Em 14 de fevereiro de 2026 veio a primeira medalha da América Latina nas Olimpíadas de Inverno: ouro para o esquiador alpino brasileiro-norueguês Lucas Pinheiro Braathen na prova de slalom gigante, à frente dos outros 80 adversários. Mas o que são essa olímpiadas? O que é slalom? E como as condições meteorológicas influenciam nessa prova?

Os Jogos Olímpicos de Inverno são uma versão dos Jogos Olímpicos dedicada a esportes praticados na neve e no gelo. Eles acontecem a cada quatro anos, intercalados com os Jogos Olímpicos de Verão, de forma que a cada dois anos há uma edição olímpica — seja de verão ou de inverno. Enquanto os Jogos de Verão concentram modalidades como atletismo, natação e ginástica, os de Inverno destacam esportes adaptados às condições climáticas frias, como esqui, patinação e hóquei no gelo, ampliando o alcance do movimento olímpico para diferentes culturas e ambientes.
Entre as principais provas das Olimpíadas de Inverno estão o esqui, o snowboard, o bobsled, o biatlo (que combina esqui e tiro), o hóquei no gelo, a patinação artística e a patinação de velocidade. Cada uma dessas modalidades exige habilidades específicas, como velocidade, resistência, técnica e precisão. Além disso, esportes como o curling e o skeleton também chamam atenção pela estratégia e pela intensidade das disputas.
O esqui é um esporte em que os atletas utilizam pranchas longas e estreitas fixadas aos pés para deslizar sobre a neve. Ele pode ser praticado em diferentes modalidades, como o esqui alpino (descidas rápidas em pistas inclinadas), o esqui cross-country (longas distâncias em terrenos variados) e o salto de esqui (em que o atleta busca alcançar a maior distância possível após um salto).

O slalom é uma modalidade do esqui alpino caracterizada por descidas em alta velocidade em pistas com curvas muito fechadas, delimitadas por postes que os atletas precisam contornar. Já o slalom gigante segue a mesma lógica, mas com curvas mais abertas e espaçadas, permitindo maior velocidade e exigindo precisão nas manobras.
Importância das condições meteorológicas
A escolha de um local para a realização de provas de esqui alpino, especialmente o slalom gigante, depende fortemente das condições climáticas. O fator central é a presença de neve em quantidade e qualidade adequadas, o que exige temperaturas consistentemente baixas para manter a pista firme e segura. Regiões montanhosas com clima frio e estável são preferidas, pois garantem a manutenção da neve compactada e reduzem o risco de derretimento ou formação de gelo irregular. Além disso, a altitude influencia diretamente na qualidade da neve, já que áreas mais altas tendem a apresentar temperaturas mais baixas e maior estabilidade atmosférica.
Estações de esqui também têm usado o chamado “snowfarming”, técnica de coleta e armazenamento de neve. O método não é novo, mas, com a diminuição das nevascas e o aumento das dificuldades para produzir neve artificial, mais resorts vêm guardando neve remanescente para se preparar para o inverno seguinte. Mas produzir neve e mantê-la congelada exige energia e água — e ambos se tornam desafios em um mundo mais quente.
Dos 16 esportes dos Jogos de Inverno atualmente, metade é afetada pela temperatura e pela neve: esqui alpino, biatlo, esqui cross-country, esqui estilo livre, combinado nórdico, salto com esqui, esqui de montanha e snowboard. E três são afetados pela temperatura e pela umidade: bobsled, luge e skeleton.
As condições ideais para produzir neve hoje exigem uma temperatura de ponto de orvalho (combinação de frio e umidade) em torno de -2 °C ou menos. Mais umidade no ar faz com que neve e gelo derretam mesmo em temperaturas mais baixas, o que afeta tanto a neve nas pistas de esqui quanto o gelo em pistas de bobsled, skeleton e luge.
As exigências meteorológicas para uma prova de slalom gigante incluem temperaturas abaixo de zero para conservar a neve dura, ausência de chuvas que poderiam comprometer a pista e ventos moderados, já que rajadas fortes podem afetar a visibilidade e o equilíbrio dos atletas. A neve precisa estar compactada de forma uniforme, evitando áreas com gelo excessivo ou neve fofa, que alteram a velocidade e a aderência dos esquis. A visibilidade também é crucial: neblina ou tempestades de neve podem dificultar a leitura da pista e aumentar o risco de acidentes.
As condições meteorológicas influenciam diretamente o desempenho dos competidores. Uma pista com neve muito dura aumenta a velocidade, mas exige maior precisão técnica nas curvas; já uma pista com neve mais macia reduz a velocidade, mas pode dificultar a execução das manobras. O vento pode desestabilizar os atletas em curvas de alta intensidade, enquanto a variação de temperatura ao longo do dia pode modificar a consistência da neve entre a primeira e a segunda descida, impactando a estratégia de cada competidor.
Como foi a prova
As provas de slalom gigante dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026 Milano Cortina aconteceram na famosa Pista Stelvio, em Bormio, na Itália, uma das descidas mais tradicionais do esqui alpino mundial. Devido às mudanças climáticas e ao inverno menos rigoroso na região, houve necessidade de reforçar a cobertura de neve antes das competições. Para garantir a qualidade da pista, os organizadores recorreram à produção de neve artificial e ao transporte de neve de áreas mais altas e frias para o Stelvio. Essa medida foi essencial para manter a consistência da superfície e assegurar condições justas e seguras para todos os atletas.
A temperatura média durante a prova foi de 3°C e houve registros de neve caindo na parte superior da pista Stelvio, enquanto na parte inferior ocorreu precipitação em forma de chuva durante a segunda descida. Essa combinação criou uma superfície irregular, com trechos mais duros e rápidos no alto e áreas mais pesadas e úmidas na base, exigindo dos atletas grande adaptação técnica entre a primeira e a segunda descida.
Primeiro a entrar na pista do slalom gigante, Lucas aproveitou as boas condições da neve, que ainda não carregava marcas da passagem dos atletas. O brasileiro registrou tempo de 1min13s92, 95 centésimos a menos que o suíço Marco Odermatt, campeão olímpico em 2022. Na segunda descida, foi o 30º esquiador a entrar na pista – os 30 melhores da primeira tentativa competiram em ordem inversa agora. Teve que lidar com condições diferentes, porque nevava bastante, e o percurso já carregava marcas do trabalho de outros atletas. Aqui ele registrou 1min11s08, com somatório de 2min25s00, 0s58 à frente do suíço.
Para celebrar a glória de Lucas, a organização das Olimpíadas de Milão-Cortina tocou o “Tema da Vitória”. A música, conhecida por embalar o sucesso de Ayrton Senna na Fórmula 1, ganha um novo rosto. Lucas nasceu em Oslo, Noruega, sendo filho de mãe brasileira. Trocou a nacionalidade no esqui alpino em 2024, depois de integrar a delegação norueguesa nas Olimpíadas de Pequim 2022, quando não subiu ao pódio. Na mesma prova, ainda competia outro filho de mãe brasileira mas que nasceu na cidade italiana de Clusone. Competindo pelo Brasil desde 2024, Giovanni Ongaro garantiu 31ª posição entre 81 competidores.
Fontes
- Wikipedia – Jogos Olímpicos de Inverno de 2026
- Globo Esporte – Lucas Pinheiro voa no slalom gigante e leva ouro histórico para o Brasil nas Olimpíadas de Inverno
- Metrópoles – Jogos de Inverno: Lucas Pinheiro conquista ouro inédito para o Brasil
- g1 – Sem neve, sem Jogos? Aquecimento global ameaça Olimpíadas de Inverno




