Chuva de meteoritos no sertão de Pernambuco

Na manhã de 19 de agosto de 2020, meteoritos caíram em várias cidades do sertão pernambucano. O foco das ocorrências foi no município de Santa Filomena, a 719 km de Recife. A população local, inicialmente preocupada com a destruição e desconhecimento do que veio do espaço, acabou encontrando dinheiro com o comércio do que caiu do céu.

Meteorito que caiu no sertão de Pernambuco. Foto: Edmar Santos/Arquivo Pessoal
Meteorito que caiu no sertão de Pernambuco. Foto: Edmar Santos/Arquivo Pessoal

Nomenclatura

Meteoroides são fragmentos de materiais que vagueiam pelo espaço, com dimensões significativamente menores que um asteroide (pequeno corpo rochoso com órbita definida ao redor do Sol) e significativamente maiores que a poeira interestelar (partículas e gás contido no espaço entre as estrelas). Eles derivam de corpos celestes, como cometas, asteroides, restos de planetas desintegrados e até fragmentos da criação do sistema solar.

Ao entrar em contato com a atmosfera de um planeta, um meteoroide entra em atrito com as moléculas de ar, aquecendo e pegando fogo. Esse fenômeno luminoso associado à queda do meteoroide é chamado de meteoro (do grego “elevado no ar”), também popularmente conhecido como estrela cadente. Isso acaba consumindo boa parte do meteoroide, ou até completamente.

Quando o meteoroide atingem a superfície da Terra, é denominado meteorito. Eles pode ser um aerolito (rochoso), siderito (metálico) ou siderolito (metálico-rochoso). Por ter uma grande quantidade de ferro em sua composição, é atraído por ímãs – veja mais no post sobre micrometeoritos.

Para os fãs do seriado mexicano Chapolin Colorado, há um episódio que trata de uma chuva de aerolitos. Todos chamam os corpos celestes de pedras, contrariando o cientista, interpretado por Ramón Valdez, que repete durante todo o episódio: “Não são pedras, são aerolitos!”.

Sobre a pronunciação, a etimologia pede que seja uma proparoxítona (aerólito), que é a pronúncia oficialmente adotada no Brasil, mas a tendência é ceder ao uso popular como paroxítona (aerolito).

Chuva de aerolitos em Pernambuco

Uma chuva de meteoritos por vezes é previsível por astrônomos. Costumam ser apreciadas no período noturno, principalmente quando a taxa de meteoros por hora for alta. No entanto, existem quedas que de tão brilhantes podem ser observadas durante o dia, que foi o caso dessa chuva de aerolitos. Apesar de ser um fenômeno comum, a queda de meteoritos em áreas urbanas acontece em uma frequência bem menor.

Um morador de Santa Filomena/PE gravou um vídeo após a queda do meteorito que atingiu a casa de sua irmã: “na explosão, dá para ver o buraco que ficou [na telha da casa]. Estava quente, pegando fogo mesmo, vermelho”, enquanto mostra o corpo celeste negro em sua mão. Apesar dos problemas relacionados com a queda em si, um meteorito não é radioativo nem venenoso, não trazendo qualquer risco à população.

Outro morador estava em casa quando viu o céu se encher de fumaça e o WhatsApp lotar de mensagens dizendo que tinha chovido pedra. Quando saiu para a rua, achou no meio da praça da Igreja Matriz (centro da cidade) uma pedrinha de 7 cm e 164 gramas. Ele disse que o valor estava chegando a 40 reais o grama.

Os primeiros cientistas a chegarem ao município foram quatro pesquisadoras da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), lideradas pela curadora do Setor de Meteoritos do Museu Nacional da UFRJ, Maria Elizabeth Zucolotto. Com fins de pesquisa e museológicos, tiveram que disputar o comércio que já se formava com “caçadores” estrangeiros. A pesquisadora estima que, até este sábado, entre 100 a 200 fragmentos do meteorito foram encontrados em Santa Filomena.

Munidos de facões e ímãs, os moradores saem à busca dos meteoritos para venda. O grupo de pesquisadores conseguiu adquirir um exemplar de 14 gramas por 300 reais, mas estava negociando a compra de outro, com 2,8 kg, por 18 mil reais. Uma peça de 38,2 kg recebeu a proposta de 120 mil reais de um americano.

Meteorito com quase 40 kg que caiu no sertão pernambucano. Foto: Flávio Filo
Meteorito com quase 40 kg que caiu no sertão pernambucano. Foto: Flávio Filo

Os pesquisadores dizem que os meteoritos são do tipo condrito, ou seja, são dos primeiros minerais que se formaram no Sistema Solar, antes mesmo da Terra. Seu estudo permite compreender melhor sobre a dinâmica dos meteoros: quando eles caem na Terra, as possibilidades de novos impactos, a dinâmica de queda, o que influencia na queda.

Não existe uma legislação específica no Brasil que determine a posse de um meteorito ou que regulamente o seu comércio. Em Santa Filomena, os meteoritos que caíram em locais públicos, como a Praça da Matriz, ficaram com quem achou primeiro. Os que foram achados perto de casas ficaram com seus proprietários.

Fontes

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