Cloud Atlas – Romance

O romance “Cloud Atlas”, de David Mitchell, foi publicado em 2004. Ele reúne seis histórias distintas organizadas numa estrutura de espelho e interrupção: cada relato começa e é interrompido no ponto crucial, dando lugar ao próximo, até que a segunda metade do livro retome as narrativas na ordem inversa e as conclua. As seis partes variam de forma, época, tom e voz — de cartas de viajante do século XIX a um diário futurista, de um thriller jornalístico a uma novela epistolar — e juntas produzem um padrão em que temas centrais reaparecem: interconexão humana, exploração e opressão, ética da escrita, legado cultural e a persistência de traços da condição humana ao longo do tempo.

Capa do livro Cloud Atlas (2004). Fonte: divulgação
Capa do livro Cloud Atlas (2004). Fonte: divulgação

No interior ficcional do romance, o jovem compositor Robert Frobisher cria uma peça intitulada “Cloud Atlas Sextet”, para seis solistas que se sobrepõem, interrompem e imitam uns aos outros; a construção musical funciona como metáfora formal e temática para o próprio romance, no qual vozes distintas se sobrepõem e ressoam em ecos através dos séculos. A ideia de reencarnação e de continuidade moral — personalidades, memórias e temas que retornam sob formas diferentes — aparece de modo recorrente, assim como a oposição entre o mutável (as nuvens, as circunstâncias históricas) e o tentativo de mapear ou cristalizar significado (o atlas, o registro) através da narrativa.

“Cloud Atlas” foi adaptado ao cinema em 2012 por Tom Tykwer, Lana Wachowski e Lilly Wachowski. O filme preserva a estrutura geral do romance ao entrelaçar as seis histórias e ao repetir atores em diferentes papéis ao longo das épocas, enfatizando a ideia de almas/temas que viajam através do tempo. O longa privilegia a montagem entrelaçada — alternando mais rapidamente entre as tramas do que o romance faz — e aposta fortemente no desempenho e na iconografia visual para ligar as histórias.

Cartaz do filme Cloud Atlas (2012). Fonte: Wikipedia
Cartaz do filme Cloud Atlas (2012). Fonte: Wikipedia

David Mitchell afirmou em entrevistas que o título “Cloud Atlas” foi inspirado por uma gravação da peça homônima do compositor japonês Toshi Ichiyanagi; Mitchell comprou o disco inicialmente porque apreciou o título. A suíte para piano “Cloud Atlas I–X” (1985-99) é referenciada no enciclopédia PTNA com detalhes das 10 partes (informação sobre duração e publicação pela Schott), sendo que as primeiras três partes podem ser ouvidas no link, executadas pela pianista Yukie Nagai.

No romance, o motivo nomeia explicitamente a composição criada por Robert Frobisher, o “Cloud Atlas Sextet”, cuja estrutura musical — entradas, interrupções e sobreposições de seis vozes — funciona como modelo formal para o próprio romance. A palavra “cloud” sugere o mutável, o efêmero e o emaranhado de formas transitórias; “atlas” remete a um esforço de mapear, catalogar ou estruturar aquilo que é variável. Essa tensão entre mudança e registro, entre o que se transforma e o que tenta reter sentido, informa a leitura temática do livro e conecta-se às ideias de reencarnação simbólica e de persistência de traços éticos e humanos ao longo do tempo.

Não existe uma peça histórica conhecida chamada “Cloud Atlas Sextet” fora da ficção de David Mitchell; no romance a composição é inventada como obra de Robert Frobisher. Para o filme de 2012, porém, os compositores Tom Tykwer, Johnny Klimek e Reinhold Heil criaram uma peça/suite chamada “The Cloud Atlas Sextet” para a trilha sonora, e gravações dessa versão do filme estão disponíveis comercialmente.

Fontes

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