De olho no tráfego aéreo

Uma grande quantidade de aeronaves cruzam os céus a todo instante no mundo todo. Para ter uma ideia, foi realizado um vídeo mostrando a movimentação de todas as aeronaves voando no mundo ao longo de um dia (vídeo abaixo). Note que a parte mais clara que avança ao longo do globo representa o dia e os aviões são representados por pontos amarelos. A maior parte dos voos ocorre durante o dia e nos EUA e Europa. Devido à projeção do mapa, os pontos amarelos mais próximos dos pólos parecem se mover mais rapidamente, mas esses aviões se movem basicamente na mesma velocidade que os outros.

E que tal acompanhar a trajetória do voo de algum familiar em tempo real, através da internet, e conseguir muitas informações sobre o avião que está passando sobre a sua casa agora? Isso é possível através do site Flight Radar. O “Flightradar24.com” permite o acompanhamento do tráfego de aviões em tempo real no mundo inteiro. Foi lançado em 2007, mas somente em 2009 passou a funcionar em rede, permitindo obter dados de qualquer avião que possuir um equipamento com ADS-B, que é o caso da maioria dos aviões comerciais.

Tela do site Flight Radar 24 com destaque para o voo AZU6962
Tela do site Flight Radar 24 com destaque para o voo AZU6962 (clique na imagem para vê-la maior)

Para visualizar o deslocamento de um voo, escolha uma aeronave no mapa. Ao passar o mouse sobre ela, aparece o número do voo e a empresa. Se clicar nesta aeronave, abrirá um menu do lado esquerdo da tela com os detalhes do voo (empresa, origem, destino, escala ou conexão, altitude, velocidade, etc.) e o trajeto. No exemplo da imagem acima, temos o voo da Azul 6962, do Rio de Janeiro com destino a Viracopos, altitude de 5.750 pés, rumo 029°, velocidade de 219 kt e velocidade vertical de – 1152 pés/min (ou seja, já estava pousando). Também é possível ver o fabricante e modelo, é um Embraer 190-200 (prefixo PR-AXT).

Com a base do Google Maps como plano de fundo, é possível verificar posições das aeronaves em seus deslocamentos, acompanhando ao vivo qualquer voo em deslocamento desde que a aeronave disponha do transponder ADS-B. O site também permite, desde que tenha um aparelho receptor de ADS-B, que você seja um voluntário, transmitindo as informações do seu receptor para a central do Flightradar e, assim, essas informações serão, em tempo real, transferidas e disponibilizadas aos usuários.

Tecnologia ADS-B

A tecnologia de vigilância de transmissão automática (ADS-B) é um sistema que permite que os pilotos obtenham a maioria das atualizações do tempo e do terreno ou outras informações. Uma das funções, o ADS-B Mode-S, realiza a transmissão regular (aproximadamente uma vez em cada segundo) dos dados de localização GPS (latitude, longitude, altitude), bem como a velocidade (incluindo a velocidade vertical), o “endereço” único da aeronave e o número do voo através do canal 1090 MHz. Os dados da aeronave transmitidos incluem também o código de resposta, em que o tempo pode servir para passar informação codificada (em caso de emergência, o valor é ajustado para 7700, em caso de desvio – 7500).

Como são enviados através de um canal não criptografado, pode ser acessado por qualquer pessoa com um pouco de habilidade em rádio através de uma antena com gama 1090 MHz e um receptor de rádio simples. Os sinais ADS-B podem ser recebidos a 150 milhas da posição da aeronave. Os dados de milhares de receptores em todo o planeta são transmitidos para os servidores da Flightradar24 em tempo real.

Identificação dos voos

Os números dos voos das companhias aéreas devem seguir algumas regras impostas pelas agências reguladoras de cada país (no caso do Brasil, da ANAC). Eles são precedidos pela sigla oficial da companhia, composta de dois caracteres (letras e/ou números), determinada pela IATA (associação internacional que regulamenta o setor aéreo).

A numeração de cada voo deve ser composta por quatro números: voos nacionais devem ser escolhidos dentro de uma faixa que vai de 1000 a 6999 e de 7000 a 8999 para voos internacionais. Cada companhia aérea recebe um determinado intervalo entre esses números e é a partir dele que deve determinar as combinações – a Anac recomenda que voos de ida tenham sempre final par e voos de volta sejam com final ímpar.

Veja a tabela com siglas das companhia aéreas e as respectivas faixas de numeração reservadas para cada uma:

Empresa Voos nacionais Voos internacionais
Avianca (O6) 6000 – 6399 8500 – 8599
Azul (AD) 2400 – 2999, 4000 – 4499, 4900 – 5499, 5700 – 5799, 6900 – 6999 8700 – 8799
Gol (G3) 1000 – 2199, 4800 – 4899, 5300 – 5499, 5600 – 5699, 5800 – 5899, 6600 – 6899 7400 – 8599
Latam (JJ) 3000 – 3999, 4600 – 4799 8000 – 8299

Fontes: ANAC e Blog Todos a bordo.

Identificação de aeronaves

As marcas da aeronave identificam individualmente uma aeronave civil, de modo similar ao que faz uma placa de automóvel. O controle desses códigos é realizado pela ICAO (sigla em inglês para Organização da Aviação Civil Internacional), uma das 17 agências da Organização das Nações Unidos (ONU), como a OMS e a UNESCO. A identificação de uma aeronave de asa fixa deve aparecer em cima e em baixo das asas e nas laterais da fuselagem. Já o helicópteros levam a marca na carenagem do eixo de rotor de cauda ou na seção dianteira, geralmente próximo ao motor ou na tampa do bagageiro. Todas as letras devem ser maiúsculas, no formato romano e sem ornamentações.

São formadas pela marca de nacionalidade (prefixo) e marca de matrícula (sufixo), separadas por um hífen. O prefixo de nacionalidade pode ser composto por uma ou duas letras, uma letra ou um número, ou ainda uma letra e um número combinados. Já a marca de matrícula, pode ser composta por três letras ou três números, ou também letras e números misturados.

Os prefixos que identificam aeronaves privadas e comerciais do Brasil são “PT”, “PR”, “PP”, “PS” e “PU”. Já as matrículas são formadas apenas por letras. Nos Estados Unidos, França, Reino Unido e China, devido ao tamanho das frotas de aeronaves, foi preciso criar um sistema especial, com mais possibilidades de combinações de letras e números. Veja as siglas e os respectivos países na tabela do link.

Forças armadas têm sua própria maneira de identificar suas aeronaves. No Brasil, os aviões e helicópteros da Força Aérea utilizam o prefixo “FAB”. As aeronaves da Marinha do Brasil, por sua vez, apresentam sempre o prefixo “N”, enquanto os helicópteros do Exército utilizam a sigla EB. Clique no link para mais classificações na designação de aeronaves na Força Aérea Brasileira.

Fonte: Airway – Entenda o significado das “placas” dos aviões

Aviação militar

Em alguns casos, uma mesma aeronave pode ser chamada pela designação dada pelo fabricante, pelo força área do país de origem ou pela Força Aérea Brasileira. No último caso, temos alguns exemplos abaixo:

  • A – avião de ataque
  • C – avião de transporte
  • F – avião de caça (combate, interceptação, superioridade aérea)
  • H – helicóptero
  • K – avião de reabastecimento aéreo
  • L – avião de ligação e observação
  • P – avião de patrulha
  • R – avião de reconhecimento, alerta antecipado, sensoriamento remoto, levantamento aerofotogramétrico
  • S – avião de busca-e-salvamento
  • T – avião de treinamento
  • U – avião de emprego geral (utilitário)
  • Z – planador

Para aviões de funções múltiplas ou diferenciadas, podem ser usadas composições de duas das letras acima. Por exemplo, o avião DC-3 recebe a designação militar C-47 quando convertido para transporte, enquanto que o Lockheed Shooting Star recebe o nome AT-33 quando para ataque e treinamento.

A matrícula de cada aeronave é formada por quatro números.

Fonte: Wikipedia.