Um fenômeno meteorológico foi registrado na cidade de Patu/RN na tarde de 5 de abril de 2026. O fenômeno foi uma extensa formação de nuvens baixas avançando sobre a paisagem do município. A nuvem aparece envolvendo a Serra do Lima, criando um efeito visual semelhante a uma cascata sobre a serra, um dos principais pontos turísticos da região. Vídeos foram divulgados em redes sociais (grupocidadao190 e bilupatu, por exemplo)

A Serra do Lima, localizada em Patu, Rio Grande do Norte, é um imponente complexo serrano com altitude entre 400 e 600 metros, famoso pelo turismo religioso, aventura e paisagens naturais. Abriga o renomado Santuário de Nossa Senhora dos Impossíveis, ponto de peregrinação a cerca de 700 metros de altura, e oferece atividades como voo livre (parapente/asa-delta), trilhas, piscinas naturais e vistas panorâmicas.
A formação nebulosa, às vezes apelidada de “cachoeira de nuvens” devido sua aparência, se trata de uma nuvem orográfica. Quando o ar é forçado a subir a serra, sua temperatura diminui com a altitude, levando o ar a se resfriar. Esse resfriamento resulta em uma redução na capacidade do ar de reter vapor d’água, fazendo com que o vapor se condense e forme a nuvem. Quando a nuvem começa a descer, a temperatura aumenta, e a água evapora. Com essa explicação, é interessante notar que, apesar do movimento da nuvem em si dar a ilusão de que estava descendo, boa parte do ar estava subindo para ocorrer a formação nebulosa.

Como esse fenômeno ocorre próximo da superfície da serra, quem estivesse no local classificaria a nuvem como um nevoeiro, devido à baixa visibilidade. Alguns perfis de redes sociais erroneamente classificaram o fenômeno como “nuvem prateleira” ou mesmo “nuvem rolo”, mas essas nuvens são formadas independentes do relevo. Uma “nuvem prateleira” fica bem acima da superfície, estendendo-se verticalmente por quilômetros de altura. E uma nuvem rolo é uma formação alongada e horizontal, de aparência tubular e isolada, que se forma geralmente na borda de avanço de uma frente de rajada, sem estar conectada à nuvem mãe.
Outras cachoeiras de nuvem já aconteceram, como em Belo Horizonte e Ohio (EUA). Dessas, a primeira também foi uma nuvem orográfica (classificada oficialmente como nuvem stratus), enquanto que a segunda foi uma nuvem prateleira (oficialmente classificada como nuvem anexa arcus). O termo “cachoeira de nuvens” não é uma classificação oficial, e sim um jargão popular.
