Como escolher seu sistema de gerenciamento de conteúdo

O Sistema de Gerenciamento de Conteúdo (do inglês Content Management System – CMS) surgiu no final da década de 1990 para melhorar a gestão do conteúdo dos websites. Ele permite criar, editar, gerenciar e publicar conteúdo de forma organizada e com facilidade por colaboradores cadastrados no sistema. Os principais CMS disponíveis são de código aberto e gratuitos, assim como muitas de suas ferramentas necessárias ao seu funcionamento.

Diante da variedade de CMS disponíveis, é necessário escolher qual deles terá maior aderência ao seu projeto. O texto “Um estudo sobre os sistemas de gerenciamento de conteúdo de código aberto“, de Chagas et al (2008), lista critérios para serem verificados, mas a finalidade de cada projeto e os conhecimentos técnicos dos envolvidos também pesa bastante.

  • Usabilidade

Diz respeito à facilidade com que o usuário do CMS pode usar uma determinada função com um objetivo. Esse usuário pode ser o administrador do sistema (backend), o responsável pela interação com o usuário (frontend) ou o publicador de conteúdo.

A existência de um editor do tipo WYSIWYG (acrônimo da expressão em inglês “What You See Is What You Get”) permite a criação/edição de conteúdo formatado, sem a necessidade de conhecimento técnico em HTML/CSS para edição de marcação e estilo. A existência de um sistema de versionamento do conteúdo (guardar versões antigas do texto como um backup contra alterações indesejadas) também é um recurso interessante.

É comum a existência de um painel de controle, acessível por login com senha, para fazer a administração e/ou edição de conteúdo. Essa interface geralmente é em inglês, mas pode ser em português conforme o CMS. Algumas funcionalidade podem ser acrescentadas (o que é conhecido como extensibilidade), o que permite uma flexibilidade maior de sua utilização.

  • Disponibilidade

Refere-se ao fornecimento do sistema para o usuário. Isso envolve as formas de armazenamento de dados (banco de dados, arquivos de texto, etc) e a estratégia de backups, assim como utilização de recursos de máquina (processamento, memória, espaço em disco) e o rastreamento de visitas do website (saber de onde e quando veio a visita, por exemplo). Pode ser interessante que o CMS tenha portabilidade, ou seja, não tenha restrições quanto ao sistema operacional.

  • Segurança

Envolve a capacidade de operação sem ameaçar o funcionamento normal do sistema. Validação do login dos usuários envolvidos na administração e geração de conteúdo no sistema e acesso aos arquivos com registros de acessos e erros (logs) são pontos importantes.

  • Suporte

Caso aconteça algum problema, para buscar formas de implementar uma nova funcionalidade ou mesmo melhorar uma função, a quem pode-se recorrer? Os desenvolvedores da plataforma costumam ter fóruns para a comunidade de usuários apresentar essas questões e todos participarem da discussão. Quanto maior a comunidade, mais atividade e mais fóruns existirão. Algumas empresas também possuem pessoal qualificado para lidar diretamente com essas questões – geralmente esse é um serviço pago.

Principais sistemas de gerenciamento de conteúdo

Existem CMS cujo serviço não precisa da contratação direta de um serviço de hospedagem, como o Blogger e o wordpress.com. São plataformas de simples uso, mas que geralmente são limitados em uma série de funções e de estilo, começando pela questão de domínio (URL) do site. Pensando em sistemas que sejam hospedáveis (você pode baixar os códigos e instalar em qualquer serviço de hospedagem), aqui vai uma lista dos sistemas mais usados desse tipo no mundo (e mais alguns outros interessantes), com suas principais características. Alguns serviços de hospedagem oferecem os programas básicos necessários já instalados e procedimentos que facilitam o trabalho de instalação de algumas das plataformas.

Existem plataformas opensource (código aberto) e de software livre, que permitem uma grande comunidade atuante para atualizar o sistema e aperfeiçoá-lo, ou também uma empresa responsável por essas funções. Desse modo, são mantidos responsivos para PCs, celulares e tablets, além de extensões para atuar com o SEO (Search Engine Optimization, ou otimização de site, que visa aumentar a qualidade operacional e aumentar o número de visitantes), segurança, entre outras.

1. WordPress

Escrito em PHP com banco de dados MySQL, voltado principalmente para a criação de sites e blogs. Lançado em 2003, foi criado a partir do já desaparecido b2/cafelog (do qual saiu outro CMS, o B2evolution). Após uma série de ataques em 2011, o WordPress tem melhorado em termos de segurança e as últimas versões tem relatos mínimos de vulnerabilidades.

Ao logar em seu sistema, o usuário dispõe de um painel de controle para administração do sistema e também para publicação (em páginas fixas ou posts), conforme as suas permissões. Possui uma grande comunidade ativa, suporte multilíngue, muitos plugins gratuitos (alguns com funções extras nas versões pagas), e templates para modificar o visual do site de uma maneira rápida e fácil. Tudo isso fica disponível no site comunitário WordPress.org, que também abriga o download do aplicativo, a documentação (chamada de Codex), o Fórum de Suporte e o blog oficial.

Veja dicas sobre WordPress e os slides de um curso gratuito de WordPress clicando nos respectivos links.

2. Joomla!

Criado em 2005 como uma ramificação do projeto Mambo (outro CMS, surgido em 2000), gratuito e de código aberto, distribuído para cópia sob a licença GNU/GPL. Possui mais funcionalidades em sua instalação padrão que o WordPress. Dentre elas, estão o Managing Content (possibilita a publicação de conteúdos usando editor WYSIWYG), criação de Banners publicitários, publicação de feeds no formato RSS e a criação de pesquisas de opinião. Possui instalação em diferentes idiomas, comunidade ativa e milhares de extensões (algumas delas pagas).

3. Drupal

O Drupal surgiu em 2000 e é distribuído sob a licença GNU/GPL. Desenvolvido na linguagem PHP, é compatível com os bancos de dados MySQL e PostgreSQL, podendo ser instalado em qualquer sistema operacional. Ele funciona com base em vários módulos que podem ser plugados entre si para colocar uma página e seu conteúdo no ar. Dentre esses módulos, estão o Blog (possibilita aos usuários registrados manterem um blog), Forum (possibilita criar grupos de discussão), o Locale (possibilita apresentar o website em diferentes idiomas), etc. Requer um conhecimento considerável de programação para suas personalizações, mas conta com uma grande comunidade ativa.

4. Magento

Plataforma de e-commerce de código aberto, mas que também pode funcionar para gerenciar um portal online comum. Desenvolvida na linguagem PHP desde 2007, necessita de bons conhecimentos de programação para suas personalizações. As extensões podem ser gratuitas ou pagas, e os templates variados mudam o visual do site conforme o gosto do desenvolvedor.

5. Radiant

Software livre baseado em Ruby, é altamente indicado para projetos menores. Usa uma linguagem própria para a criação de templates, algo bastante semelhante ao HTML, e oferece uma boa quantidade de extensões e layouts. É possível usar MySQL, PostgreSQL ou SQLite – depende, como todo aplicativo Ruby on Rails, dos adaptadores instalados para o banco de dados.

6. Django

Framework desenvolvido em Python gratuito e de código aberto. Necessita de conhecimento nessa linguagem para sua instalação e manutenção/personalização, no entanto existem tutoriais bem amigáveis para quem já conhece python e gostaria de usá-lo em um projeto web.

7. Media Wiki

O MediaWiki é um pacote de software wiki de código aberto desenvolvido por PHP, inicialmente construído para uso na Wikipédia. Agora é usado por vários outros projetos da Fundação Wikimedia sem fins lucrativos e por muitos outros wikis. O software livre está disponível sob a licença da GPL. Ele é executado em uma arquitetura LAMP (Linux, Apache, MySQL, PHP).

Ele é muito útil para documentação de empresas, já que vários usuários podem atualizar, modificar e editar páginas simultaneamente. Tem poucos recursos e o visual é o mesmo da Wikipedia. Possui uma sintaxe própria entre o HTML e o WYSIWYG, conforme pode ser visto no item wiki da Wikipedia.