A umidade do solo varia ao longo do dia em resposta à temperatura do ar, à radiação solar e à presença ou ausência de chuvas. Esse ciclo é mais evidente nas camadas superficiais e menos perceptível em profundidade. A temperatura do solo influencia diretamente a taxa de evaporação e transpiração, reduzindo a umidade durante o dia, enquanto a própria umidade atua como reguladora térmica, mantendo o solo mais fresco quando está elevado e aquecendo mais rápido quando está baixa.
- Superfície imediata (0–1 cm): umidade cai durante o dia (máxima perda por evaporação e transpiração) e sobe à noite (menos evaporação, possível orvalho/condensação); aumenta imediatamente com chuva ou regas.
- Camada logo abaixo da superfície (1–3 cm): Ainda rápida resposta à chuva, importante para germinação de sementes e evaporação.
- Camada intermediária (3–9 cm): Variação mais lenta, mas ainda responde ao ciclo diurno.
- Camada mais profunda (9–27 cm): Pouca variação diária; responde principalmente a chuvas fortes ou regas abundantes.
Os valores de umidade do solo geralmente representam a fração volumétrica de água no solo (soil volumetric water content), medida em m³/m³. Isso significa que um valor como 0,409 indica que 40,9% do volume daquele estrato de solo é ocupado por água – ou 0,409 m³ de água por 1 m³ de solo.
Em solos argilosos com matéria orgânica (típicos de vasos e jardins) os valores médios de umidade volumétrica costumam variar entre 0,35 e 0,50 m³/m³, dependendo da saturação e da drenagem; em solo arenoso, a capacidade de campo é ao redor de 0,20–0,25. Em solos argilosos, valores como 0,46 indicam saturação alta; em solos arenosos, seria quase impossível atingir esse nível.

A imagem acima apresenta um gráfico temporal de precipitação e umidade do solo em diferentes profundidades ao longo de cinco dias. As barras azuis indicam os volumes de chuva (em milímetros), enquanto as linhas coloridas representam a umidade do solo nas camadas de 0–1 cm, 1–3 cm, 3–9 cm e 9–27 cm, expressa em fração volumétrica (m³/m³). Observa-se que os picos de precipitação coincidem com aumentos significativos na umidade das camadas superficiais, especialmente nas primeiras 24 horas após a chuva. Já a camada mais profunda (9–27 cm) apresenta variações muito menores, evidenciando sua maior estabilidade e menor sensibilidade ao ciclo diário e às chuvas leves. O gráfico também revela um padrão de variação diurna nas camadas superiores, com aumento da umidade durante a noite e queda nas horas mais quentes do dia, sugerindo influência direta da temperatura e da evaporação.
Medição de umidade do solo
Existem sensores de baixo custo para medir a umidade do solo, geralmente usados em projetos de irrigação automática, hortas caseiras e até em vasos. Sensores resistivos (os mais baratos) medem a resistência elétrica entre duas hastes inseridas no solo; quanto mais úmido, menor a resistência. Sensores capacitivos medem a variação de capacitância causada pela presença de água no solo – mais duráveis, resistentes à corrosão e oferecem leituras mais estáveis.
Esses sensores não medem fração volumétrica absoluta (m³/m³) como modelos meteorológicos. Eles dão apenas um valor relativo (seco, úmido, molhado). Assim, para obter valores numéricos, deve-se realizar uma calibração. Cada solo responde diferente, então o ideal é testar em condições de seco e saturado para definir limites práticos.
Verificação da necessidade de regas
Chuvas rápidas e leves aumentam a umidade do solo apenas a superfície (0–3 cm), com efeito passageiro. Chuvas prolongadas ou regas abundantes recarregam camadas intermediárias e profundas, garantindo reserva hídrica por mais tempo. Após a chuva, deve-se observar se os valores se mantêm elevados por mais de 24h. Se caem rápido, o solo é drenante ou a planta está consumindo muito.
Observando o mínimo diário (14–15h), se a umidade do solo superficial cair abaixo de ~0,35 m³/m³, a planta poderá sofrer estresse. Comparando dias consecutivos, quedas progressivas nas camadas intermediárias indicam necessidade de rega, mesmo que a superfície recupere à noite.
Valores abaixo de 0,35–0,38 m³/m³ em solos argilosos com matéria orgânica são sinais claros de que é hora de regar, especialmente sem previsão de chuva. Se há chuva prevista, pode-se adiar a rega; se não há, valores baixos em todas as camadas justificam regar. O ciclo em vasos é mais rápido: quedas de 0,05–0,10 m³/m³ em 24h já são significativas e indicam necessidade de reposição.
Veja mais sobre outros aspectos importantes de Agrometeorologia para jardinagem no post do link. A seguir, o código para uma página HTML contendo o gráfico apresentado acima, gerado através de JavaScript com dados da Open-Meteo.
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<title>Monolito Nimbus - Tempo</title>
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<h2>Precipitação e Umidade do Solo</h2>
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// --- Gráfico Precipitação e Umidade do Solo ---
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