Memes clássicos

A palavra meme vem do grego “mimema”, que significa “imitação, algo imitado. Na internet, meme é uma informação, geralmente transmitida através de imagem, áudio ou vídeo, relacionada ao humor e que é copiada ou imitada na rede, por meio das redes sociais, fóruns e outros tipos de sites. Esse termo surgiu em outro contexto, introduzido pelo biólogo evolucionista Richard Dawkins em 1976, em seu livro “O gene egoísta”. Neste contexto, memes são as unidades de transmissão cultural, e são replicadas basicamente da mesma forma que os genes. De modo geral, os memes são coisas bastante efêmeras e que somem tão rápido quanto aparecem, mas outros são lembrados até hoje.

Dentre os vários significados que a palavra “clássico” traz, está o “que é considerado um modelo”. Ou seja, mesmo com o passar do tempo, algo clássico é lembrado e serve como referência para novas coisas. O escritor e filosofo francês Albert Camus, em “A inteligência e o cadafalso”, diz que “ser clássico é ao mesmo tempo repetir-se e saber se repetir”. Trazendo a reflexão para este contexto, a essência continua a mesma, mudando a maneira como o meme é utilizado. Dessa forma, é perpetuado para um tempo bem mais distante de sua criação.

"É verdade esse bilete" - meme de 2018
“É verdade esse bilete” – meme de 2018

Esse post tem como objetivo trazer alguns dos memes que mais fizeram história na internet, contando um pouco de sua origem e aplicações. A lista é só um recorte, já que os memes que já foram criados e ainda serão é imensa. Uma grande fonte é o #MUSEUdeMEMES, o webmuseu com o maior acervo de memes brasileiros do país.

Bátima – Feira da Fruta

Em 1981, Fernando Pettinati e Antônio Camano fizeram uma redublagem satírica de um episódio da série do Batman dos anos 1960 (“Um adversário à altura de um medonho bandido”, o episódio 16 da 1ª temporada). O título é uma referência à música homônima do Grupo Capote, que serve de “fundo musical”, e seu áudio completamente substituído por diálogos cômicos e de baixo calão. Gravado em uma fita VHS, a redublagem foi “resgatada” por volta de 2003 com uma versão digital divulgada na internet.

A história do mamute

Uma debochada canção do grupo El bando conta a história de um mamute que deseja viver alguns prazeres da vida (voar, fumar, beber, transar e drogar-se). O aparecimento providencial de outros animais, que lhe facilitam as coisas, obriga-nos a repensar no valor da amizade, já que o mamute sempre se dá mal. Uma versão foi feita em português e compartilhada junto de uma animação em flash antes mesmo do surgimento do Youtube.

As verdades sobre Chuck Norris

Em 2004, o talk-show Late Night with Conan O’Brien exibiu uma seleção de cenas do seriado “Walker, Texas Ranger”, protagonizado por Chuck Norris, momentos esdrúxulos dos episódios e sequências que enalteciam a virilidade e força do personagem. No ano seguinte, Ian Spector propôs, em seu website, uma votação entre 12 candidatos para criar novos fatos, depois do sucesso dos “12 fatos sobre Vin Diesel”, e Chuck Norris, que nem estava entre os candidatos, ganhou a disputa. A lista de fatos continua crescendo e pode ser vista no site ChuckNorrisFacts.net.

Jeremias muito louco

Jeremias José estava pilotando embriagado em 2005, foi detido pela polícia e entrevistado pelo programa “Sem meias palavras”. Ao tentar explicar como chegou àquela situação, soltou pérolas como “O cão foi quem butô pra nóiz bebê” e outros comentários meio desconexos. O vídeo acabou gerando o funk do Jeremias.

“O jardineiro é Jesus e as àrveres somo nozes!”

O empresário José Maria Queiroz, durante a gravação do seu primeiro CD de músicas evangélicas, devido ao excesso de nervosismo, se atrapalhou e disse a frase “O jardineiro é Jesus e as árvores somo nós!” de um jeito estranho. Alguém pegou esse áudio e, junto com uma animaçãozinha propositalmente tosca, publicou no Youtube em 2006.

Trololó

O cantor russo Eduard Khil (1935-2012) teve muito sucesso nas décadas de 1960 e 70, no período soviético, e virou sensação na internet em 2010, quando um vídeo com o cantor interpretando ‘Eu estou feliz porque estou voltando para casa’ se tornou viral ao ser publicado no YouTube. A música foi escrita pelo soviético Arkady Ostrovsky, e a letra original falava de um caubói do estado americano de Kentucky que passeava pelas pradarias enquanto sua amada costurava meias para ele. Mas o tema, muito relacionado aos Estados Unidos, não agradou aos censores naqueles tempos de Guerra Fria. Então, para satisfazer à censura, Khil decidiu gravar uma versão vocalizada, que soava como “trololó”.

Costinha e as raspadinhas

Em um comercial para as Raspadinhas do Rio (uma loteria local), o comediante Costinha acaba gravando mais de uma versão. No vídeo que subiu para o Youtube, primeiro vem a versão certa, depois a versão “zoeira”.

Aiii Aiii (que choque!)

Durante a Festa da Uva de 1996, o então repórter Lasier Martins (hoje senador pelo RS) recebe um choque elétrico ao tocar em um cacho de uvas em uma chamada ao vivo, assustando todo mundo que acompanhou. Alguém subiu o vídeo no Youtube em 2006, que acabou viralizando graças à reação ao levar o choque, mas que não teve graça para o acidentado.

Gaga de Ilhéus

Em 2007, Solange Damasceno Santana dos Santos é uma moradora de Ilhéus (BA), ficou famosa após participar de um programa de rádio para cobrar do prefeito providências em relação a limpeza e conservação da cidade. Acabou chamando atenção não apenas por sua lição de cidadania, mas principalmente devido a sua gagueira. No ano seguinte, o áudio caiu nas mãos de um editor que resolveu ilustrar a conversa para dar mais ênfase às denúncias feitas por Solange e a transformou em mais uma celebridade do You Tube.

Esquilo Dramático

Um trecho do programa japonês chamado “Hello! Morning” apresenta um cão-da-pradaria em uma cena em que o animal vira bruscamente a cabeça. Esse trecho de cinco segundos, ao som do tema do filme “O Jovem Frankenstein” (1974), teve seu upload no Youtube em 2006 e depois acabou viralizando. Vários animais acabaram viralizando, como o panda espirrando, o cachorro Bobby e outros.

Confusão na Sessão da Tarde

A famosa Sessão da Tarde, da TV Globo, costuma exibir longas de ação, comédia ou animações. Alguém acabou percebendo que as chamadas acabavam sendo muito parecidas, aparecendo com frequência a palavra “confusão” na locução, e juntou esses trechos em um vídeo que mostra bem isso – o vídeo mais antigo data de 2007. Agora, toda vez que acontecem “altas confusões”, isso acabou virando sinônimo de Sessão da Tarde.

Cacete de agulha

Em entrevista à PUC Minas no ano de 2007, um doador de sangue tenta encorajar as pessoas de que “não dói nada”, mas dois segundos depois, ao receber a picada, ele solta “Nossa, cacete de agulha!”.

Joel Santana “control the match”

Em meados de 2009, o técnico Joel Santana treinava a seleção de futebol da África do Sul. Ao final de uma partida contra o Iraque, ele foi entrevistado em inglês, e além do sotaque, ele acaba pensando em português e montando uma resposta meio complicada de se entender.

Turn down for what

A frase “turn down for what” foi popularizada por uma música homônima do DJ Snake e do Lil Jon, lançada em dezembro de 2013. Quando usado no contexto de festas/baladas, significa “se divertir e ficar eufórico”, presumivelmente sob a influência de álcool ou drogas. A música acabou entrando como trilha sonora para o meme “deal with it” (“lide com isso”), cujo intuito é pegar alguma cena ou algum momento em que personagens ou celebridades tenham dado um famoso fora e mereça a comemoração lacradora ao som do hit do DJ, inspirado nesse vídeo de batalha de rappers.

Para nossa alegria

Em março de 2012, os irmãos Jefferson e Suellen publicaram o vídeo “Para Nossa Alegria” (em referência à música gospel Galhos Secos, do grupo Catedral) em que cantavam a música até que acabam caindo na gargalhada.

Serjão berranteiro

Em uma entrevista para a TV Goiânia em 2012, Serjão Berranteiro (“mais conhecido como matador de onça”) conta, de maneira bem estilosa (inclusive imitando uma onça) como foi a aventura com a morte do felino, “que valeu por duas ou mais”. Acabou até virando música no canal do AtilaKW.

Harlem Shake

Em fevereiro de 2013, foi publicado no Youtube um vídeo onde quatro pessoas fantasiadas permanecem “normais” enquanto a música “Harlem Shake“, do DJ norte-americano Baauer, começa a tocar, até que em um certo momento onde a melodia muda e começam a fazer as mais estranhas ações, com um corte brusco no vídeo. Harlem shake é o nome dado a um tipo de dança originário no bairro nova-iorquino Harlem em 1981, mas que virou essa música específica também. Muitas pessoas começaram a promover encontros e “flash mobs” para gravar situações com a mesma dinâmica e a mesma música, viralizando ainda mais o vídeo original. Um “flash mob” é um grupo de pessoas que se reúnem repentinamente em ambiente público, realizam uma apresentação atípica por um curto período de tempo e rapidamente se dispersam do ambiente como se nada tivesse acontecido. Aqui tem um vídeo com um compilado de Harlem Shakes.

Bambam enlouquecendo no treino – Birl!

O canal do Youtube do fisiculturista Felipe Franco publica vídeos com dicas de “bodybuilding” e, em um deles, o treino foi com o ex-BBB Kleber “Bambam” em 2016. Um outro canal selecionou algumas partes com brincadeiras e montou um “mini-treino insano”. Daí que vieram pérolas como “Tá saindo da jaula o monstro”, “Bóóra! hora do show, porra!” e “Como não vai dá essa porra? Saí de casa, comi pra caralho!”.

Carreta Furacão

Esse é o nome de um “trenzinho da alegria” criado em Ribeirão Preto (SP), cujos integrantes personificam figuras populares dos quadrinhos e da TV. Assumir o papel de Fofão é o auge na carreira dos dançarinos da Carreta Furacão e dos outros trenzinhos. O primeiro vídeo da Carreta Furacão que bombou no YouTube foi filmado por um segurança do trenzinho e publicado em 2010, em que os dançarinos sacolejam ao som de “Vem Dançar o Mestiço”, de Leandro Lehart.

Tônico com Guaraná – Tunak Tunak Tun

É comum montarem versões legendadas em português de músicas estrangeiras de acordo com o que parece o som das palavras, e não com a verdadeira letra traduzida, gerando versões muito engraçadas. Esse é o caso da música do indiano Daler Mehndi, Tunak Tunak Tun. Rivaldo sai desse lago, Voyage, Voyage e tantas outras também foram “vítimas” de traduções toscas.

Dançando com o caixão

O Coffing Dancing, que no Brasil ficou popularmente conhecido como o “meme do caixão”, tem suas imagens retiradas de uma matéria publicada pela BBC, em 2017. Segundo a reportagem, esse inusitado costume nasceu em Gana e foi criada pelo agente funerário Benjamin Aidoo. No país do oeste africano, os funerais são considerados eventos muito importantes e essa versão mais animada é uma opção muito escolhida por quem quer dar uma despedida mais festiva aos seus entes queridos. O meme consiste em um grupo de homens carregando um caixão ao som de Astronomia 2K19, de Tony Igy, após mostrar uma cena em que uma situação desastrosa acaba acontecendo, dando a entender que, depois disso, só resta o “velório”.