Dirigindo na Itália

Andar de automóvel na Itália pode ser complicado nos centros de grandes cidades, devido ao trânsito, ou em centros históricos, devido à restrição de tráfego, assim como estacionamento. Porém, é a forma mais rápida de conhecer mais cidades em menos tempo. Veja algumas dicas para dirigir na Itália.

Permissão Internacional para Dirigir

Para brasileiros que não são residentes na Itália, é válida a CNH brasileira (Carteira Nacional de Habilitação), desde que anexe uma copia traduzida e juramentada, pelo período de um ano após a entrada na Itália (mais informações no site do Automobile Club d’Italia. Também é possível solicitar a PID (Permissão Internacional para Dirigir), com validade de 1 ano, no Detran de seu estado, para quem já possui CNH. O documento vale como uma carteira de habilitação em quase cem países que assinaram o tratado de reciprocidade da Convenção de Viena (clique no link para ver uma lista de países onde aceitam a PID). Na verdade, trata-se de uma cópia da sua CNH, com a mesma data de validade, mas tem a forma de um livrinho, com a tradução para diversas línguas, porém só é válida para turista (como residente, ela não tem validade).

Estradas

A autoestrada é designada pela letra A, seguida de um número. Uma dica de site com mapas das estradas é o da Michelin (dá pra imprimir os mapas ou consultar online). Já estradas secundárias (designadas pela letra E ou SS) em regiões de relevo acidentado existem curvas que chegam a ter 180°, onde os ônibus são obrigados a dar várias marchas à ré para seguirem. Em curvas onde só cabe um veículo, às vezes há um grande espelho para você ver se vem carro no sentido contrário.

Limites de velocidade

  • Centros urbanos – 50km/h e 30km/ em alguns pontos;
  • Estradas extraurbanas segundarias – 90 km/h;
  • Estradas extraurbanas principais – 110km/h, podendo cair para 90 com chuva/neve (identificada pela cor azul, conforme figura);
  • Autoestrada – 130km, podendo cair para 110 com chuva/neve (identificada com a placa verde, onde tem a cobrança de pedágio).

Fiscalização de velocidade pode ser feita medindo a velocidade instantânea do automóvel pelo “autovelox” (uma caixa quase do tamanho de uma pessoa que fica do lado direito da via) ou em portais eletrônicos (alguns tem um sensor e câmera para cada faixa de tráfego).  Existe também o sistema “Safety Tutor”, que calcula a velocidade média. Ele funciona da seguinte forma: você passa com o carro em um portal e após alguns quilômetros passa em outro; em cada momento, a placa do seu carro é fotografada e identificada eletronicamente; sabendo-se a distância e obtendo-se o tempo demorado para percorrer esse espaço, é calculada a velocidade média do carro; sendo superior à permitida, aplica-se a multa. Nesses trechos, geralmente o GPS fica apitando direto para lembrar o motorista da fiscalização. Os mesmos limites são aplicados em outros países da União Europeia.

vel_italia

Sinalização

Veja as placas que mais causam confusão para os brasileiros e seus significados no link de placas de sinalização de trânsito. De modo geral, a sinalização é padronizada nos países da União Europeia. Em Portugal, mesmo falando português, tem alguns termos diferentes dos utilizados no Brasil e que merecem uma pequena lista com exemplos:

Brasil Portugal
trecho (de estrada) troço
rotatória rotunda
alça de acesso lanço/sublanço
pedágio portagem
ticket título
ônibus autocarro
ponto de ônibus paragem
van/perua carrinha
trem comboio
bonde eléctrico
pedestre peão
faixa de pedestres passadeira
carteira de motorista carta de condução
faróis médios
freio travão
Em regiões com ocorrência de vento lateral (geralmente vales), além da sinalização, existe uma biruta (ou manga de vento, em Portugal) para indicar a direção do vento e se está forte ou fraco.

Em regiões com ocorrência de vento lateral (geralmente vales), além da sinalização, existe uma biruta (ou manga de vento, em Portugal) para indicar a direção do vento e se está forte ou fraco.

No Brasil e EUA, é comum a faixa que separa o tráfego na pista ser de cor amarela quando a via é de mão dupla e branca se for de mão única. Já na União Europeia, em ambos os casos a cor é branca (somente é amarela em caso de obras na pista).

Restrição de tráfego

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“Zona di traffico limitato (ZTL)” – a maioria dos centros históricos e outras regiões da mesma cidade podem apresentar trânsito restrito (somente moradores e autorizados podem circular), algumas vezes com câmeras nas entradas e multa para quem não tiver autorização. Essas vias tem sua entrada sinalizada com uma placa semelhante à da foto acima. Um mapa atualizado das ZTL pode ser obtido nos postos das autoestradas, por exemplo os da Michelin. No site mochileiros.com tem alguns mapas (de Florença, Lucca, Pisa, e Roma), que podem estar desatualizados até o momento da sua viagem mas pelo menos servem como base. Veja os links dos mapas para algumas cidades:

“Corsia riservata (preferenziali) ai mezzi pubbliche” – Faixas demarcadas por linhas amarelas exclusivas ao tráfego de veículos públicos.

Veja fotos e mais no link O que você deve saber antes de dirigir na Itália. Existe trânsito pesado nas vias principais e as de acesso aos grandes centros urbanos no horário de pico (7:30 – 9:00 e 17:30 – 19:30 geralmente durante a semana) e às regiões litorâneas (sobretudo no verão). Em Roma, o trânsito é intenso em em muitos cruzamentos os carros atravessam de todos os lados sem sinalização.

Estacionamentos

Paga-se o estacionamento em vias públicas através de um máquina chamada “Parcometro”, de cor azul e identificados com uma placa azul com a letra “P”. O pagamento é à base de moedas – tenha sempre consigo moedas em quantidade suficiente para as maquininhas. Depois de pagar, deve-se anexar o recibo no interior do vidro do carro. O estacionamento para turistas e não residentes na zona são demarcados com a cor azul; linhas brancas demarcam vagas SOMENTE PARA RESIDENTES da área e linhas amarelas reservam vagas para deficientes e meios públicos. Veja um vídeo de como funciona o “parcheggio”:

Existem também estacionamentos privados e públicos que usam um sistema semelhante ao dos shoppings: retira-se um ticket em uma cancela na entrada e quando for sair com o carro deve-se pagá-lo em uma máquina (geralmente são aceitas notas, pois espera-se que o carro possa ficar dias parado lá).

 

Combustível

Existem dois combustíveis mais comuns: “Benzina” (gasolina, cor verde) e “Diesel” (cor preta). Os valores atualizados do litro dos combustíveis podem ser consultados clicando no link. Nos postos, geralmente quem coloca o combustível é o próprio motorista (self-service). As bombas são destravadas, você abastece e paga dentro da loja de conveniência, ou também existem as máquinas automáticas (veja o vídeo a seguir):

Pedágio

O custo do pedágio (“pedaggio”) varia de acordo com a rota (trecho percorrido) e o tamanho do veículo. Na saída da cidade você retira um cartão que você precisa manter com você até o final da viagem. Mesmo que a cancela estiver levantada ou vários carros passando sem pegar nada, pare e aperte o botão vermelho para retirar o “biglietto”. Quando chegar a uma saída qualquer ou ao destino, haverá uma grande praça de pedágio com diversas cabines para pagamento. Procure pelas cabines com placas mostrando dinheirinho na parte de cima – as cabines que está escrito Telepass ou VIAcard (cartão pré pago) em uma placa amarela ou azul são para as pessoas que tem autorização ou um sensor de pedágio eletrônico como “sem parar” e as cabines com um cartão desenhado em fundo azul aceitam cartão de crédito. Em Portugal existe um sistema semelhante, o Via Verde – veja mais sobre pedágios em Portugal clicando no link.

O link a seguir mostra imagens de como funciona o pedágio e o que fazer caso não consiga pagá-lo. Para cálculo do valor a ser pago conforme os trechos de viagem, use o link autostrade.it. Veja um vídeo com o pagamento realizado na cabine:

Na Suíça, deve-se comprar um “vignetto” (selo/adesivo) à venda em postos de gasolina, postos de imigração, correios ou pela cidade. Pagamento em dinheiro, cartão de crédito ou débito, custam em torno de 40 francos suíços e valem para o ano todo. A maioria das auto-estradas na França tem pedágios (sinalizadas em azul), enquanto as que não tem pedágios estão sinalizadas em verde, devendo pegar seu bilhete ao entrar, e pagá-lo depois de acordo com a distância viajada. Pagar em dinheiro, cartão de crédito ou débito nas cabines nas estradas com operadores ou automáticas. Bom levar sempre dinheiro trocado.

Aluguel de veículo

Empresas como Auto Europe, Hertz, Avis e Europcar são muito encontradas. O pagamento geralmente é feito pela internet através do cartão de crédito. Ao terminar a compra, a empresa envia por e-mail um documento chamado voucher: imprima todas as folhas e entregue no balcão de atendimentos da empresa para retirar o veiculo, juntamente com a apresentação de sua carta de motorista e documento de identidade (passaporte brasileiro ou carta d’identità italiana).

Geralmente a empresa lhe oferecerá o contrato de um seguro diário, caso contrário, bloqueará um valor no seu cartão de crédito (por volta de 300 euros). Junto com o contrato, você receberá uma folha com o desenho do veículo e quais danos existem na lataria – caso exista algum amassado que não esteja relacionado, volte à loja e peça a presença do funcionário. Considera-se uma diária de carro o período de 24 horas (contados a partir do momento de retirada do veículo). Encha o tanque antes de devolver – se você devolvê-lo vazio, a empresa vai cobrar o combustível em espécie, a um preço possivelmente mais alto do que nos postos locais.

Faróis

Em alguns países, é obrigatório o uso de luz diurna de circulação (lanterna ligada, por exemplo). Na Suíça, o veículo deve conter lâmpadas de reposição. Os faróis devem ser usados em túneis e os faróis baixos são obrigatórios a todo momento. Dirigir na França requer ajustar o padrão de feixe para se adequar a condução à direita, de modo que as luzes de cruzamento não ofusquem motoristas que se aproximam.

Fechando o post, veja esse vídeo “dirigindo em Pisa (Itália)”:

Principais fontes: Como dirigir em …, Turista Profissional, Notícias da Bota.

Seguro de saúde

Os 27 países europeus que integram o Tratado de Schengen exigem que o turista tenha um seguro-viagem com cobertura mínima de 30 mil euros. São eles: Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estônia, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Hungria, Itália, Irlanda, Islândia, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Noruega, Polônia, Portugal, Reino Unido, República Tcheca, Romênia, Suécia e Suíça. O Tratado de Schengen, é uma convenção entre países europeus sobre uma política de imigração comum e controle compartilhado de fronteiras. De certa forma, é uma maneira de não onerar o governo com custos de atendimentos médicos para estrangeiros que ficaram doentes ou se acidentaram enquanto viajavam pelo país. Existem relatos de pessoas que viajaram sem o seguro e não tiveram problemas e dezenas de outros que não puderam ficar por não possuírem um seguro de viagem e tiveram que voltar logo após desembarcarem.

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