Geração Prateada que vale Ouro

por Maria Auxiliadora Roggério

Anciãos sábios e influentes ou velhos inúteis, estorvos para as famílias e comunidades, “peso morto” para a sociedade. Assim é a visão histórica e etarista sobre as pessoas idosas ao longo do tempo. O preconceito se manifesta principalmente no ambiente familiar, na saúde e no mercado de trabalho, através de atitudes discriminatórias que reforçam a ideia de incapacidade física e/ou mental ou de incompetência para realizações profissionais e inadequação ou insuficiência para atividades cotidianas, apenas por estar com a “idade avançada”.

Imagem gerada por IA
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Há algumas décadas, porém, com avanços tecnológicos e maior desenvolvimento científico, sobretudo na área da saúde, a expectativa de vida cresceu e o número de pessoas longevas também, obrigando o poder público e a sociedade em geral a direcionar um novo olhar à população de 60 anos de idade ou mais, a chamada geração prateada – em alusão aos cabelos grisalhos das pessoas idosas.

Devido às mudanças profissionais e condições financeiras que ocorrem nessa fase da vida, como aposentadoria ou mudança de carreira, por exemplo, além das alterações nas relações sociais e na área da saúde, novos comportamentos surgem, exigindo esforços da sociedade para compreensão e adaptação a essa nova dinâmica populacional.

Focados nessa que é considerada uma força emergente, setores da Economia avaliam o impacto dos consumidores da geração prateada e buscam desenvolver negócios, com atividades econômicas direcionadas às demandas, necessidades e preferências dos mais velhos, em especial da população com mais de sessenta anos de idade. Esse conjunto de atividades é chamado de economia prateada: produtos e serviços adquiridos pela população com 50 anos ou mais de idade e a soma das atividades econômicas geradas em consequência desses consumos amplificados pelo aumento da expectativa de vida.

Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a população de 60 anos de idade ou mais cresceu 39,8% entre 2012 e 2021. Em 2025 correspondiam a 35,3 milhões de indivíduos idosos, representando 16,6% da população do país e, em 2029, projeções indicam que a população idosa será maior do que a de crianças e adolescentes de até 14 anos de idade. Em 2024, uma a cada quatro pessoas idosas (24,4%) estava inserida no mercado de trabalho (formal ou informal).

A economia do país é fortemente impulsionada pelo consumo das pessoas na faixa compreendida entre os 50 e 79 anos, movimentando mensalmente cerca de R$ 89 bilhões, o que corresponde a 20% de toda a renda do trabalho no país.

O estudo Brasil Prateado, sobre a economia prateada no Brasil realizado por Data8, apresenta pesquisas e tendências sobre a longevidade da população brasileira (disponível em https://data8.com.br acessado em 07/07/2026):

  • os brasileiros com 50 anos de idade e mais representarão 40% da população total no país, até 2044;
  • a economia prateada em 2024 registrou R$ 1,8 trilhão do consumo privado total e, em 2044, saltará para R$ 3,8 trilhões (35% do consumo domiciliar privado no país);
  • em 2024, a geração prateada representava 35% do consumo de produtos e serviços na área da saúde (pública e privada) e, em 2034, a previsão é que responderão por 43% nesse setor, compreendendo gastos com planos de saúde, consultas médicas, odontológicas, medicamentos, suplementos, cirurgias e mais.

O censo 2022 do IBGE aponta que o país reúne cerca de 54 milhões de pessoas acima dos 50 anos.

No mercado da longevidade a pessoa idosa dispõe de renda previsível e garante a demanda em setores como serviços e comércio. E a permanência dessa população no mercado de trabalho modifica positivamente a economia prateada.

Essa população não pode mais ser relegada e considerada como empecilho para o avanço social e obstáculo para o crescimento econômico, já que a economia prateada é naturalmente uma consequência atrelada a novos comportamentos e padrões de consumo que surgiram em decorrência do aumento da longevidade das pessoas, as quais buscam qualidade de vida, experiências e autonomia, independência na maturidade, promovendo oportunidades econômicas em setores relacionados à saúde e bem-estar, à tecnologia, turismo e lazer, alimentação, cultura, habitação adaptada, mobilidade e acessibilidade urbanas, educação continuada, consumo de bens, de imóveis, serviços financeiros, entre outros.

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