A cafeteira Moka foi criada em 1933 por Alfonso Bialetti, com o objetivo de oferecer em casa uma experiência semelhante ao café expresso, de forma prática e acessível. O nome “moka” remete ao mocaccino, bebida que faz referência à cidade portuária de Moca, no atual Iêmen, historicamente ligada ao café. Embora não se saiba exatamente como essa cidade acabou associada à receita que combina café, leite e chocolate, até o século 19 “moca” era um termo comum para designar o cafezinho diário. Já no início do século 20, surgiram receitas que misturavam café e chocolate, possivelmente influenciadas pelas notas naturalmente achocolatadas do café iemenita, o que ajudou a consolidar tanto a fórmula quanto o nome do mocaccino.
Moca, localizada no Mar Vermelho, foi durante séculos sinônimo de café. Em 525, o Império Axum conquistou o Reino Himiarita, no território que hoje corresponde ao Iêmen, levando mudas de café que se adaptaram bem aos planaltos locais. Por muito tempo, quase toda a produção destinada à exportação vinha dessa região. No século 16, o Iêmen passou ao domínio do Império Otomano, o que ampliou o comércio. A partir de Moca, o café atravessava o Mar Vermelho até Suez, no Egito, em uma rota de cerca de 1,9 mil quilômetros. Antes da abertura do Canal de Suez, era necessário seguir por terra: caravanas de camelos transportavam os grãos por mais de 360 quilômetros até Alexandria. Nos armazéns da cidade, comerciantes europeus abasteciam seus navios e cruzavam o Mediterrâneo rumo ao continente. Até o fim do século 17, todo o café que chegava à Europa tinha como ponto de partida o porto de Moca.

O design original da Moka consistia em uma estrutura de oito lados feita de alumínio, que permitia uma distribuição uniforme do calor. A Moka era composta de três partes: a base para a água, o filtro para o pó de café e a câmara superior para o café já pronto.
Apesar de sua aparência simples, o funcionamento desse equipamento é frequentemente explicado de maneira incorreta. A ideia comum é que a água da base atinja a ebulição, transforme-se em vapor, suba até o compartimento do café, condense novamente e, assim, origine a bebida. No entanto, esse não é o mecanismo real.
O que acontece, na prática, é um processo baseado em pressão. Quando a cafeteira é colocada sobre o fogo ou sobre uma superfície aquecida, a água começa a esquentar. Junto com ela, o ar presente no espaço interno da parte inferior também se aquece. Como todo gás, ao ser aquecido, esse ar tende a se expandir. Mas, estando confinado em um recipiente rígido e fechado, ele não consegue se expandir livremente. O resultado é um aumento da pressão dentro da câmara inferior.
Esse aumento de pressão atua sobre a água, que é um líquido praticamente incompressível. Assim, a água é forçada a subir pelo tubo central da cafeteira. Não é necessário que a água esteja em ebulição total para que isso aconteça: basta uma diferença relativamente pequena de pressão para empurrá-la através do café moído. O tubo interno da moka tem apenas alguns centímetros de altura, e por isso um acréscimo modesto de pressão já é suficiente para fazer a água percorrê-lo e atravessar o pó de café.

Dessa forma, a moka funciona como um sistema em que a pressão do ar aquecido e da água em aquecimento empurra o líquido para cima, fazendo com que ele passe pelo café moído, extraia seus compostos aromáticos e, enfim, se deposite na parte superior, pronto para ser servido. Esse princípio lembra, em certa medida, o experimento de Torricelli que demonstrou a pressão atmosférica: no caso da cafeteira, em vez de retirar o ar para criar vácuo, aumentamos a pressão no interior do recipiente.
A moka é muitas vezes chamada de “stove-top espresso maker” (cafeteira estilo expresso para fogão), mas não alcança a pressão necessária para produzir um expresso legítimo — que exige cerca de 9 bar. A moka opera com pressões significativamente menores, entre 1 e 2 bar. Apesar disso, o café resultante é forte e encorpado, com um perfil mais intenso que o café coado tradicional.
Para sua limpeza, é recomendado lavar somente em água corrente, sem passar esponja com detergente ou sabão. Uma vez por mês, também é bom desmontar e lavar as partes internas, com o auxíliio de bicarbonato de sódio – veja nesse vídeo.
Fontes

Huum, deu até vontade de um cafezinho com bolo