Micrometeoritos

Os asteroides são corpos celestes com cerca de 1 quilômetro de diâmetro e que raramente caem na Terra. Os de menor tamanho são chamados de meteoroides e caem constantemente na Terra. Ao entrar na atmosfera terrestre, esses pedaços de rocha a alta velocidade (até 260 mil km/h) atritam com as moléculas de ar a ponto de queimar (atingem até 1500ºC) e emitir luz, fenômeno esse conhecido como meteoro (então meteoro é o nome dado ao fenômeno luminoso em si) ou popularmente chamado de estrela cadente. Caso chegue alguma coisa até a superfície, recebe o nome de meteorito.

A maioria das partículas que vêm do espaço queima na atmosfera, deixando para trás uma névoa de minúsculas partículas (fumaça meteórica) suspensas a cerca de 70 a 100 quilômetros acima da superfície da Terra. A poeira cósmica é, em sua maioria, sobras de 4,6 bilhões de anos do processo de acreção na formação do sistema solar, que o planeta capta ao passar por caudas de cometa e resquícios de quebra de cinturão de asteroides.

As estimativas variam muito quanto à poeira cósmica na Terra, variando de 0,4 a 110 toneladas por dia. Estudos mostraram que a poeira cósmica pode contribuir para a formação de nuvens na alta atmosfera e pode fertilizar o crescimento do plâncton na Antártida. Veja mais na matéria do Eos.

Micrometeoritos em meio à partículas terrestres (essa imagem corresponde a 3 mm na realidade). Fonte: This and that

Um micrometeorito geralmente pesa menos de um grama, pode ter tamanho entre um grão de areia ou até um grão de feijão e é composto por rocha e metais, como o ferro. Costumam ter como origem os cometas ou asteroides agrupados no cinturão de Kuiper, que fica entre Marte e Júpiter. Várias toneladas caem todos os dias na Terra, então existe uma boa chance de conseguir encontrá-los até mesmo no quintal de sua casa!

Como coletar micrometeoritos?

Praticamente quase todos meteoritos são atraídos por ímã, por serem principalmente metálicos (mas não são magnéticos). Então, o primeiro passo é conseguir um bom ímã. Mas precisa ser um ímã bem forte (lembrei do Gugu Gaiteiro e seu “cepo de madeira beeem duro” =P), como o imã de neodímio. Você pode encontrá-los em papelarias ou mesmo retirado-o do interior de um HD velho de computador – esqueça ímãs de geladeira, são muito fracos.

O ímã vai atrair as pequenas amostras de meteorito, mas para que não fiquem grudadas direto no ímã, crie uma barreira usando um saco “ziplock”, ou algo do tipo. Essa barreira ao redor do imã deve ficar justa, porque se o plástico se distanciar muito do imã, as amostras vão se soltar. Assim, segure o ímã e envolva o saquinho plástico ao contrário envolta do ímã e da mão. Depois da coleta, desvire o saco, soltando do ímã e mantendo o material coletado dentro do saco – faça sobre um recipiente, para o caso de cair enquanto estiver fazendo a manobra.

Onde procurar micrometeoritos?

Você pode simplesmente arrastar o ímã com o plástico sobre uma superfície que costuma ficar exposta ao ar livre: rua, praia, laje, etc. Também pode colocar um pano na saída da calha e esperar uma chuva (de água mesmo, não precisa ser chuva de meteoros). Ao chover, toda a extensão do telhado será varrida pela água, e passará pelo pano. Assim que acabar a chuva, e o pano secar, passe o imã pelos fragmentos encontrados lá. Se usar um balde em vez do pano, você precisará despejar a água coletada lentamente, mantendo as amostras depositadas no fundo para serem posteriormente secas e analisadas.

A possibilidade de ter mais resultados é maior se você coletar a água da primeira chuva após um evento de chuva de meteoros. Como neles há um número maior destes corpos celestes atravessando a atmosfera terrestre, a quantidade de material deixada também será maior. Estes eventos se repetem todos os anos, e para saber as datas das próximas chuvas de meteoros, viste o site do Centro de Divulgação da Astronomia da USP de São Carlos, clicando em “efemérides” e então “chuva de meteoros”.

Será que minha amostra contém micrometeoritos?

Deve-se analisar a forma de cada elemento coletado para identificar se é só sujeira terrestre ou um micrometeorito. Para isso, pode-se fazer uso de uma lupa ou mesmo de um microscópio. Existem muitos minérios e pedras terrestres que são atraídas por ímã, como o basalto, que é uma rocha terrestre preta e pesada que é atraída por ímã. Além disso, restos de metal e outros elementos serão coletados pelo ímã.

Se o objeto analisado for pontudo, não é micrometeoritos. Os micrometeoritos verdadeiros têm aparência arredondada, e geralmente com formatos esféricos. Não são completamente lisos e polidos, sendo possível identificar pequenos sulcos – e não buraquinhos, como uma esponja.

Os meteoritos metálicos são escuros apenas por fora, com uma fina película chamada de crosta de fusão (formada durante a entrada na atmosfera terrestre), e por dentro apresentam cor de aço. Devido a sua dimensão, talvez não seja possível identificar o interior de um micrometeorito.

Por fim, guarde as amostras confirmadas em saquinhos com fecho, com data e local de coleta anotados, para ir montando sua coleção.

Minha experiência

Em uma das tentativas, fiz a coleta de material em uma vasilha na ponta do cano de uma calha após uma chuva torrencial na Vila Mariana (São Paulo/SP). O ímã pegou muita coisa, e muita terra grudada nas partículas. Depois de uma “limpeza”, o material foi analisado no microscópio. Infelizmente, as partículas eram muito irregulares e quase planas, constituindo-se muito provavelmente de lascas de ferro da própria calha, telhado ou levado pelo vento.

Em outra tentativa, passei o ímã com plástico diretamente sobre a areia da praia da Enseada (Guarujá/SP). Uma vantagem foi o material já seco, bem mais fácil de lidar. Infelizmente, o que mais tinham eram pedras de origem terrestre (nada próximas de esferas e acinzentadas). Haviam algumas pedrinhas que, de tão pequenas, era difícil analisar seu formato mesmo no microscópio. Alguns deles estavam com cores diferentes do preto, sendo provavelmente resultado de queima de fogos de artifício.

Concluo que é preciso muita paciência, bons olhos e uma dose de sorte para encontrar micrometeoritos.

Fontes