Star Terk – The Cloud Miners

A série clássica de Star Trek (Jornada nas Estrelas) possui um interessante chamado “The Cloud Miners” (título traduzido como “Os guardiões das nuvens”, S03E21), onde o capitão da nave USS Enterprise (NCC-1701), James Kirk, e seu primeiro oficial, Spock, são pegos por uma revolução em um planeta em que intelectuais e artistas vivem em uma cidade utópica no céu.

Stratos, a cidade nas nuvens de Star Trek
Stratos, a cidade nas nuvens de Star Trek

A ideia de viver nas nuvens tem uma aura mística. Muitas vezes, acaba servindo de alegoria ao desenvolvimento humano a um novo patamar, próximo aos deuses. Existem histórias assim desde o início da humanidade. O cinema está cheio de cidades nas nuvens – veja mais no post Atmosferas de Star Wars e no vídeo Leve-me para uma ilha no céu, do canal EntrePlanos.

O roteiro de filmagem de “The Cloud Minders” é atribuído a Margaret Armen, Oliver Crawford e David Gerrold. No entanto, a história original do episódio veio de Gerrold, baseada em sua história de 40 páginas, “Castles in the Sky”. Algumas alterações foram feitas para a história do episódio que foi ao ar pela primeira vez em 1969.

Em sua obra original, Gerrold imagina um planeta, Aronis, onde a porção abastada da população, os Skymen, vive em idílicas cidades flutuantes. Os Ballakies, um grupo menos abastado de trabalhadores manuais, vive em condições adversas na superfície do planeta. Eles extraem cristais de dilítio para os Skymen, que são as fontes de energia responsáveis por manter a cidade do céu flutuando.

A Federação mantém um relacionamento com Aronis para o fornecimento dos cristais tão necessários. Mas quando as remessas param misteriosamente, a Enterprise é enviada para lá para investigar. No episódio que foi ao ar, a nave da Federação chega ao planeta Ardana para embarcar em uma remessa de zenita, necessária em outro lugar para deter uma praga botânica, e a população da superfície é chamada de troglyte.

Em ambas as versões, a tripulação descobre que o planeta está dividido em duas classes sociais bem distintas: uma que vive ligado ao trabalho na mineração e que gera a riqueza para que outro grupo viva com luxo nas nuvens. Um grupo de dissidentes do grupo oprimido vive um período revolucionário, tentando mudar sua realidade. Interessante que, no roteiro original, o líder rebelde é chamado Gue’ve’che.

Enquanto a história original joga a culpa da miséria da classe trabalhadora no descaso da classe dominante após a automatização da mineração, o roteiro que foi ao ar (sem automatização) insere a existência de um gás invisível e inodoro que emana da mineração, que diminui a capacidade mental e aumenta as emoções.

Tanto em uma versão quanto em outra, existe a necessidade no tortuoso convencimento da classe dominante em atender ao chamado da classe oprimida por uma vida mais digna. Isso é feito enviando forçadamente os líderes ao habitat dos mineradores – seja para convencimento das péssimas condições, seja para provar que o gás realmente gera malefícios à quem o respira. No final, todos entram em acordo – ou você esperava um final diferente?

Seria possível construir uma cidade nas nuvens? O retorno constante à superfície para busca de suprimentos e abrigo forçariam a estruturas cada vez maiores buscando auto-suficiência. No entanto, o gasto energético e condições adversas no tempo (tempestades, ventos fortes, etc) são fatos que atrapalham qualquer tentativa de ficar muito tempo flutuando na atmosfera. Quem sabe algum dia as condições de vida em superfície forcem o ser humano a buscar novas implementações tecnológicas para conquistar de vez esse outro ambiente.

Navegando a cerca de 50 quilômetros de Vênus, é possível ter condições bastantes similares à da Terra, com pressão semelhante e gravidade um pouco inferior. A temperatura chega a 75°C, o que não é agradável, mas gerenciável. A proteção atmosférica da radiação solar seria comparável a viver no Canadá. A posição da cidade seria fixa, mas a exploração seria possível por meio de um dirigível cheio de hélio de 130 metros de comprimento, acompanhado de um mecanismo robótico de 31 metros. Mil metros de painéis solares permitiriam a captação de energia solar utilizada pela nave.

Curiosidade: Atualmente, o termo “cloud mining” está associado ao mecanismo para minerar uma criptomoeda, como o bitcoin, usando o poder de computação em nuvem alugado, ou seja, sem ter que instalar e executar diretamente o hardware e software relacionado. Os mineradores de nuvem tornam-se participantes de um pool de mineração, onde os usuários adquirem uma certa quantidade de “poder de hash”. Cada participante ganha uma parte dos lucros na proporção da quantidade de potência de hashing alugada.

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