Estação terrena de satélites da Embratel

Entre os morros da pequena cidade de Morungaba, no interior paulista, existe uma estação terrena de satélites da Embratel. Desativada desde 2003 com o avanço dos cabos de fibra óptica, é visível da estrada e chama muita atenção de quem passa, parecendo uma mistura de filme de ficção científica e mundo pós-apocalíptico.

Estação terrena de satélites da Embratel em Morungaba/SP. Foto: ViniRoger
Estação terrena de satélites da Embratel em Morungaba/SP. Foto: ViniRoger

Uma estação terrena atua na superfície terrestre (ou dentro dos limites da atmosfera) nas telecomunicações extraplanetárias com espaçonaves ou para a recepção de ondas de rádio que partam de origem astronômica. Costumam transmitir e receber ondas de rádio nas bandas de super alta frequência (SHF) ou frequência extremamente alta (EHF). Existem estações especializadas em telecomunicações com satélites, primordialmente com satélites de comunicação.

Embratel

A Embratel (nascida Empresa Brasileira de Telecomunicações) foi criada em 1965 como empresa de economia mista de controle estatal. Tornou-se braço de longa distância do sistema Telebrás, criado em 1972. Foi privatizada em 1998 e pertenceu a empresas dos EUA e México até 2015, quando foi incorporada sob a empresa “Claro S.A.”, assim deixando de existir antigos e distintos CNPJ.

Em 2000, foi criada a Star One, uma subsidiária da antiga Embratel na área de operação e administração de satélites. Ela possui a maior frota da América Latina, com nove satélites. Opera seis satélites geoestacionários (C1, C2, C3, C4, C12 e D1), além de três em órbita inclinada (Brasilsat B2, B3 e B4). Está programado para a empresa lançar o Star One D2 no ano de 2020. A capacidade destes satélites suporta uma ampla gama de serviços para clientes dos segmentos de telefonia, TV, dados e redes corporativas no Brasil e ainda permite ampliar a oferta desses serviços para os países da América Latina. Atualmente, é uma subsidiária da Claro.

Entrada da estação terrena de satélites da Embratel em Morungaba/SP. Foto: ViniRoger
Entrada da estação terrena de satélites da Embratel em Morungaba/SP. Foto: ViniRoger

A Embratel construiu a primeira a captar sinais de satélite para a transmissão e recepção de TV em longas distâncias em 1968. É a Estação Terrena de Tanguá, localizada no município de mesmo nome, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Nos anos seguintes, foi responsável pela transmissão em tempo real da chegada do homem à Lua e dos jogos da Copa do Mundo de 1970. Atualmente, Tanguá opera como sistema alternativo ao centro de controle de satélites da Embratel, que está localizado em Guaratiba (RJ). O Teleporto de Guaratiba, um dos maiores parques de antenas da América Latina.

Estação terrena de Morungaba

Até então, toda saída e entrada de dados eram feitos pela primeira estação da Embratel. No entanto, São Paulo era o principal gerador de tráfego internacional do país e necessitava de um teleporto mais próximo.

Em 1985, o pessoal técnico adquiriu um terreno em Morungaba (após cogitar-se o litoral sul, próximo a Mongaguá) para instalar uma nova estação terrena. O imóvel tinha uma grande plantação de eucaliptos e estava em um local protegido de interferências eletromagnéticas pelas montanhas. O acesso a partir da cidade, com paralelepípedos, foi construído pela Embratel.

A estação, inaugurada em 1986, é composta de 4 antenas, sendo 2 de aproximadamente 30 metros de diâmetro, e 2 de aproximadamente 10 metros. As antenas maiores eram dos sistema Intelsat, que contava com uma sala lotada de monitores exclusivos do sistema. Suas antenas se auto ajustavam para maximizar o ganho, mudando sua posição no decorrer do dia. As antenas menores eram dos sistema Brasilsat B2 e B3, satélites artificiais brasileiros, que também foram instaladas em outras EBT´s – inclusive Tanguá.

Pouco tempo após o início de suas operações, a estação chegou a ficar responsável por aproximadamente 40% do tráfego de todo país. Às 18h, os enormes geradores à diesel, que ficavam na lateral da estação, davam partida e mantinham a estação até às 21h, quando o risco de queda elétrica era bem menor.

Em dezembro de 2003, a estação encerrou suas atividades. Com a popularização dos cabos de fibra óptica submarina, eles foram se tornando alternativas mais rápidas e confiáveis para transmissão de sinais em longas distâncias. Enquanto isso, os sistemas de satélites sofriam altos custos operacionais e condições adversas de tempo, como ruído solar da cintilação ionosférica, sem contar o delay (atraso), típico de uma transmissão via satélite. Assim, as transmissões de Tv e dados nacionais foram transferidas para São Paulo e as transmissões internacionais para o Rio de Janeiro.

Foi feito um vídeo com drone sobre as antenas, disponível no link – a região da ponte sobre o rio Jaguari é muito bonita. Segue uma matéria realizada pela EPTV Campinas sobre a estação, já desativada:

Morungaba

A Estância Climática de Morungaba é um dos municípios que pertencem à região de Campinas/SP. Na região do Ribeirão dos Mansos, surgiram as primeiras casas na época em que a lavoura cafeeira crescia no estado, formando um núcleo ao redor de uma capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição. Fundada em meados do século XIX com o nome de Conceição de Barra Mansa, mudou para a denominação atual em 1919 e emancipou-se no período entre 1964 e 1965.

Um dos cartões postais da estância de Morungaba é o famoso “Túnel de Bambu” na Rodovia das Estâncias, que conta com iluminação noturna colorida. Além do turismo rural, a cidade conta com o Parque Ecológico Pedro Mineiro, situado a aproximadamente 800 metros de distância do centro da cidade. Localizado nos contrafortes da serra de Cabras, possui mananciais próprios, áreas de mata nativa, uma série de quedas d’água e relevo propício a caminhadas. Da entrada do parque é possível ter uma visão panorâmica da cidade.

Na estrada do Capricórnio, já no município de Campinas, estão o Observatório Municipal Jean Nicolini e o Parque Pico das Cabras, logo em frente. São dois lugares de divulgação da astronomia, sendo que o segundo conta com exposição e planetário, além de sessões de observação do céu noturno.

Fontes