Islândia

Situada no Atlântico Norte, logo abaixo do Círculo Polar Ártico, a Islândia é uma ilha de origem vulcânica com cerca de 103 mil quilômetros quadrados – área semelhante ao estado de Santa Catarina – mas com uma população de apenas 370 mil habitantes, dos quais mais de 60% vivem na capital Reykjavík e seus arredores. Conhecida como a “Terra do Fogo e do Gelo”, o país combina glaciares imponentes (como o Vatnajökull, o maior da Europa) com vulcões ativos, fontes termais, campos de lava cobertos por musgo centenário e cachoeiras que rivalizam em tamanho e força com qualquer outra do mundo. Com tudo isso, já foi cenário de vários filmes e séries.

Lindarbakki em Bakkagerði (casa com telhado de turfa e montanhas com neve ao fundo). Foto: ViniRoger
Lindarbakki em Bakkagerði (casa com telhado de turfa e montanhas com neve ao fundo). Foto: ViniRoger

Veja mais sobre o país nos posts Breve história da Islândia (EM BREVE), Islandês: a língua dos Vikings que o tempo não corrompeu (EM BREVE) e Tempo e clima na Islândia (EM BREVE). A Islândia emergiu nas últimas décadas como um dos destinos turísticos mais fascinantes do planeta. O turismo se tornou um dos pilares da economia islandesa, superando inclusive a pesca. Hoje, o número de visitantes anuais frequentemente ultrapassa quatro vezes a população local. A imensa maioria vem através do aeroporto de Keflavík (KEF), que fica a 45 minutos de carro da capital, Reykjavík.

Uma das formas mais comuns de se conhecer a Islândia é a da rota circular: a famosa Ring Road (Estrada Circular, Rota 1) contorna toda a ilha em cerca de 1.332 quilômetros, conectando a maioria dos pontos de interesse. A partir dela, pequenos desvios levam a joias escondidas. Para turistas com menos tempo disponível, existe outro circuito popular que é conhecido como Golden Circle, mais próximo da capital e com muitos pontos de visitação singulares. Algumas atrações geograficamente próximas podem ser visitadas em um único dia, o que permite montar roteiros para cada região, com hospedagem local. Veja um exemplo (em ordem sugerida de visitação no sentido anti-horário):

  1. Reykjavík e Península de Reykjanes (EM BREVE)
  2. Círculo Dourado (Golden Circle) (EM BREVE)
  3. Costa Sul (South Coast) (EM BREVE)
  4. Região Sudeste (EM BREVE)
  5. Fiordes do Leste (Eastfjords) (EM BREVE)
  6. Região de Mývatn e Norte da Islândia (EM BREVE)
  7. Península de Tröllaskagi e Noroeste (EM BREVE)
  8. Fiordes do Oeste (Westfjords) (EM BREVE)
  9. Península de Snæfellsnes (EM BREVE)
  10. Terras Altas e Interior (Highlands) (EM BREVE)

Existem vários mapas da Islândia com atrações turísticas disponíveis na internet – alguns deles disponíveis apenas depois de cadastro em sites ou pedidos nas redes sociais de perfis que vendem serviços depois. A dica é se programar colocando as principais atrações em um roteiro para cada dia e investigar o caminho no Google Maps para outros pontos de visitação no meio do caminho que te tragam interesse. Existem muitas paradas na beira da estrada ou em pequenos desvios que podem ser muito interessantes para você e não para outras pessoas – veja as avaliações no próprio Google Maps para decidir. Além disso, podem aparecer outras coisas durante a viagem que façam por merecer uma pausa ou mesmo uma foto tirada pelos caronas no carro.

A Islândia tem piscinas geotermais públicas em absolutamente toda cidade com mais de 200 habitantes. Elas são baratas (cerca de 1.000 ISK), limpas e ótimas para socializar, mas sem o charme das lagoas mais turísticas. A etiqueta exige tomar banho completo com sabonete, sem roupa de banho, antes de entrar nas piscinas – os chuveiros são abertos e separados por gênero. A Blue Lagoon é famosa, cara e lotada; as piscinas locais oferecem experiência autêntica por uma fração do preço. A Earth Lagoon também apresenta águas azul claro, enquanto que a Secret Lagoon é a mais antiga ainda em funcionamento. Também existem pontos como o “Hot Spring Shower” (a caminho do Krafla) e a “Landbrotalaug Hot Springs” (na Península de Snæfellsnes) que oferecem banhos quentes gratuitamente mas de uma forma bem rústica.

A aurora boreal não é visível no verão por causa da luz do sol. No inverno, para vê-la, é preciso céu escuro (longe das cidades) e atividade solar moderada/alta. Use aplicativos como Aurora Forecast ou My Aurora Forecast e siga páginas como vedur.is (serviço meteorológico islandês). Não contrate excursões caras para auroras sem antes verificar a previsão – você pode vê-las do estacionamento do seu hotel se as condições estiverem boas. Elas começam a aparecer mais em setembro.

Dicas importantes

O fuso horário da Islândia é o UTC. No verão (junho a agosto), existe o famoso “Sol da meia-noite” (24h de luz), com temperaturas entre 10°C e 15°C. Muitas horas de luz por dia e temperaturas mais agradáveis permitem uma visitação mais agradável e proveitosa, porém é quando tem mais turistas e preços mais altos. No inverno (novembro a fevereiro), é comum ter a aurora boreal e paisagens nevadas. No entanto, mais estradas podem fechar e dias muito curtos (4-5 horas de luz no sul) são bons para auroras mas péssimo para outros aspectos. As estações do ano mais intermediárias de primavera e outono (maio/setembro) tem um melhor equilíbrio entre luz, temperaturas amenas e menos turistas.

O clima islandês é notoriamente imprevisível. Chuva, sol, neve e vento podem ocorrer na mesma hora. A regra de ouro é o sistema de camadas: uma camada base térmica (lã ou material sintético), uma camada intermediária isolante (fleece) e uma camada externa impermeável e corta-vento (jaqueta de chuva e calça impermeável). Botas de trilha resistentes à água são indispensáveis. Nunca subestime o vento – costumam ser fortes e, no inverno, podem fazer a sensação térmica cair drasticamente.

A Islândia tem baixíssima criminalidade, mas acidentes com turistas são comuns por subestimar a natureza. Nunca se aproxime da beira de uma cachoeira (as pedras são escorregadias e a correnteza é forte). Fique atento às “sneaker waves” na praia de Reynisfjara – essas ondas podem surgir sem aviso e arrastar pessoas para o mar. Em trilhas na geleira, contrate um guia certificado. Verifique sempre safetravel.is antes de qualquer aventura.

A água fria da torneira na Islândia é pura e mineral, ou seja, não compre água engarrafada. A água quente cheira a enxofre (cheiro de ovo podre) por causa das fontes geotérmicas, mas é normal e segura. Já a comida é cara: um almoço simples em um restaurante pode custar entre 3.000 e 5.000 ISK. A dica é comprar mantimentos nos supermercados Bónus (logo do porquinho rosa) ou Krónan, que têm preços mais baixos. Leve lanches para as longas estradas.

A Islândia é um dos países mais avançados em pagamentos digitais. Cartões de crédito/débito (Visa e Mastercard) são aceitos em absolutamente todos os lugares, incluindo banheiros públicos de beira de estrada e trailers de cachorro-quente. O dinheiro vivo islandês (coroa islandesa – ISK) é praticamente desnecessário, mas garanta que seu cartão consiga converter euros (ou outra “moeda forte” para ISK), como a Wise faz. Tenha um cartão com chip e senha – muitos postos de combustíveis automatizados não aceitam aproximação (contactless). Aplicativos de pagamento como Apple Pay e Google Pay funcionam amplamente.

A cobertura de celular na Islândia é excelente, mesmo em áreas remotas da Ring Road. A operadora Nova ou Vodafone oferecem chips pré-pagos, mas você pode contratar um serviço de eSIM também. A maioria dos cafés, postos de gasolina e até cabanas nas Terras Altas têm Wi-Fi. O padrão de tomadas é o F: 2 pinos redondos, igual da União Europeia.

Os sites a seguir contém informações importantes para o seu planejamento, seja a curto ou a longo prazo:

Dicas de trânsito

Alugar um carro é a melhor maneira de explorar a Islândia, mas exige atenção. Os veículos 2WD (tração dianteira) são suficientes para a Ring Road no verão, mas estradas de terra (como as das Terras Altas) exigem 4×4. As estradas F (F-road) são acessíveis apenas a veículos 4×4 e permanecem fechadas até meados de junho. Contrate seguro contra pedras na lataria (gravel protection) e contra vento/areia (sand and ash protection) – o vento islandês pode levantar cascalho e danificar portas e pintura.

Sinalização alertando que somente veículos 4x4 XL podem seguir viagem (com exemplo desse tipo de veículo no destaque). Fotos: ViniRoger
Sinalização alertando que somente veículos 4×4 XL podem seguir viagem (com exemplo desse tipo de veículo no destaque). Fotos: ViniRoger

A Zero car (subsidiária da Blue Rental, uma das maiores locadoras locais da Islândia) já oferece aluguel de carros com cobertura total. Cuidado com seguros de “intermediários” como a Discovery cars (chamado de Full Coverage). Nesses casos, é uma proteção adicional que funciona por reembolso: se houver algum custo com o carro alugado, você paga no local e depois envia a documentação para ser reembolsado.

Fora de Reykjavík, a Ring Road tem trechos de asfalto em bom estado, mas também longos trechos de brita. O perigo maior é o vento cruzado, que pode desviar o carro na saída de vales ou mesmo danificar as portas quando abertas contra o vento. Cuidado com ovelhas soltas e outros animais na pista – eles têm prioridade. Pontes de pista única (muitas no leste) exigem negociação visual com quem vem no sentido oposto. Faróis baixos devem estar acesos 24 horas por dia (é lei).

Não saia da estrada. Dirigir fora da estrada é crime e causa danos ao ambiente que levam décadas para se recuperar. Mesma razão para não perturbar o musgo que cobre os campos de lava: é centenário e não se regenera rapidamente. Também não esqueça de levar seu lixo embora. Banheiros públicos são comuns em postos de gasolina e nas principais atrações. Não urine na natureza (além de ser desrespeitoso, é proibido em áreas protegidas). Em estradas estreitas demais, existem algumas aberturas nas laterais (tipo de acostamento em forma de meia-lua improvisado) por vezes sinalizadas com uma plaquinha azul com um M branco (“Meeting point”), para encostar e dar passagem para o veículo que vem no sentido contrário.

Exemplo de placa M antes de um mata-burro. Foto: ViniRoger
Exemplo de placa M antes de um mata-burro. Foto: ViniRoger

Nas cidades islandesas, o estacionamento é regulado por placas claras e símbolos universais, como a letra “P” acompanhada de informações adicionais. É comum encontrar zonas com limite de tempo gratuito (ex.: “P + 1 klst” para uma hora) ou áreas pagas, onde o pagamento é feito em parquímetros ou por aplicativos como o Parka (que cobra uma taxa de uso). Preste atenção às marcações no solo: linhas azuis indicam vagas exclusivas para residentes com autorização, e áreas com cruzamentos amarelos proíbem qualquer parada. Atualmente, só as cidades de Reykjavík e Akureyri têm áreas pagas de estacionamento urbano.

Nos parques nacionais e áreas naturais, o estacionamento é permitido apenas nos locais designados, geralmente próximos às trilhas e centros de visitantes. Nunca pare no acostamento fora dessas áreas, pois o terreno pode ser enganoso: a areia vulcânica ou cascalho fofo é comum e frequentemente causa atolamento de veículos, exigindo guinchos caros e atrapalhando a conservação do solo. As vagas oficiais são gratuitas na maioria dos parques menos visitados, mas locais famosos podem cobrar taxas (cerca de ISK 750-1.200) e apresentam fiscalização através de câmeras automáticas que leem a placa do carro.

Exemplo de bomba de auto-serviço. Foto: ViniRoger
Exemplo de bomba de auto-serviço. Foto: ViniRoger

Para abastecer, todas as bombas dão o passo-a-passo para serem operadas, mas você tem que ser rápido para completá-la, senão o tempo expira e você terá que reiniciar tudo. O comum é iniciar inserindo um cartão para validação e uma “pré-cobrança” de um valor alto, para depois de abastecer o carro esse valor ser corrigido para o valor realmente usado ao final do abastecimento.

Evite a opção “full tank” que a princípio calcularia por você o quanto colocar, pois se você não chegar ao fim da operação porque o tempo expirou, ou a bomba estiver com defeito, ou sem combustível, ou qualquer outra razão que te impeça de colocar algo no tanque, esta opção vai de qualquer jeito reduzir o limite do teu cartão em 25 mil coroas islandesas (ISK) por umas 72 horas ou mais. O posto te cobra este valor como uma garantia (caução) que, até ser estornada para sua conta, pode te deixar em apuros financeiros.

Assim, a melhor forma de abastecer é escolher um valor fixo, e se o tanque encher antes, somente o valor realmente abastecido será considerado. Como os valores estão em ISK, é bom fazer uma conta rápida para estimar esse valor considerando a capacidade do tanque. Considerando 220 ISK por litro e um tanque com capacidade de 40 litros, 1000 ISK correspondem a 4,55 litros e 5000 ISK a 22,73 litros (meio tanque). Uma boa estratégia é sempre encher o tanque toda vez que estiver próximo de meio tanque no carro.

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