Por: Evandro Batista Especialista em Dados Hidrológicos e Meteorológicos
BOM JESUS DA LAPA (BA) – O cenário no leito do Rio São Francisco mudou drasticamente nos primeiros 14 dias de 2026. Após um início de ano marcado por uma queda brusca no nível das águas, o “Velho Chico” volta a demonstrar sua força, impulsionado por fenômenos meteorológicos que conectam a Amazônia ao Atlântico Sul.

A Montanha-Russa das Águas
O monitoramento realizado na estação fluviométrica da Ponte Gercino Coelho registrou variações significativas em um curto período:
- 26/12/2025: O rio atingiu 5,10 metros, o maior volume do ano passado.
- 02/01/2026: Uma queda acentuada levou o nível para 3,30 metros.
- 14/01/2026 (Hoje): O nível saltou para 5,51 metros, com uma vazão robusta de 2.250 m³/s.
O Motor da Cheia: A ZCAS
Essa recuperação é fruto da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS). Este fenômeno, típico do verão brasileiro, funciona como um verdadeiro “corredor de umidade”. Ele canaliza nuvens carregadas da região amazônica, cruzando o Centro-Oeste e o Sudeste até alcançar o sul e oeste da Bahia.
“A ZCAS é o vetor dos grandes volumes de chuva que estamos vendo agora. É essa pista de nuvens que atravessa o continente e descarrega a água que alimenta nossos afluentes”, explica o pesquisador Evandro Batista.
Previsão: O que esperar para a próxima semana?
A tendência é de subida contínua. Devido à vasta extensão da bacia, as chuvas que caem nas cabeceiras em Minas Gerais levam de 5 a 10 dias para percorrer o trajeto até os sensores de Bom Jesus da Lapa e Carinhanha.
Se os modelos meteorológicos se confirmarem, um novo corredor de umidade deve se estabelecer na próxima semana, podendo evoluir para um segundo episódio de ZCAS, garantindo ainda mais volume para o Rio São Francisco neste mês de janeiro.
