Autoconhecimento

Parafraseando o ET Bilú, “busquem (auto)conhecimento”! A investigação de si mesmo para se conhecer melhor relaciona-se com estar consciente de quem você é na essência, sendo fundamental para seu desempenho pessoal, profissional e em outras áreas. A forma como você se comporta, responde a situações externas e toma decisões é regida por processos mentais internos e conseguir identificá-los e compreendê-los é essencial para ter uma vida mais saudável e equilibrada – é o que muitos chamam de inteligência emocional.

O autoconhecimento envolve o uso da autoconsciência (ou consciência da consciência) e o desenvolvimento da autoimagem (descrição de si mesmo). A autoimagem pode estar relacionada ao indivíduo como um ser único ou frente a um coletivo de outros seres humanos. Em outras palavras, você poderia identificar três “eus”:

  • o que eu sou de fato
  • o que aparento ser aos outros (consciente ou inconscientemente)
  • o eu que eu escondo

Dentre as ferramentas para buscar o autoconhecimento, provavelmente a principal delas é a psicoterapia, que é o tratamento dos problemas psicológicos. Ninguém é perfeito, então todos temos pontos a melhorar em nós mesmos, sejam eles situações urgentes ou não – então, esqueça a história de que “quem vai ao psicólogo é porque está louco”, pelo contrário, quem está são é que busca melhorar. Através da psicoterapia, restabelece-se o funcionamento psíquico, compreende-se as causas do que acontece, desenvolve-se meios de agir (novos traços de personalidade) e solucionam-se ou amenizam-se problemas que afligem o indivíduo.

Uma condição básica para a psicoterapia é a autoimagem, que é construída na infância mas que vai sendo moldada ao longo da vida toda, com base em impressões que ocorreram de forma caótica e impensada. Parte do tratamento envolve a busca por um conhecimento mais profundo de si mesmo, assim como a sensibilização a fatores que ameaçam a estabilidade psíquica do paciente.

A jornada envolve muito o embate de auto-aceitação versus mudanças (propositais ou não), mas ajuda a tomar decisões de modo consciente. Muitas vezes, usamos o “piloto automático” para tomar algumas decisões e que acabam sendo prejudiciais. Repensando essas ações, pode-se mudar de atitude e ir moldando novos traços de personalidade.

Para começar, você pode responder um questionário sobre você mesmo. No post 85 perguntas para desenvolver o seu autoconhecimento, existem algumas sugestões de questionamentos que pode se fazer. Ao longo do tratamento, você pode voltar a ver as respostas que foram dadas e o que mudou para você com relação a elas. Veja alguns exemplos:

  • O que o deixa feliz?
  • O que o deixa triste?
  • O que o faz relaxar?
  • O que o estressa?
  • O que o deixa apavorado?
  • Quais foram os três pontos mais positivos da sua infância?
  • Quais foram os três pontos mais negativos da sua infância?
  • Qual foi o melhor período da sua vida?
  • Qual foi o pior período da sua vida?
  • Se você morresse amanhã, qual seria o seu pior arrependimento?
  • Quais são as três principais qualidades em pessoas que você admira?
  • Qual é o seu objetivo de vida?
  • Quais são os principais talentos que você possui?
  • Quais são os talentos que você precisa desenvolver?
  • O que você mais gosta em relação ao seu trabalho?
  • O que você menos gosta em relação ao seu trabalho?

Um dos exercícios para desenvolver o autoconhecimento é, antes de agir em uma decisão, pergunte a si mesmo “Por quê?”. Acompanhe sua resposta com outro “Por quê?” e depois um terceiro. O objetivo disso é conhecer seus motivos e determinar se eles são razoáveis. Muitas vezes, você conclui que deve dizer “não” a essa decisão. Por exemplo: abrir as redes sociais ou trabalhar?

“São tantas emoções”

Ter o máximo de conhecimento sobre alguma coisa pode trazer um certo controle sobre uma situação e uma suposta segurança. No entanto, é impossível ter total controle sobre o ambiente externo. O pensamento racional em exagero pode ser perigoso por trazer uma rigidez no comportamento (acreditar que tudo deve ser resolvido tecnicamente). Perder essa rigidez é bom para o mundo não parecer tão perigoso (por não ter o controle sobre tudo), de modo que também se perde o medo de errar ou acertar ao vivenciar situações (mesmo sem muito planejamento racional).

Assim, deve-se buscar entender as emoções. Sentimentos são o que seres biológicos tem a capacidade de sentir nas situações que vivenciam. Já a emoção é uma reação a um estímulo ambiental e cognitivo, que produz tanto experiências subjetivas quanto alterações neurobiológicas significativas.

Existem emoções intuitivas (vindas da amígdala) e emoções cognitivas (vindas do córtex pré-frontal), que sentimos e que sabemos definir o porquê de senti-la. Por exemplo: você pode levar um susto com alguém apontando uma arma sabendo que é de mentira, mas a emoção será maior se a arma for de verdade.

As emoções criam respostas físicas e comportamentais poderosas, que são mais complexas do que “feliz” ou “triste”. Colocar os sentimentos em palavras permite articular como a pessoa se sente. Quando não se consegue fazer isso, pode-se criar estresse e outras sensações negativas. Uma lista de sentimentos pode ser vista no link.

Você pode tirar um tempo para responder objetivamente às perguntas do questionário acima, mas também pode relacionar as emoções vividas em situações vivenciadas em cada resposta.

O canal Nerdologia (do Youtube) tem uma série sobre habilidades comportamentais que explica vários comportamentos, baseado em livros consolidados e artigos científicos. Você pode assisti-los para entender melhor como surgem e como desenvolver algumas dessas habilidades e reduzir outras.

Ansiedade

A ansiedade é pela situação que pode vir, diferente do medo, que é a emoção que surge em resposta a uma situação de perigo iminente. Se ela é de curta duração, ela nos prepara física e psicologicamente para ameaças futuras. Mas se durar muito tempo ou sem motivo, a ansiedade passa a ser um problema, podendo acabar com a concentração em que está fazendo.

Uma das formas de se combater a ansiedade é através de exercícios físicos regulares. Outra forma é através da reavaliação emocional, com a reinterpretação de uma situação de ameaça como sendo uma oportunidade – por exemplo, ao ficar tenso para uma entrevista de emprego, encarar a reação física como uma empolgação. Ainda existe o “mindfullness”, estado de atenção plena nas experiências presentes, em vez de ficar pensando no futuro.

A meditação é uma prática em que a pessoa usa técnicas com o objetivo de focar sua mente e alcançar um estado de clareza mental e emocional. Desse modo, você pode ter um momento de paz e enxergar melhor sua percepção sobre si mesmo.

No dia a dia, é muito fácil ficar absorto em pensamentos e ideias sobre o que precisamos fazer ou pensando no passado, presos a arrependimentos ou coisas que não se podem mais mudar. Essas ideias podem inibir a nossa capacidade de viver o presente e aproveitar cada momento.

Veja algumas atitudes que você pode praticar para aproveitar melhor cada momento:

  • Elimine distrações e ideias passageiras, concentrando-se na respiração – imagine cada pensamento que passa pela sua cabeça como uma nuvem passando pelo céu; se não gostar de um pensamento específico, espere até que ele passe sem tomar qualquer atitude
  • Observe atentamente o que acontece à sua volta, sem formular opiniões, só descrevendo sem usar palavras, concentrando-se em informações concretas e sensoriais
  • Desacelere o ritmo e dê valor a pequenas coisas da vida – se estiver comendo, preste atenção no cheiro, no gosto, em como deu trabalho para aquilo ser feito e comprado, etc
  • Inspire com calma, caminhe pelo local ou fique sentado, sentindo que você faz parte da situação
  • Aceite o passado, pensando: “Se eu não consigo mudar o passado, de que adianta me preocupar?” e busque apenas controlar o presente

Mais dicas genéricas podem ser vistas no WikiHow – Como Aproveitar Cada Momento. Aproveitar cada momento pode tornar tudo mais significativo na sua vida, gerando lembranças intensas e positivas.

Resiliência

Algumas pessoas conseguem lidar melhor com problemas sem ceder à pressão, capacidade essa que recebe o nome de resiliência. Pessoas mais resilientes possuem diferenças neurobiológicas e de experiências passadas, principalmente na infância.

Um pouco de estresse pode até ajudar no processo de formação, mas um ambiente muito estressante atrapalha muito. Crianças expostas a um tipo de estresse ficam mais resilientes a esse tipo de estímulo. Já se for muito grande, exerce o sentido de formar uma pessoa menos resiliente e com mais chances de desenvolver transtornos psiquiátricos.

No entanto, não é preciso expor a criança a stress para torná-la resiliente. Ter famílias funcionais, se relacionar e conviver com outras crianças, ter suporte de adultos em situações de dificuldade, autodisciplina e altas habilidades cognitivas ajudam.

Também existem atitudes que podem nos fazer sermos mais resilientes:

  • Ter uma rede de amizades (com familiares e amigos) para apoiar em situações complicadas, com novos vínculos em diferentes grupos, e admitir que precisa de ajuda quando necessitar
  • Estabelecer objetivos realistas
  • Desenvolver uma visão positiva e realista de si mesmo
  • Autoconfiança
  • Capacidade de lidar com impulsos e emoções fortes
  • Encarar o problema ou erro cometido como uma situação onde algo pode ser aprendido
  • Rir dos próprios problemas de vez em quando (o humor tende a aliviar a tensão e atrair mais pessoas a oferecer suporte)
  • Enfrentar situações ativamente, tentando mudar o evento que causa o stress ou a forma que interagimos com ele, em vez de passivamente (só evitando o problema)
  • Reavaliação emocional (reinterpretar o que acontece de uma forma positiva)
  • Exposição gradativa (expor-se voluntariamente a eventos que causem estresse gradativamente, em vez de evitá-los até não ter mais opção)
  • Buscar novas responsabilidades (mas nada de planos inalcançáveis)

Dessa forma, consegue-se passar melhor por situações estressantes, com menores efeitos psicológicos negativos e rápida recuperação.

Autoconfiança

Um ditado comum usado para ganhar coragem frente a alguma situação desconhecida é “o não você já tem”. No entanto, para quem teme uma rejeição, dizer que já existe uma rejeição prévia acaba por desestimular a pessoa. Existem outras formas de encarar o desconhecido, sem extremos do tipo “tudo ou nada”.

A autoconfiança é uma crença pessoal de que se pode realizar, com sucesso, uma determinada tarefa. Uma pessoa confiante costuma ter maior controle emocional, conseguindo se motivar mais fácil, ter maior concentração e equilibrar melhor o estresse e a ansiedade.

Algumas já aprenderam a ser confiantes naturalmente através de suas experiências, mas essa habilidade pode ser desenvolvida por qualquer pessoa. Ter autoconfiança é compreender que temos habilidades, qualidades, características positivas e também humildade para reconhecer os aspectos a ser melhorados. Pensar que não é bom por achar que é soberba na verdade isso desconsidera a definição de soberba, que envolve desconsiderar os outros e a falta de um padrão para se considerar o melhor.

Autocobrança

Algo que influencia diretamente a autoconfiança é a autocobrança. Por exemplo, é comum a justificativa de que, “se eu não me cobrar, não terei motivação para melhorar e vou me acomodar”, o que é uma crença irracional que gera tensão emocional e ansiedade, podendo resultar em frustração, gasto de energia desnecessário e queda de desempenho. É diferente da motivação interna, onde ocorre ganho de autoconfiança e sentimentos positivos por cumprir uma meta.

Ser duro consigo e cobrar muito de si mesmo em tempos confusos pode até ser um exercício de disciplina necessário. No entanto, a maioria das vezes isso não é necessário. A comparação irrealista de grandes ídolos pode levar a busca por um perfeccionismo extremo. Ou também colocar muitas coisas para fazer em pouco período de tempo, como uma busca por eficiência máxima. Muitas vezes, por trás de tudo isso existe o medo de se expor, de errar, de ser julgado, de ser comparado.

Para essas pessoas, a única forma de agregar valor para sua imagem pessoal e profissional está naquilo que impuseram para si mesmas como sendo o caminho certo, sem existir lugar para os erros e as incertezas. Apesar da vida ser feita de erros e acertos, o medo de não conseguir lidar com os erros ou o medo de ser julgado faz com que o indivíduo comece a trilhar para si um caminho com sentimentos de culpa, insegurança, tristeza, etc.

Além disso, a vida tem um tempo finito: não dá para se fazer tudo o que se gostaria de fazer. Assim, deve-se atribuir um peso para cada opção, envolvendo questões racionais e emocionais – por exemplo, o que deve ser feito e o que gostaria de fazer ou que nunca gostaria de fazer. As respostas à algumas perguntas podem ajudar a dar valor para cada opção:

  • Qual o tamanho do sofrimento que isso está te causando?
  • Qual o parâmetro para saber se está ou não ultrapassando os seus próprios limites?
  • Qual o objetivo de tanta exigência?
  • Será que isso não afeta outras áreas da sua vida?

Muitas coisas vão acontecendo ao longo da vida e as pessoas acabam reagindo mecanicamente, sem refletir o que está por traz de tantas tarefas, compromissos e auto cobranças. Muitas vezes, a resposta está em algo no futuro do indivíduo, mas quase nunca no seu momento atual.

Independente do quanto esteja dedicado, nem sempre as coisas saem como o previsto, ou seja, saem do controle. Algumas coisas não dependem da gente. Exigir menos de si mesmo e se culpando menos pelo que não sai como planejado (pelo contrário, usando os erros como aprendizado para novas tentativas) são características de uma autocobrança menor, o que leva a menos ansiedade e maior resiliência – para situações atuais ou novas.

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