Jalapão

O Jalapão é Bruto! Sua natureza preservada, formada de cerrado, dunas e nascentes, faz do Jalapão a principal região turística do Tocantins. Além disso, o bruto está relacionado com a vida local, pois o local é bem quente e seco, muitas estradas mal sinalizadas de terra e areia (fofas na seca, lamacentas na estação chuvosa), sinal de celular somente no centro das pequenas cidades, poucas pousadas. A amplitude térmica pode chegar a 15°C, ou seja, durante a tarde pode fazer 30°C mas a temperatura pode chegar a 15°C antes do Sol nascer.

O nome Jalapão vem do consumo da Jalapa (Mandevilla illustris) pelos boiadeiros, que passavam pelas pastagens nativas da região com seus rebanhos. Sua raiz é usada como depurativo embebido em cachaça, consumida em jalapa (dose normal) ou jalapão (dose dupla).

A região engloba um mosaico de unidades de conservação, estações ecológicas, parques e áreas de proteção ambiental, incluindo estados vizinhos. O parque estadual do Jalapão está concentrada no município de Mateiros, fazendo divisa com os municípios de São Félix do Tocantins, Ponte Alta do Tocantins e Novo Acordo. Boa parte das atrações abertas para visita estão em propriedades particulares no arredores, em áreas de proteção ambiental.

O lugar começou a ficar mais conhecido graças ao Rally dos Sertões, que já nos anos 200 passava pela região, e pela novela da Globo “O Outro Lado do Paraíso” (2017-2018). Com a chegada de uma empresa de turismo pioneira, os roteiros começaram a ser montados para permitir que o visitante conhecesse as principais atrações em poucos dias. Veja um exemplo no mapa a seguir (fonte: Wikiloc):

Dunas

O solo da região é muito arenoso, o que está ligado ao forte o intemperismo: desgaste das rochas, no caso devido principalmente ao calor intenso, frio a noite e ao vento forte nos descampados. Boa parte da areia que forma as dunas no interior do Parque vem da Serra do Espírito Santo. O veio de areia que vem do alto da Serra pode ser visto das dunas (por baixo) ou de uma trilha de 3 km sobre a própria Serra, após uma subida íngreme e pedregosa de 800 m.

Dunas, Serra do Espírito Santo e Morro do Saca Trapo. Foto: ViniRoger

Algumas formações geológicas, como o Morro do Saca Trapo e a própria Serra do Espírito Santo, possuem camadas de arenito ricas em óxido de ferro, apresentando um tom avermelhado.

Vista da Serra do Espírito Santo a partir da trilha, com Canela de Ema em primeiro plano. Foto: ViniRoger

É muito comum o acesso às dunas próximo do fechamento do Parque (às 18h) para observação do pôr do Sol, enquanto que é comum também fazer a subida da Serra do Espírito Santo de madrugada para apreciar o nascer do Sol na outra direção – veja o caminho com mais detalhes:

A entrada da base das dunas fica em um ponto da estrada de terra que liga Ponte Alta a Mateiros, próxima à Serra do Espírito Santo. Como a estrada interna é de areia, é obrigatório entrar com carros que tenham tração 4×4. Já a base para início da trilha na Serra fica relativamente próximo (sentido Mateiros) e não precisa de acesso tracionado (mas é bom ter).

Fervedouros

Os fervedouros são nascentes de rios em que a água brota com tanta força que levanta a areia próxima do fundo dos corpos d’água formados pelas nascentes. O solo arenoso também contribui para que a água das chuvas infiltre diretamente para o lençol freático, alimentando as várias nascentes da região.

Conforme a força que a água gera para cima, ela pode criar um volume menos denso de areia, onde o corpo tende a afundar. Ou seja, uma corrente de convecção traz consigo a areia do fundo, fina como talco, criando um fundo falso. A nascente também pode lançar a areia um pouco mais para cima do fundo, dando a impressão de que o fundo arenoso está borbulhando/fervendo. Justamente por causa dessa força para cima que é impossível afundar, apesar do solo pouco denso permitir a imersão do corpo e outros objetos até certo ponto. Esse fenômeno é conhecido como ressurgência.

As águas dos fervedouros são muito transparentes em razão dos baixíssimos teores de argila e silte, sendo que foi filtrada ao penetrar no solo poroso da região antes de atingir o lençol freático. A água também é um pouco aquecida devido à pressão que a água é submetida no lençol freático. É comum o plantio de bananeiras ao redor para ajudar a preservar a nascente.

Existem dezenas de fervedouros na região, mas somente alguns deles que estão em terrenos particulares e que possuem licença ambiental específica podem ser visitados. Atualmente (2019) é comum cobrarem uma taxa por volta de 20 reais e fixar o tempo de permanência em 15 ou 20 minutos, conforme o fluxo de visitantes. Todos eles estão localizados em acessos ao longo da TO-110, estrada que liga Mateiros a São Félix (lista a partir de Mateiros):

  • Buriti – possui uma pequena cabana de madeira na entrada
  • Rio Sono – é mais quadrado e uma plataforma de madeira ajuda a acessar a água sem pisar na vegetação que colore a margem de verde
  • Do Salto
  • Do Ceiça – primeiro a ser descoberto, também conhecido como “das bananeiras”
  • Encontro das Águas – o mais forte do Jalapão; tem capacidade para apenas 4 pessoa por vez
  • Buritizinho – água extremamente azul e transparente, tem formato de gota e é um pouco mais profundo que os outros; o local também oferece um trecho bem calmo do Rio Formiga, onde é possível tomar banho
  • Das Macaúbas – um dos mais recente
  • Por Encanto – outro recente, ainda um pouco “bruto”
  • Bela Vista – o maior de todos, com 15 metros de diâmetro e 35 metros de profundidade, fica próximo a uma pista de pouso/decolagem e foi cenário da novela “O outro lado do Paraíso”; possui um deck elevado de madeira para observação
  • Do Alecrim – com acesso via deck de madeira em um túnel de bananeiras, tem águas esverdeadas
  • Da Korubo – aberto apenas a quem está acampando com a Agência Korubo (pioneira da região)

Em épocas de alta temporada, como feriados, é comum esperar horas para poder mergulhar em um deles. A desorganização pode fazer você perder seu lugar na “fila”, então fique em cima dos organizadores o tempo todo. Visando a preservação, não se deve pisar na borda do poço e nem usar repelente e protetor solar no mergulho.

Outras atrações

O capim dourado (Syngonanthus nitens Ruhland) é uma espécie de sempre-viva cuja principal característica é a cor que lembra a do ouro e brilho devido ao alumínio em sua composição. Só pode ser colhido entre 20 de Setembro e 20 de Novembro para que não entre em extinção. O artesanato de capim dourado chegou ao Jalapão em meados de 1920 pelas mãos de índios Xerente. A arte foi aprendida por moradores da comunidade quilombola da Mumbuca.

No Parque Estadual do Jalapão, está a Cachoeira da Velha, de onde é possível visitá-la por uma passarela suspensa de madeira. Também pode-se banhar nas águas do rio Novo em uma praia de água doce mais abaixo. A entrada do Parque fica na sede de uma antiga fazenda que pertenceu ao esquema de refino de cocaína do traficante Pablo Escobar.

Cachoeira da Velha. Foto: ViniRoger

A oeste da TO-110, existe a Cachoeira do Formiga, onde é possível banhar-se nas águas transparentes do rio Formiga. Devido a sua extensão, ainda não existe limite de visitantes. Depois de passar por São Felix (sentido Novo Acordo), estão a Cachoeira da Arara, a Serra da Catedral e outras atrações.

Ao sul, existe a Estação Ecológica Serra Geral do Tocantins. Por ali, estão o Cânion do Sussuapara, a Pedra Furada, a Cachoeira do Rio Soninho, a Cachoeira da Fumaça, o Lago do Japonês, o Cânion encantado, dentre outras atrações.

Existem várias empresas de turismo que montaram roteiros para visitar as atrações turísticas em diversos dias. Para quem não tem experiência em trilhas com carros 4×4 nem conhece a região, o melhor a fazer é contratar um bom guia. Deixo aqui a indicação do guia credenciado Maurício e o WhatsApp dele: (63) 99252-4362.

Palmas

O nome do estado do tocantins é uma referência ao rio Tocantins, que corta o estado de sul ao norte. Por sua vez, o nome do rio é uma referência à tribo indígena que habitava a região na época da chegada dos primeiros colonizadores portugueses. A palavra é um termo oriundo do tupi antigo, onde significa “bicos de tucanos”. Em 1988, o norte do estado de Goiás foi emancipado, passando a se chamar Tocantins, com sua instalação definitiva ocorrendo em 1º de janeiro de 1989, fazendo parte da Região Norte do Brasil.

Para quem vem de outro estado, Palmas geralmente é passagem obrigatória. A capital do Tocantins foi fundada em 20 de maio de 1989 pelo governador José Wilson Siqueira Campos e é uma cidade planejada. Somente a partir do dia 1° de janeiro de 1990 é que Palmas passou a ser a capital definitiva do estado, já que antes a cidade ainda não possuía condições físicas de sediar o governo estadual. Antes, ele estava alocado temporariamente no município vizinho de Miracema do Tocantins.

Em 1989, as terras da Serra do Carmo e a leste do povoado de Canela foram desapropriadas e, no dia 20 de maio de 1989, foi lançada a pedra fundamental da cidade, numa solenidade que reuniu cerca de dez mil pessoas na Praça dos Girassóis. Lá também está o Centro Geodésico do Brasil: ponto central entre os extremos do nosso país (norte-sul, leste-oeste). É representado por uma rosa dos ventos na entrada do Palácio Araguaia, sede do poder executivo estadual. Para dar maior destaque ao monumento, foi criada a Roda dos Ventos em tamanho maior, do lado de fora.

O trecho do rio Tocantins que banha o município faz parte do lago formado pela Usina Hidrelétrica de Lajeado (construída entre 1998-2002), que fica localizada a pouco mais de 54 km ao norte da cidade. Nele, está a Ilha Canela, onde é possível fazer a visitação partindo de barco da marina de Palmas e que possui um restaurante.