Parque das Neblinas

No alto da Serra do Mar, entre Bertioga e Mogi das Cruzes, está o Parque das Neblinas. Com 6 mil hectares (contando com a unidade de conservação), desempenha importante papel na conservação da bacia do rio Itatinga (com 14 nascentes do Alto Tietê) e do maior contínuo de Mata Atlântica do País, o Parque Estadual da Serra do Mar. Nele, são desenvolvidas atividades de pesquisa científica, educação socioambiental, visitação, manejo florestal e relacionamento comunitário. Além disso, possui uma Unidade de Conservação reconhecida pela Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo.

Cachoeira do Sertão: próximo à ligação entre as trilhas da cachoeira e Lava pés. Foto: ViniRoger

A proximidade com o oceano e o acentuado relevo da Serra do Mar promovem o acúmulo de vapor d’água junto da superfície, gerando nevoeiros (popularmente chamados de neblinas). Apesar de acontecerem durante todo o ano, os meses de maio e junho são os mais comuns de apresentarem o fenômeno, preferencialmente durante a madrugada e de manhã cedo. Isso acontece por causa do resfriamento radiativo intenso que existe nesses horários e nessa época do ano, e a consequente queda de temperatura gera um aumento súbito na umidade relativa do ar, atuando também na formação da neblina.

História

No início da colonização, o local ficava próxima a um percurso usado para o abastecimento de sal da região, conhecido hoje como a rota turística “Caminho do Sal”. Ele começou a se formar volta de 1640, ligando a atual Rodovia Caminho do Mar (na estrada de Mogi das Cruzes), Paranapiacaba (Estrada de Taquaruçu) e Vargem Grande (já em Mogi, na SP 102), em Taiaçupeba. Mapas do Caminho do Sal podem ser vistos no Wikiloc e no site da Prefeitura de São Bernardo do Campo.

Ponte construída na década de 1970, primeiro com madeira e pedras da região, sobreposta com concreto décadas depois. Foto: ViniRoger

Entre os anos 1940 e 1960, boa parte das árvores da região foram cortadas para uso como carvão na indústria siderúrgica. Posteriormente, veio o cultivo de eucalipto para a produção de papel e celulose. Com essa finalidade, a empresa Suzano Papel e Celulose comprou a área em 1966. Com o passar dos anos, ela começou a implementar um manejo ambiental. Em 1999, foi fundado o Instituto Ecofuturo, para criar e gerir uma área de reserva ambiental. Em 2004, foi inaugurado oficialmente o Parque das Neblinas.

Trilhas

O parque possui seis trilhas autoguiadas (ou seja, não há necessidade de monitor). Veja um pouco sobre cada uma delas, na ordem sugerida de visitação a partir do centro de visitantes, passando uma sequência de pontes suspensas:

Rio Itatinga visto da trilha do brejo, com a trilha da cachoeira ao fundo. Foto: ViniRoger
  • Trilha do brejo (360 m) – paralela ao caminho entre o estacionamento e o centro de visitantes, mas segue junto ao rio e termina em uma ponte
  • Trilha do Inox (590 m) – começa na ponte e termina na estrada de terra
  • Trilha da cachoeira (990 m) – começa na ponte e termina na cachoeira, onde é permitido banho na parte superio às corredeiras
  • Trilha Lava pés (650 m) – começa atravessando-se o rio (água na altura do tornozelo, não chega ao joelho) e termina no centro de visitantes
  • Trilha das Antas (1950 m) – começa no estacionamento e segue bem próxima ao rio até uma passarela suspensa sobre o rio, ligando a trilha à estrada de terra
  • Trilha da bike (4700 m) – começa no estacionamento e segue por antigas estradas de terra até a cachoeira da Pedra Riscada

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Uma das trilhas monitoradas é a trilha do mirante (11 km, mapa abaixo), que vai até uma represa no rio Itatinga. Próximo, existe um mirante de onde se observa Bertioga e o mar. As águas do rio descem até a Vila de Itatinga, na baixada. Também é possível fazer outras atividades, como canoagem contemplativa, cicloturismo e camping.

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Visitação

Seu acesso se dá pelo distrito de Taiaçupeba (Mogi das Cruzes) através da Rodovia Prof. Francisco Ribeiro Nogueira (SP 102). O parque fica no final dessa estrada, 8 km depois da área urbana de Capela do Ribeirão (sede do distrito), em Sertão dos Freires – o lugar chama-se Fazenda Pedra Branca.

Ao terminar a estrada, existe uma porteira e o caminho se abre em uma clareira. Pegando-se a primeira saída à esquerda, já é possível avistar a casa amarela da administração, onde o visitante é recebido. Continuando-se o caminho de terra à esquerda por mais 4 km, passa-se em frente ao centro de visitante, e seguindo por mais 300 metros, o estacionamento. Esse segundo trecho está marcado no início do caminho marcado no mapa da trilha do mirante.

Conforme o horário de chegada, os visitantes são recebidos em uma bela construção com fogão a lenha, café, bolinhos de chuva e suco de Cambuci. No prédio abaixo, está o centro de visitantes, onde é servido café da manhã e almoço (pagos a parte). Boa parte das refeições é feita de produtos da região, que é produtora de hortaliças e leguminosas, além de frutos e folhas nativos, como o fruto da Jussara, taioba e cambuci.

As visitas devem ser agendadas previamente por e-mail ou telefone. Mais informações no site do Parque das Neblinas.