir ou ler apenas o que coincida com sua opinião ou de modo que a mensagem coincida com sua opinião;
  • interrupção da fala do outro sem sequer ouvir o que está sendo dito e exigência em ser ouvido (competição);
  • rebater o que o outro diz sem ao menos tentar enxergar seu ponto de vista (egocentrismo);
  • não conseguir ouvir e entender o que está sendo dito, por sentir-se frustrado;
  • projeção das próprias intenções no interlocutor;
  • inibição em relação ao outro;
  • interlocutor parecido com uma pessoa de relacionamento anterior pode provocar transferência inconsciente de sentimento e gerar comunicação favorável ou não.

Comunicação não-violenta

Diariamente, mesmo sem perceber, praticamos várias formas de comunicação violenta: quando criticamos os outros e a nós mesmos; quando emitimos julgamentos moralizadores; quando praticamos bullying ou discriminação; quando culpamos os outros, negando nossa responsabilidade; quando agimos na defensiva ou reagimos com agressões e raiva.

As respostas a essas atitudes agressivas podem ser ainda mais agressivas, provocando graves conflitos nos relacionamentos.

Para relacionar-se de forma positiva e desenvolver uma comunicação não-violenta, é preciso ter uma atitude empática, isto é, sentir empatia e saber demonstrá-la. Aprender a escutar sem prejulgamentos, entender a necessidade do outro e a própria necessidade e saber comunicá-las, bem como expressar com clareza os sentimentos que daí surgiram. (veja mais em Empatia, Simpatia, Compaixão).

O processo de aprendizagem da comunicação não-violenta tem como objetivo reformular o modo como nos relacionamos com o outro. Baseia-se em relações de cooperação entre as pessoas, com respeito e atenção. Pressupõe o autoconhecimento e o reconhecimento da própria violência, seja nas palavras ou nas atitudes.

Para comunicar-se de forma não-violenta é preciso desenvolver esse processo de tomada de consciência interna e externa para depois tentar resolver os conflitos. Compreende observar os fatos sem julgamentos; expressar os sentimentos que afloraram a partir do fato/atitude do outro, sendo honesto consigo mesmo e com o outro quanto a isso; conectar-se com o outro sem atitudes defensivas ou de ataque, permitindo-se mostrar vulnerabilidade; após nomear os sentimentos, identificar quais necessidades são apontadas por eles. Informar suas necessidades responsabilizando-se por elas; comunicar ao outro as observações, o que sentiu a partir disso, o que precisa, e fazer o pedido do que quer para suprir sua carência.

É preciso saber como ouvir e como pedir. Procurar as palavras adequadas para comunicar o que se pretende e avaliar qual efeito elas poderão ter sobre o outro. Respeitar a opinião alheia e ter em mente que pontos de vista diferentes auxiliam na construção de boas soluções em parceria, reduzindo ou impedindo a formação de conflitos, que seriam gerados apenas porque um quer fazer valer sua opinião e demonstrar controle sobre a situação.

Benefícios da comunicação não-violenta

A comunicação não-violenta pode ser aplicada em diversos contextos e em variadas finalidades, como exemplos:

  • fortalecimento de vínculos interpessoais,
  • promoção da empatia,
  • mediação e resolução de conflitos,
  • criação de ambientes acolhedores abertos ao diálogo,
  • redução das agressões verbais e/ou físicas,
  • nas reações defensivas,
  • na prevenção de episódios agressivos,
  • promoção de maior compreensão das emoções.

Praticar esse tipo de comunicação promove mudanças positivas em si mesmo, em seus relacionamentos e no ambiente.

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