Neblina e fumaça contribuem com acidentes nas estradas

Por volta das 22h30 de domingo (2 de agosto de 2020) houve um engavetamento envolvendo 22 veículos na BR-277, em São José dos Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba), no sentido litoral do Paraná. Oito pessoas morreram e pelo menos 23 ficaram feridas, segundo os bombeiros e a Polícia Rodoviária Federal.

Acidente na BR-277 de 2 de agosto de 2020. Fonte: PRF/Reprodução
Acidente na BR-277 de 2 de agosto de 2020. Fonte: PRF/Reprodução

Conforme os socorristas, tudo começou com um primeiro acidente envolvendo alguns carros, sem gravidade. Uma carreta vinha atrás e tentou desviar dos veículos, mas acabou atropelando quatro ocupantes dos carros que estavam aguardando na lateral da pista. Depois disso, os outros veículos envolvidos também colidiram atrás, num total de 16 carros, 5 motos e 1 caminhão.

“Eu estava vindo bem tranquilo, de repente entrou em uma nuvem e eu fui tentando encostar o carro para não bater em alguém e nisso fui ouvindo as batidas, em seguida, gente gritando. Eu desci do carro e me deparei com várias vítimas no asfalto”

Relato de Dirceu Duarte, motorista que passava no local no momento do engavetamento

Outras testemunhas no local afirmaram que havia baixa visibilidade na região, devido a focos de queimada na proximidade da estrada. Além da escuridão da noite, outros fenômenos meteorológicos intensificaram a redução da visibilidade, impedindo que os veículos vissem os outros a uma distância segura para a frenagem.

Fumaça

O Paraná, assim como boa parte do Sul, Sudeste e Centro_Oeste do Brasil, estão no período de inverno, onde é comum a redução de chuvas nos meses de julho e agosto. Devido ao posicionamento do jato subtropical, as frentes frias não avançam para boa parte dessas regiões e a estiagem continua cada vez mais intensa.

Com o tempo e a vegetação cada vez mais secos, qualquer bituca de cigarro na beira de rodovia pode ser o início de um incêndio descontrolado. Isso é muito comum nas estradas brasileiras nessa época do ano. Além disso, existem aquelas para “limpeza” de terreno, em regiões rurais próximas de estradas. Assim, a fumaça acaba sendo levada pelo vento para cima dos carros. Reduzindo a visibilidade, isso aumenta a chance de ocorrerem acidentes.

O período da noite é ainda mais crítico, não só pela ausência da iluminação natural. É que durante o dia, o Sol aquece a superfície terrestre e o ar quente fica mais próximo ao solo, resfriando conforme a altura aumenta. Isso é uma situação de atmosfera instável, pois a tendência natural é que o ar frio, mais denso, desça, e o ar quente, mais leve, suba. A noite, a atmosfera é estável, pois o ar mais frio fica embaixo e a movimentação vertical das parcelas de ar é inibida – fenômeno esse conhecido como inversão térmica.

Com a atmosfera estável do período noturno, a poluição gerada pelas queimadas tende a ficar junto ao solo por mais tempo. Além de não dissipar, a fumaça ainda fica cada vez mais concentrada, reduzindo ainda mais a visibilidade e em uma área cada vez maior. Por isso, em muitos lugares é proibida a queimada controlada de terrenos no período noturno.

Nevoeiro

O acidente aconteceu no km 77 (perto da Avenida Rui Barbosa), na região de várzea do Rio Iguaçu. Durante a noite, o ar mais frio tende a descer para regiões mais baixas. As várzeas de rios, além de serem mais baixas que o entrono, possuem umidade maior deivdo aos corpos d’água.

Região do acidente de 3 de agosto de 2020. Fonte: OpenStreetMap
Região do acidente de 3 de agosto de 2020. Fonte: OpenStreetMap

Quanto maior a disponibilidade de vapor d’água e menor a temperatura, maior a umidade relativa do ar. Quando o ar fica saturado de água no estado gasoso, essas moléculas agrupam-se ao redor de partículas sólidas presentes no ar e formam gotículas de nuvem ou de nevoeiro, quando próximas da superfície.

Além do aumento da umidade relativa, se o número de partículas sólidas suspensas no ar for maior, isso pode promover um amento na quantidade de gotículas de nevoeiro. Conforme visto, existia fumaça na região, o que contribuiu para o aumento da intensidade e da região atingida pelo nevoeiro.

Assim, o horário noturno, a região de várzea, a umidade do rio, a estiagem climática e as queimadas contribuíram para a formação de fumaça e nevoeiro nessa região da rodovia, promovendo a redução de visibilidade e contribuindo para a ocorrência desse lamentável acidente.

O que posso fazer para viajar mais seguro?

Não atire objetos na estrada, principalmente se puderem promover um princípio de incêndio. Ao perceber uma região de visibilidade reduzida, reduza sua velocidade de condução também. Sempre dirija com prudência e evite freadas bruscas. Ligue o pisca-alerta para ampliar o alcance de visualização dos outros motoristas de que algo está errado. Foco na direção, e não no acidente em si.

De acordo com o Coronel Prestes, que participou do atendimento às vítimas, os atendimentos de incêndio florestal aumentaram 78% em relação ao ano passado. Ainda completou dizendo que, se não houver uma cooperação, podem acontecer outras problemas nas rodovias.

Fontes

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