Assoreamento e retificação de rios

O assoreamento é o processo em que ocorre acúmulo de sedimentos em cursos d’água ao ponto de o excesso de material sobre o seu leito dificultar sua navegabilidade e outros aproveitamentos. Apesar de ser um processo natural, ele pode ser acelerado pela ação humana principalmente ao retirar vegetação ao longo de suas margens (a chamada mata ciliar). Ela serve para diminuir o transporte de material sólido para o rio, principalmente gerado na erosão das próprias margens.

Diferença entre enchente, inundação e alagamento. Fonte: Tempo e Clima Brasil

Durante as chuvas, a camada superficial do solo acaba sendo arrastada para os rios. Esse material é levado pelo rio e depositado em regiões mais baixas, ou de remanso, onde a velocidade da água é menor. Com o tempo, o rio fica mais raso e aparecem bancos de areia, dificultando ou mesmo impedindo a navegação. Este processo de assoreamento, que gera um acúmulo de mais sedimentos e de água onde não havia, modifica o comportamento hidrológico do rio o que pode aumentar a ocorrência de inundações.

Uma forma usada para contornar esse problema foi através da retificação de rios. O rio Tietê, em São Paulo, teve seu trecho dentro da capital retificado no início do século XX. A várzea do Tietê, fundamental para receber o excesso de água durante cheias, não foi mantida. Fez-se a canalização e suas margens foram ocupadas por rodovias e indústrias.

O confinamento de suas águas em estreitos canais retificados intensificou a velocidade das águas, aumentando a declividade com a retificação do rio. No entanto, é insuficiente para receber a água da chuva de uma região com solo fortemente impermeabilizado – a água é redirecionada das chuvas direto para os rios, sem descer lentamente através de solo não compactado. Como também é comum o lançamento de lixo e esgoto nas águas do Tietê e afluentes, as inundações ocorrem com frequência.

Atualmente, busca-se eliminar problemas desse tipo diretamente na origem: protegendo regiões de várzea e matas ciliares, através de áreas de preservação e parques públicos. Em grandes centros onde isso não é mais possível, opta-se pela construção de piscinões, que recriam artificialmente uma região de várzea. No entanto, alguns ficam a céu aberto, desvalorizando o bairro devido ao acúmulo de lixo, pestes urbanas e mau cheiro.