Altocumulus

A nuvem altocumulus (Ac) foi definida por Renou (1855), sendo o nome em latim indicando que tem características de uma nuvem cumulus mas formada mais no alto. Ela é classificada como sendo de estágio médio, ou seja, forma-se entre 2 e 8 km de altura em região tropical, entre 2 e 7 km em região temperada e entre 2 e 4 km em região polar. Não sofre influência direta das termais em sua formação – como as nuvens cumulus.

“Branco ou cinza, ou branco e cinza, remendo, folha ou camada de nuvem, geralmente com sombreamento, composto por lâminas, massas arredondadas, rolos, etc., que às vezes são parcialmente fibrosos ou difusos e que podem ou não estar mesclados; a maioria dos pequenos elementos regularmente dispostos geralmente tem uma largura aparente entre 1° e 5°.”
Definição da nuvem Altocumulus segundo o Atlas Internacional de Nuvens da Organização Meteorológica Mundial

Basicamente, a altocumulus é formada por uma camada de nuvens brancas e/ou cinzentas, tendo geralmente sombras próprias (pouco acentuadas) e apresentando formas de lâminas e rolos. Pode ter um aspecto pode ser fibroso ou difuso, agrupados ou não. Apresentam-se como lençol de grande extensão, com elementos isolados ou não, dispostos com bastante regularidade. Por vezes, elementos consecutivos em forma de seixos seguem uma ou duas direções, com suas bordas quase se tocando; esta configuração apresenta canais de céu claro.

Em sua maioria, as nuvens desse gênero são constituídos por gotículas d’água, porém podem haver cristais de gelo. Ocorre o fenômeno de coroa quando sua borda passa pelo sol e/ou lua. São bons refletores de luz, mas aparecem nas imagens de infravermelho mais como um tom de cinza claro do que um branco brilhante.

A maioria dos elementos dispostos regularmente têm uma largura aparente compreendida entre 1 e 5 graus (entre o dedo mindinho e três dedos, com o braço estendido) quando observados em um ângulo maior que 30° acima do horizonte. Ou seja, maiores que as cirrocumulus – além de apresentarem sombra própria. São menores que as stratocumulus e as cumulus.

Altocumulus podem dar origem a rastros descendentes de aspecto fibroso (virga), mas por não apresentar um aspecto sedoso como um todo, não devem ser confundidas com cirrus. Se uma camada uniforme apresentar a menor indicação da presença de seixos ou rolos, não deve ser confundida com uma altostratus.

Espécies (só pode ser uma)

  • stratiformis (str): aparência espalhada horizontalmente. Compreende camadas frequentemente extensas, compostas por elementos cumuiformes quase perfeitamente individualizados ou interligados por porções menos densas.
  • Altocumulus stratiformis. Foto: ViniRoger
    Altocumulus stratiformis. Foto: ViniRoger
  • lenticularis (len): forma de lente/disco, estacionária no céu. Está continuamente em transformação e/ou ocorrendo em diferentes níveis. Formadas por levantamento indireto em camadas estáveis (não turbulentas), na qual a camada é levemente erguida por movimentos das camadas inferiores. Em geral, essas nuvens aparecem sobre montanhas onde o ar é forçado a subir. Sua formação requer, portanto, uma camada relativamente úmida pois em camadas estáveis não há grande deslocamento vertical para grande variações de temperatura. Pode ocasionalmente ser confundida com “objetos voadores não identificados”.
  • Altocumulus lenticularis. Foto: ViniRoger
    Altocumulus lenticularis. Foto: ViniRoger
  • castellanus (cas): serrilhada em cima (como torres de castelo, que se elevam de uma base em comum). Similar ao translucidus, com exceção de elementos com certo desenvolvimento vertical (embora limitado) em forma de tufos ou torres (crescem mais). Quando isolado de outras nuvens, é comumente observado no começo do dia, antes de iniciar o ciclo diurno (isto indica que a perda radiativa no topo da nuvem durante a noite contribuiu para sua formação) e indica condições pré-tormentosas. Sua precipitação individual é quase negligenciável.
  • floccus (flo): flocos/tufos individuais, bases irregulares, às vezes com virgas. Comportamento semelhante à espécie castellanus.
  • Altocumulus floccus. Foto: ViniRoger
    Altocumulus floccus. Foto: ViniRoger
  • volutus (vol): alongada em forma de tubo.

Variedades (pode ser mais de uma)

  • translucidus (tr): nuvem translúcida, através da qual a posição do Sol ou da Lua é visível. Relativamente fina (semi-transparente) com coloração variando de branca a cinza escuro, os elementos são estáveis em aparência, isto é, não variam muito. Formado pela transformação de altostratus com pequenas células de convecção própria, sua presença indica pequeno movimento ascendente e é mais comum não ser seguido de precipitação.
  • perlucidus (pe): extensa camada com lacunas, através da qual o céu azul, o Sol ou a Lua são visíveis.
  • opacus (op): espesso/obscuro, nuvem grossa que esconde completamente o sol ou a lua. Envolve os seguintes casos: (a) altocumulus em duas camadas (duplicatus) usualmente opacos e não aumentando; (b) uma camada espessa de altocumulus não aumentando e altocumulus e altostratus presentes no mesmo nível ou em níveis diferentes. Ocorre muito frequentemente bem próximo a altostratus ou em combinação com ele. Geralmente indica a aproximação de um fraco distúrbio associado a pouca chuva; por si só raramente produz mais do que leves garoas.
  • duplicatus (du): repetido (duas camadas em alturas diferentes).
  • undulatus (un): ondulações distintas (vento é perpendicular às “ruas” de nuvens).
  • radiatus (ra): parece irradiar de um ponto no céu (vento é paralelo às “ruas” de nuvens). Sua formação é baseada no espalhamento pelo levantamento em conjunto com instabilidade desenvolvida na própria camada de nuvem, porém na presença de forte cisalhamento vertical. Tal cisalhamento é responsável pelo alinhamento das células em bandas paralelas; quanto maior o cisalhamento maior o paralelismo. Dá noção da posição do jato a partir de observações deste tipo de nuvem e respectivos deslocamentos.
  • lacunosus (la): com buracos/lacunas, nuvem fina com furos regularmente espaçados, aparecendo como uma rede.

Frequentemente são observados simultaneamente em dois ou mais níveis (altocumulus duplicatus), significando que esta nuvem ocorre em uma grande faixa de altitudes.

Nuvens anexas e características suplementares

  • virga (vir): ramo, precipitação que não chega ao solo – frequentes em Ac.
  • mamma (mam): seio/sino abaixo da base da nuvem.
  • cavum (cav): buraco.
  • fluctus (flu): ondas (Kelvin-Helmholtz).
  • asperitas (asp): rugoso/áspero – caracterizada por ondulações caóticas causadas por forte cisalhamento do vento.

Nuvens-mãe e nuvens especiais (genitus)

  • Cumulus
  • Cumulonimbus

A cumulogenitus é formada a partir do crescimento vertical de cumulus, que ao atingir um nível estável não consegue subir e portanto se espalha, formando folhas de nuvens. Nesses casos, em geral, houve evaporação da base da nuvem. Geralmente associado e produzido em situações de bom tempo, na qual o céu sobre o continente passa por significativa evolução diurna. Se foi formado pelo aquecimento diurno, é de se esperar que a nuvem se dissipe durante a noite; se persistir, indica que existe aquecimento por baixo e que existe inversão em altitude.

Nuvens-mãe e nuvens especiais (mutatus)

  • Cirrocumulus
  • Altostratus
  • Nimbostratus
  • Stratocumulus

Nos níveis altos, pode se dar a partir do aumento de cirrocumulus. Quase sempre se forma em consequência de turbulência ou convecção em níveis médios, a partir da transformação de altostratus e nimbostratus. Também pode surgir do desenvolvimento de uma stratocumulus nos níveis baixos.

Veja outros gêneros de nuvens a partir de sumário na página Atlas de Nuvens.

Referências

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