As Terras Altas da Islândia, ou simplesmente Highlands, representam a essência mais selvagem e indomável do país. Cobrindo a vasta maioria do interior islandês, esta região é um planalto desértico e vulcânico onde a natureza dita as regras. Totalmente inacessível durante o longo inverno, as Highlands só se revelam aos aventureiros nos meses de verão, por estradas de montanha (F-roads) que exigem veículos 4×4 e travessias de rios. Longe de qualquer cidade, comodidade ou multidão, este é um reino de paisagens extraterrestres com vulcões, glaciares, desertos de areia negra e tundra.
Landmannalaugar (landmanna [dos povoadores] + laugar [piscinas termais] = “Piscinas dos Povoadores”): A joia das Highlands, uma área de beleza surreal famosa por suas montanhas de riolito em tons de rosa, verde, dourado e azul. É um paraíso para caminhadas, abrigando inúmeras trilhas (como a subida ao pico Bláhnjúkur), campos de lava negra obsidiana e nascentes de água quente naturais onde é possível banhar-se. Landmannalaugar é também o ponto de partida da famosa trilha de vários dias de Laugavegur.

Þórsmörk (Þór [Thor, deus nórdico] + mörk [floresta] = “Floresta de Thor”): Um vale exuberante encravado entre três glaciares (Eyjafjallajökull, Mýrdalsjökull e Tindfjallajökull), que lhe confere um clima surpreendentemente ameno e abrigado. Esta reserva natural contrasta com a aridez das Highlands, oferecendo florestas de bétulas, rios glaciais sinuosos e vistas épicas de montanhas. A partir daqui, inicia-se outra trilha épica, o passo de Fimmvörðuháls, que leva os caminhantes por entre os dois glaciares até Skógar. O acesso é feito apenas por veículos 4×4 e ônibus adaptados, devido aos numerosos e profundos rios a cruzar.
Askja (askja [caldeira/caixa] = “Caldeira”): Um sistema vulcânico remoto e impressionante nas Highlands centrais, cuja paisagem foi considerada tão similar à lunar que a NASA a usou para treinar os astronautas das missões Apollo. A colossal caldeira abriga o profundo lago azul Öskjuvatn, preenchida por águas geotérmicas, onde uma vez foi possível nadar, embora hoje as temperaturas sejam instáveis e o acesso à água possa ser perigoso.
Sprengisandur (sprengi [explodir/estourar] + sandur [areia] = “Areia Explosiva”): O nome já sugere sua natureza inóspita. Mais do que um ponto turístico, é uma das antigas e temíveis rotas de travessia que cruzam as Highlands de sul a norte, entre os glaciares Hofsjökull e Vatnajökull. Esta vasta planície desértica de areia e rocha vulcânica é uma das paisagens mais desoladas e extremas do país, onde os antigos viajantes temiam a fúria da natureza e os “salteadores”. Hoje, a rota F26 é um desafio para os condutores de 4×4 mais experientes.
Kerlingarfjöll e Hveradalir (kerling [mulher velha/bruxa] + fjöll [montanhas] = “Montanhas da Bruxa”): Uma cordilheira de riolito que abriga o espetacular vale geotermal de Hveradalir (“Vale das Fontes Termais”). Neste local, o solo ferve e fumega num festival de cores que vão do laranja e vermelho ao verde e amarelo, esculpido por sulfatos e minerais. Trilhas bem cuidadas serpenteiam entre fumarolas e poças de lama borbulhante, criando uma experiência quase sobrenatural.
Hveravellir (hver [fontes termais] + vellir [campos] = “Campos de Fontes Termais”): Um oásis geotermal entre os glaciares Langjökull e Hofsjökull, classificado como Reserva Natural. Além das impressionantes fumarolas e poças multicoloridas, o local dispõe de uma piscina natural de água quente onde os viajantes podem relaxar imersos na imensidão selvagem das Highlands. Foi também um antigo esconderijo do famoso fora-da-lei Fjalla-Eyvindur, que aqui se refugiava.
Lakagígar (Crateras de Laki): Uma fileira de mais de 100 crateras vulcânicas que se estende por 25 km, resultado de uma erupção catastrófica entre 1783 e 1784 que alterou o clima da Europa. Hoje, a área é um lugar de beleza desolada, onde as crateras estão cobertas por um musgo macio que contrasta com a rocha escura. As caminhadas pelo topo das crateras oferecem vistas panorâmicas sobre este formidável monumento geológico.
Aldeyjarfoss (aldeyja [ilha das ondas] + foss [cachoeira] = “Cachoeira da Ilha das Ondas”): Localizada no extremo norte da rota Sprengisandur, esta poderosa cachoeira de 20 metros despenca num cenário teatral. Suas águas brancas contrastam fortemente com um anfiteatro de colunas hexagonais de basalto negro, tornando-a uma das quedas d’água mais fotogênicas e singulares do país.
Háifoss (hár [alto] + foss [cachoeira] = “Cachoeira Alta”): Com uma queda de 122 metros, é uma das cachoeiras mais altas da Islândia. Situa-se num dos acessos às Highlands, despencando num imenso e profundo cânion. Ao seu lado, a cachoeira Granni (“vizinho”) completa o cenário grandioso.
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