Invasão da Normandia e a importância da Meteorologia

O Desembarque da Normandia representa a maior operação militar combinada em toda a História-Militar e foi definida pelo Primeiro-Ministro Britânico Winston Churchill como “a mais difícil e complicada operação de todos os tempos”. O seu sucesso está diretamente relacionado a mais relevante contribuição da previsão de tempo no Processo do Planejamento Militar (PPM)

Invasão da Normandia

A equipe de meteorologistas, chefiada pelo Coronel James Martin Stagg, foi decisiva para a escolha da manhã do dia 6 de junho de 1944, como Dia-D da “Operação Overlord”, pelo Comandante Supremo da Força Expedicionária Aliada durante a Segunda Guerra Mundial, o General americano Dwight Eisenhower, mesmo que muitos membros do Estado-Maior, sugerissem pela escolha do dia 5 de junho como Dia-D.

As análises meteorológicas feitas com modelos de Previsão Numérica do Tempo (PNT) mostraram posteriormente que o dia 6 de junho de 1944 foi provavelmente o único dia do mês que tal operação militar poderia ser realizada. A situação sinótica apresentada nos primeiros dias de junho de 1944 foi algo realmente peculiar. Nos dias 4 e 5 de junho foi observado um tempo extremamente severo no Canal da Mancha, devido a ação de um sistema frontal associado a uma família de três ciclones em deslocamento no Atlântico Norte. O Serviço Meteorológico Alemão sugeriu então o relaxamento da condição de prontidão na Frente Ocidental, não considerando melhora nas condições de tempo e esta possibilidade do inimigo. Porém, os meteorologistas aliados observaram no dia 4, que o ciclone mais a leste começava a ser alcançado pelo segundo ciclone da família, formando um único e possibilitando a desaceleração e a mudança da inclinação do sistema frontal e uma “janela” de tempo, de cerca de 36 horas, favorável para a realização do desembarque.

É bem provável, que caso a sugestão de Stagg não fosse aceita pelo Supremo Comando Aliado, a “Operação Overlord” teria sido um grande fracasso e, possivelmente, a Segunda Guerra Mundial não teria terminado em 1945.

Outro conflito na Segunda Guerra Mundial que a Meteorologia teve um grande peso foi a Batalha de Stalingrado. Essa operação militar conduzida pelos alemães e seus aliados contra as forças russas pela posse da cidade de Stalingrado (atual Volgogrado), às margens do rio Volga, na antiga União Soviética. A batalha foi o ponto de virada da guerra na frente oriental, marcando o limite da expansão alemã no território soviético, a partir de onde o Exército Vermelho empurraria as forças alemãs até Berlim, e é considerada a maior e mais sangrenta batalha de toda a História, causando a morte e ferimentos em cerca de dois milhões de soldados e civis.

Em 22 de junho de 1941, a Alemanha e os seus aliados do Eixo invadiram a União Soviética, na chamada Operação Barbarossa, avançando rapidamente para dentro de território soviético. Sofrendo derrota após derrota no verão e no inverno de 1941, as forças soviéticas contra-atacaram em larga escala próximo à capital do país, na chamada Batalha de Moscou, iniciada a 5 de dezembro de 1941. Os alemães, exaustos, com problemas de reposição logística (a maioria das divisões Panzer estava com a maior parte de seus carros de combate inoperantes) e ainda, com as tropas mal equipadas para a guerra no inverno e com linhas de suprimentos muito longínquas, acabaram sendo afastados das portas da cidade.

Fontes: palestra de Walid Maia Pinto Silva e Seba (IAG-USP, 27/04/2012) e Wikipedia.

Clique no link para ver um vídeo do Nerdtour na região da Normandia.

Estação meteorológica nazista no Ártico

Em 2016, foi descoberta uma base construída em 1942 pela Alemanha na Terra de Alexandra (controlada pela Rússia), ilha localizada no Oceano Ártico cujo codinome era Schatzgräber (“Caçador de Tesouro”). Foram encontrados restos de um aeródromo temporário, que foi construído em julho de 1944 para que um avião de reconhecimento de longo alcance se instalasse na ilha e possivelmente evacuar a estação.

Nessa base, havia uma estação meteorológica para fornecer informações do tempo a navios e submarinos alemães que atuavam por volta de apenas mil quilômetro do polo norte. O grande obstáculo deles na Rússia era o clima adverso, com temperaturas que atingiam até -40ºC. Tendo uma análise detalhada das condições climáticas do país com antecedência, Hitler conseguia planejar os ataques com maior eficiência e poupar vidas dos soldados com as baixas temperaturas. Durante os dois anos de funcionamento, a estação meteorológica auxiliou secretamente as forças nazistas na invasão do território russo.

A base foi destruída com a retomada russa do território e também pelo clima extremo, sobrando poucas peças de artilharia, restos de uniformes e anotações do tempo da época. Veja mais no Meteorópole – Restos de estação meteorológica nazista encontrados no Ártico.

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