O Edifício Conde Matarazzo, também conhecido como Palácio do Anhangabaú, é um dos marcos arquitetônicos e históricos mais emblemáticos de São Paulo. Construído entre 1937 e 1939 para sediar as Indústrias Reunidas Fábricas Matarazzo (IRFM), foi projetado pelo Escritório Ramos de Azevedo, Severo & Villares, com alterações do arquiteto italiano Marcello Piacentini a pedido de Francisco Matarazzo Júnior. Sua arquitetura segue o estilo neoclássico simplificado, típico da Itália fascista dos anos 1930, com linhas sóbrias, monumentalidade e referências à simbologia do Império Romano. O prédio possui 14 andares (sem o 13º, por superstição da época e apresenta apenas uma passagem de altura reduzida para o último andar) e 46 metros de altura.

A família Matarazzo tem origem no então Reino da Itália, mais especificamente em Castellabate, na província de Salerno, de onde Francesco Antonio Maria Matarazzo emigrou para o Brasil no final do século XIX – e de onde adquiriu o título de Conde. Instalado em São Paulo, ele fundou as IRFM, que se tornariam o maior conglomerado industrial da América Latina em seu tempo, abrangendo setores como alimentos, têxteis, químicos e metalurgia. As IRFM chegaram a empregar mais de 30 mil pessoas e seu faturamento rivalizava com o orçamento de estados brasileiros, contribuindo decisivamente para a industrialização e o fortalecimento do mercado consumidor paulista. O político Eduardo Matarazzo Suplicy, que foi casado com Marta Suplicy e é pai do cantor Supla, pertence ao ramo ítalo-brasileiro da família Matarazzo e é bisneto do conde Francesco Matarazzo, pois é filho de Filomena Matarazzo (neta do conde) e de Paulo Cochrane Suplicy.
Após permanecer dois anos sob posse do Grupo Audi, o prédio foi adquirido pelo Banco Banespa, funcionando como agência entre 1974 e 2003. Nessa época, ficou popularmente conhecido como “Banespinha”, diferenciando do icônico Edifício Altino Arantes, também do Banespa. Mediante acordo feito com o Banespa, o edifício foi cedido à prefeitura como parte da negociação da divida de R$ 885 milhões que a extinta CMTC (Companhia Municipal de Transportes Coletivos) tinha com esse banco, até então proprietário do prédio.
Antes de se tornar sede da Prefeitura de São Paulo, em 25 de janeiro de 2004, a administração municipal ocupou outros endereços importantes. Entre eles, o Edifício Alexandre Mackenzie (atual Shopping Light), o Palácio das Indústrias no Parque Dom Pedro II e o Edifício Martinelli, todos no centro histórico. A mudança para o Matarazzo marcou um retorno simbólico ao coração administrativo e político da cidade, no Vale do Anhangabaú, ao lado do Viaduto do Chá.

No topo do Edifício Matarazzo encontra-se um dos seus maiores encantos: o jardim suspenso, criado na década de 1960. Com mais de 400 espécies de plantas, árvores de médio porte e um lago com carpas, o espaço oferece um refúgio verde no meio da paisagem urbana. Além de sua função estética e ambiental, o jardim proporciona uma vista privilegiada para pontos icônicos como o Theatro Municipal, o Vale do Anhangabaú e o centro histórico, tornando-se um dos miradouros mais especiais da capital.

É possível realizar uma visita monitorada no edifício através do projeto da Prefeitura de São Paulo chamado Vai de Roteiro.
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