Como investir seu dinheiro?

Em economia, investimento é a aplicação de capital (bem econômico) com a expectativa de um benefício no futuro. Em geral, pessoas com alguma visão de futuro reservam de 10 a 20% do dinheiro obtido com seu trabalho como uma reserva para alguma emergência ou realização de um projeto (compra de bens, viagens, uma aposentadoria tranquila, etc). Veja mais sobre planejamento financeiro no post do link. No entanto, simplesmente guardar esse montando embaixo do colchão traz um grave problema: a inflação faz o seu dinheiro desvalorizar com o passar do tempo. Você pode evitar esse problema realizando um investimento financeiro para compensar esse problema.

Comportamento (errado) que se costuma ter no mercado financeiro: o certo é comprar na baixa e vender na alta

Além de vencer a desvalorização gerada pela inflação, você pode fazer o seu dinheiro render um pouco a mais que isso. É o que chamam de “fazer o dinheiro trabalhar para você”. Existem diversos tipos de investimentos, que vão desde o perfil mais conservador (aquele que não admite perder dinheiro) até o mais agressivo (que assume o risco de ganhar menos ou perder dinheiro se tiver a oportunidade de ganhar um valor razoavelmente maior). O mais importante é nunca apostar tudo em um só tipo de investimento: deve-se diversificar para, se perder em um investimento, manter (ou mesmo recuperar) em outro.

Juros

A remuneração cobrada pelo empréstimo de dinheiro (ou outro item) é chamado de juro. É expresso como um percentual sobre o valor emprestado (taxa de juro) e pode ser calculado de duas formas: juros simples ou juros compostos. Ao usar juros simples, a taxa é aplicada somente sobre o valor inicial (chamado de capital inicial), desconsiderando que o valor sobre o qual incidem juros mude ao longo do tempo. Já os juros compostos são somados ao capital para o cálculo de novos juros nos períodos seguintes.

Por exemplo, se investir 1 mil reais a uma taxa de juros de 10% ao mês, ao final de um mês você terá 100 reais a mais de juros. Se considerar o regime de juros simples, no 2º mês você terá outros 100 reais (10% do capital inicial de mil reais), que somados aos 100 reais do 1° mês lhe dão 200 reais – no total, você tem R$ 1.200,00. Se considerar juros compostos, esses 10% devem ser calculados sobre o capital acumulado ao final do 1° mês, que é R$ 1.100,00. Como 10% de 1.100 são 110 reais, você terá 210 reais de juros e mil de capital inicial – R$ 1.210,00 no total.

Pode parecer uma diferença pequena de início. No entanto, quanto mais tempo mantiver o dinheiro aplicado, mais dinheiro se ganha. Nesse exemplo, ao final de 1 ano você teria R$ 2200,00 no total usando juros simples ou R$ 3138,00 usando juros compostos. Além disso, se o capital inicial fosse maior (por exemplo, 100 mil reais), no final de 1 ano você teria ganho uma quantidade ainda maior de juros.

As fórmulas usadas para esse cálculo são as seguintes:

  • Juros simples: M = C x (1 + j x n)
  • Juros compostos: M = C x (1 + j)n

Onde M é o montante (valor futuro a ser acumulado), C é o capital aplicado, j é a taxa de juros (em decimal, ou seja, 10% vira 10/100 = 0,1) e n é o número de períodos (meses, se a taxa for mensal). Você pode usar esse link para converter entre taxa mensal e anual.

Como é costume guardar uma parte de seus ganhos todo mês, o capital mensal vai aumentar não só por causa dos juros, mas também devido a esse aporte extra. E os juros recebidos serão ainda maiores. Veja essa calculadora de juros compostos do link para saber quanto seu investimento deve render e quanto tempo deve-se guardar o dinheiro para atingir um determinado valor.

Taxas/Índices comuns

Existem algumas taxas que são muito utilizadas como referência de rendimento:

  • Taxa Referencial (TR) – instituída em 1991, é calculada pelo Banco Central e utilizada no cálculo do rendimento de títulos públicos, caderneta de poupança e outras operações, como empréstimos do Sistema Financeiro da Habitação;
  • Taxa Selic (Sistema Especial de Liquidação e de Custódia) – taxa de referência para títulos federais;
  • IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) – medida do preço médio necessário para comprar bens de consumo e serviços;
  • IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado) – calculado mensalmente pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) utilizado para a correção de contratos de aluguel e como indexador de algumas tarifas como energia elétrica;
  • CDI (Certificado de Depósito Interbancário) – taxas de títulos emitidos por instituições financeiras para empréstimos de curtíssimo prazo (1 dia) feitos entre elas a fim de sanarem o seu caixa;
  • Índice Bovespa – desempenho médio das cotações das ações de uma carteira teórica de ativos negociados na Bolsa de Valores de São Paulo (com a aprovação da fusão com a Cetip, a BM&FBovespa agora será conhecida como “B3 – Brasil, Bolsa, Balcão”).

Os valores atualizados dos índices econômicos e outros podem ser consultados no link.

Tipos de investimentos

Basicamente, os investimentos são divididos entre os de renda fixa (aqueles em que a remuneração é conhecida já no momento da aplicação) e os de renda variável (não é possível conhecer com exatidão a remuneração a ser recebida).

A remuneração de um investimento de renda fixa é definida com base em uma taxa de juros (ou índice) conhecida previamente, geralmente igual ou uma porcentagem de alguma das taxas mencionadas anteriormente. Veja alguns exemplos:

  • Caderneta de poupança – historicamente possui rentabilidade baixa (por vezes até abaixo da inflação, gerando perda de valor), mas sem incidência de imposto de renda e taxas, possuindo grande liquidez (se precisar do dinheiro, é só resgatar)
  • CDB (Certificado de Depósito Bancário) – títulos emitidos pelos bancos e caixas econômicas vendidos aos investidores como forma de captação de recursos do emissor;
  • LC (Letra de Câmbio) – instrumento de captação das financeiras, com o objetivo de financiar suas atividades (você empresta dinheiro às financeiras em troca de uma rentabilidade preestabelecida)
  • Letra Financeira – instrumento de captação de recursos exclusivo das instituições financeiras;
  • LCI (Letra de Crédito Imobiliário) – título emitido por instituições autorizadas pelo Banco Central com objetivo de financiar o setor imobiliário que tem como lastro financiamentos imobiliários garantidos por hipoteca ou alienação fiduciária do imóvel (isento de IR);
  • LCA (Letra de Crédito do Agronegócio) – título emitido por instituições financeiras públicas e privadas, vinculado a direitos creditórios originários do agronegócio (isento de IR);
  • CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários) – títulos lastreados em créditos imobiliários, representativos de parcelas de um direito creditório;
  • CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio) – vinculados a direitos creditórios originários de negócios realizados, em sua maioria, por produtores rurais ou suas cooperativas, relacionados ao financiamento da atividade agropecuária;
  • Debêntures – valores mobiliários que representam dívidas de médio e longo prazos de Sociedades Anônimas (emissoras);
  • Títulos Públicos Federais – títulos emitidos pelo Governo, por meio do Tesouro Nacional, com a finalidade de captar recursos para o financiamento da atividade pública;
  • Tesouro Direto – programa que possibilita a negociação, através da internet, de títulos públicos por pessoas físicas (veja uma calculadora de rentabilidade nesse link).

Se essa taxa for menor que o valor da inflação ou se houver deduções (como taxas administrativas e impostos), pode haver desvalorização mesmo sem perder dinheiro. As instituições que oferecem esses investimentos costumam possuir uma classificação de crédito (rating) que permite avaliar o valor do crédito de emissões da dívida de uma empresa ou um governo.

Já investimentos de renda variável podem inclusive ter rendimento negativo. Seguem alguns exemplos:

  • Ouro – contratos da posse de barras de ouro negociado por corretoras de valores, com lucros a longo prazo;
  • Ações – pequenas partes do patrimônio da empresa que coloca essa fração no mercado, podendo ser ordinárias (dão direito ao investidor de tomar decisões em relação à empresa e receber os dividendos) ou preferenciais (somente dão direito ao investidor de receber parte dos lucros da empresa);
  • Moeda estrangeira (câmbio) – podem ser uma forma de proteger o seu poder de compra em épocas de alta inflação (ex: Dólar, Euro, Libra, Yuan);
  • Criptomoedas (moeda virtual) – meio de troca que se utiliza da tecnologia de blockchain e da criptografia para assegurar a validade das transações e a criação de novas unidades da moeda (ex: Bitcoin, Litecoin, Etherium). Veja mais no post sobre Investimento em criptomoedas.

Existem também os Fundos de Investimento, onde os investidores são donos de uma cota e pagam uma taxa para que determinada instituição cuide do conjunto de cotas para benefício de todos. Eles podem ser formados por ativos de renda fixa, ações, cambial, imobiliário (dividido em cotas, que representam parcelas ideais do seu patrimônio), títulos públicos, títulos privados ou uma mistura de dois ou mais itens.

Além deles, existe o investimentos em ativos reais, que abrangem a compra de um imóvel, bem de consumo ou empresa. Por exemplo: comprar uma casa em uma região que vai construir um metrô e/ou reformá-la fazem o imóvel valorizar, ganhando-se um lucro com sua venda; também é possível alugá-lo e receber dinheiro do inquilino. Objetos raros podem ser comprados esperando sua valorização com o tempo e escassez de outros exemplares semelhantes. Como desvantagem, também pode ocorrer desvalorização dos bens e sua liquidez é menor.

Taxas e impostos

Os bancos e instituições financeiras costumam cobrar uma taxa de administração/custódia de diferentes valores. Além disso, o Governo institui alguns impostos:

  • IOF (Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros) – incide também em aplicações financeiras, e a partir do primeiro dia da aplicação, a alíquota do IOF vai diminuindo progressivamente, até zerar no 30º dia;
  • IR (Imposto de Renda) – incide sobre o rendimento em uma porcentagem que regride quanto maior o tempo de aplicação do dinheiro.

Alguns investimentos possuem incidência de IR conforme a tabela regressiva, outros com uma taxa fixa e outros são isentos.

Uma das formas de calcular a real rentabilidade de uma taxa retirando-se o imposto de renda é primeiro calcular o rendimento obtido, tirar o imposto desse valor e então fazer uma regra de três usando a diferença entre o rendimento menos o imposto Outra forma é usar a fórmula deduzida no final do exemplo a seguir:

* Um título de renda fixa está pagando IPCA + 5,53 a.a. (ao ano), sujeito e imposto de renda com tabela regressiva. Qual será a rentabilidade ao final de 1 ano aplicando 10 mil reais?

Supondo que o IPCA seja de 4,5% durante todo o período de 1 ano, a rentabilidade seria de 5,53 + 4,5 = 10,03% (t). Considerando que o resgate seja em pouco mais de 360 dias, o imposto de renda fica em 17,5% (tIR) pela tabela regressiva. Chamando o valor investido de M e de L o valor (em reais) obtido, temos os seguintes passos:

1) Cálculo da renda obtida: t% de M = L

M – 100%
L – t%

Então L = M x t / 100. No exemplo: L = 10000 x 10,03 / 100 = 1003 de rendimento bruto.

2) Cálculo do imposto: tIR% de L = IR

L – 100%
IR – tIR

Então IR = L x tIR / 100. No exemplo: IR = 1003 x 17,5 / 100 = 175,525 de imposto retido. O rendimento líquido (LL) fica em L – IR = 1003 – 175,525 = 827,475.

3) Cálculo da taxa de rentabilidade real (tR, considerando rendimento líquido):

M – 100%
LL – tR%

Então tR = LL x 100 / M. No exemplo: tR = 827,475 x 100 / 10000 = 8,27% de rentabilidade real.

Considerando a definição de rendimento líquido na equação (3) e substituindo L, IR e M conforme as equações (1) e (2), temos uma equação para a taxa de rentabilidade real em função somente da taxa de rentabilidade bruta e do imposto de renda incidente:

tR = t x (1 – tIR) = 0,1003 x (1 – 0,175) = 0,0827475 = 8,27%.