Companhia Nacional de Navegação Aérea

A Companhia Nacional de Navegação Aérea (CNNA) foi a primeira fábrica de aviões no Brasil. Destinada ao transporte de carga e passageiros e à fabricação de aviões, foi fundada em 1935 por Henrique Lage. Em 1933, sob a supervisão de Guedes Muniz, foi construído um planador denominada Avia, empregando madeira e outros componentes nacionais.

O escritório de projetos da Companhia funciona na Ponta do Caju e as oficinas na Ilha do Viana, ocupando uma área construída de 400 metros quadrados. O primeiro modelo de avião produzido pela fábrica é o M-7, projetado por Muniz e que compõe a série de aparelhos que levam o nome do projetista. Destinado ao treinamento primário de pilotos, o protótipo do aparelho é construído no Parque Central de Aeronáutica (Campo dos Afonsos) e os aparelhos seguintes produzidos na Ilha do Viana, tornando-se o primeiro avião fabricado em série no Brasil.

Muniz M-7 no Museu Aeroespacial. Foto: ViniRoger
Muniz M-7 no Museu Aeroespacial. Foto: ViniRoger

De 1936, quando se iniciou a produção industrial dos aparelhos, até 1941, foram fabricados 26 Muniz M7, sendo que oito para uso militar e 18 destinados à formação de pilotos civis nos aeroclubes. Em 1937, estava pronto o protótipo do M9, homologado no ano seguinte. Cinco M9 foram exportados, sendo dois para a Argentina, dois para o Paraguai, um para o Uruguai e outros 20 foram encomendados pela Aviação Militar. A Segunda série de M9 contou com os motores norte-americanos Ranger.

O último avião projetado por Guedes Muniz foi o aparelho de treinamento denominado M11. Foi construído no Serviço Técnico da Aeronáutica, sediado no Campo dos Afonsos. Em 1940, já encerrada a produção do M7 e da primeira série do M9, a CNNA dedicou-se ao projeto de outra aeronave leve, para o treinamento primário de pilotos civis em aeroclubes. O projeto era uma cópia do modelo norte-americano Piper Club e foi batizado HL-1, dando início à série de aviões que levariam as iniciais do empresário carioca.

HL-1

A estrutura do HL-1 era de madeira e tubos de aço coberta com tela, tudo nacional – as hélices eram fabricadas pelo IPT, em São Paulo. O motor era norte-americano da marca Continental, de 65 cavalos de força. O aparelho levava dois passageiros e destinava-se ao mercado dos aeroclubes.

Getúlio Vargas fixara a meta de formar três mil pilotos civis, que se constituiriam na reserva da Força Aérea. O quadro de guerra motivava a criação da Campanha Nacional de Aviação pelo ministro da Aeronáutica Salgado Filho em 1941, com o objetivo de angariar recursos para a comprar de aeronaves leves para os aeroclubes. O jornalista Assis Chateaubriand liderou a campanha.

Com o crescimento das encomendas a fábrica de aviões se amplia, chegando no final de 1939 a ocupar 4.320 m² na Ilha do Vianna. Este crescimento faz com que Lage prepare a Ilha do Engenho para a montagem definitiva da fábrica e para a instalação de um aeródromo, propiciando a formação de pilotos civis.

Entre 1940 e 1941, foram construídos oito aparelhos denominados HL-1 A. Monoplano de dois lugares, possuía um motor Continental 4 cilindros, horizontal, 4 tempos, potência de 65 CV, 2300 RPM. No mesmo ano, a Diretoria de Aeronáutica Civil encomendou 100 aeronaves, que foram denominados HL-1 B e diferiam da primeira série por contarem com um tanque de combustível menor, com capacidade para 50 litros de combustível. Outros exemplares ainda foram exportados para a Argentina, Chile e Uruguai e vendidas a particulares.

Avião HL-1 exposto no Museu Eduardo Matarazzo. Foto: ViniRoger
Avião HL-1 exposto no Museu Eduardo Matarazzo. Foto: ViniRoger

O exemplar da foto (PP-TVX) foi fabricado em 1942 pela Companhia Nacional de Navegação Aérea na Ilha do Engenho – Rio de Janeiro. Foi distribuído pelo DAC para o Aeroclube de Catanduva em 1942, sendo posteriormente doado para o Museu Eduardo Matarazzo.

HL-6

A foto seguinte é de um HL-6B Cauré, destinado ao treinamento primário de pilotos. Voou pela primeira vez em 1943, sendo produzidas em série 39 unidades, até 1947. Foi doado ao Laboratório de Máquinas Térmicas da UFPR pelo aeroclube do Paraná no fim da década de 1960. Em 1986, houve um pedido do MUSAL para trocar o avião por um Motor Ranger em funcionamento e um Pratt & Whitney Twin Wasp em corte (fonte: Laboratório de Máquinas Térmicas da UFPR).

HL-6B no Museu Aeroespacial. Foto: ViniRoger
HL-6B no Museu Aeroespacial. Foto: ViniRoger

Ainda vieram 14 projetos da série HL, sendo que alguns foram construídos (com variantes) e outros nem saíram do papel.

Fairchild PT-19

Em 1942, tinha início a montagem de 232 aparelhos Fairchild PT-19 na Fábrica do Galeão, projetados nos Estados Unidos, que ganharam a designação brasileira 3FG, ou seja: terceiro modelo da Fábrica do Galeão. A produção foi até novembro de 1943. Posteriormente, a FAB recebeu mais 170 aeronaves para treinamento, vindas dos Estados Unidos – veja mais sobre a epopeia da viagens desses aviões até o Campo dos Afonsos (Brasil) no link.

O Fairchild PT-19 Cornell era um monomotor para treinamento primário, contemporâneo do biplano Boeing Stearman. Com estrutura de madeira, tinham cockpits abertos e pequena autonomia, além de estarem desprovidos de rádios e de instrumentos de navegação adequados para longas viagens. Foram utilizados pela Força Aérea Brasileira na formação de pilotos militares de 1942 a 1960, quando foram transferidos para a aviação civil.

Fairchild PT-19 exposto no Museu Eduardo Matarazzo. Foto: ViniRoger
Fairchild PT-19 exposto no Museu Eduardo Matarazzo. Foto: ViniRoger

O exemplar da foto (PP-GAY) foi doado pelo Ministério da Aeronáutica em 1975 para o atual Museu Eduardo Matarazzo.

A Fairchild era uma empresa norte-americana de fabricação de aeronaves. Foi fundada por Sherman Fairchild em 1924 como Fairchild Aviation Corporation, com sede em Farmingdale, New York. Produziu diferentes modelos civis e militares de pequeno porte. Foi um grande subcontratado da Boeing para produzir seções da fuselagem e painéis laterais do B-52 nos anos 1950 e de superfícies de controle dos Boeing 747 e 757 nos anos 1980.

A produção de aeronaves terminou em Hagerstown, Maryland, em 1984. Em 1999, a já então Fairchild Aerospace Corporation foi adquirida pela seguradora alemã Allianz A.G. e o grupo de investimento Clayton, Dubilier & Rice Inc. dos Estados Unidos. Em 2003, os ativos da Fairchild foram comprados pela M7 Aerospace e a nova empresa foi transferida para San Antonio. Em 2010, a M7 foi comprada pela subsidiária norte-americana da empresa de defesa israelense Elbit Systems.

Fim da CNNA

Com o fim da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos dispunham de grandes quantidades de aeronaves e doaram essas sobras de guerra ou venderam os aviões a preços simbólicos. Esse fato impediu o crescimento das indústrias aeronáuticas nascentes que existiam no Brasil. Até então, o Brasil contava com indústrias nascentes em três estados: no Rio de Janeiro, a própria CNNA, a Fábrica do Galeão (exclusivamente militar) e a Fábrica Nacional de Motores; em São Paulo a Companhia Nacional Aeronáutica Paulista, e em Minas Gerais a Fábrica de Lagoa Santa (exclusivamente militar).

Em 1948, a empresa interrompia a sua produção pela falta total de encomendas, fechando suas portas. Em seus 12 anos de existência, a empresa produzira 66 aviões Muniz, sendo 26 modelos M7 e 40 modelos M9, além de 123 aparelho HL-1 e 45 HL-6, totalizando 234 aeronaves.

Em 1945 voavam no país cerca de 800 aviões civis e 1.500 aeronaves militares. Somente com a criação do ITA, em 1950, foi retomado um passo essencial para o desenvolvimento da tecnologia aeronáutica no Brasil.

Aviação Naval

Empenhado em dotar a Marinha do Brasil com hidroaviões, o Almirante Alexandrino Faria de Alencar teve a iniciativa de adquirir, já em 1916, três aviões Curtiss modelo F. O local escolhido foi a Carreira Tamandaré, do antigo Arsenal de Marinha, no Rio de Janeiro/RJ. No mesmo ano, ali iniciou-se a implantação da Escola de Aviação Naval. No local onde se localizava a Carreira Tamandaré, hoje existe um marco, colocado em comemoração ao centenário da Aviação Naval.

Fontes