Aviões DC-3

O DC-3 foi um avião bimotor que revolucionou o transporte de passageiros nas décadas de 1930 e 1940. Sua velocidade máxima atingia 370 km/h (200 kt) e teto máximo de 7 km (23 mil pés), não apresentando cabine pressurizada. O primeiro voo dessa aeronave produzida pela Douglas Aircraft foi no final de 1935, nos Estados Unidos. Mais de 10 mil unidades foram fabricadas em suas várias versões, sendo que alguns ainda operam comercialmente – por exemplo, na Colômbia.

Avião DC-3 da Varig doado ao Museu Eduardo Matarazzo. Foto: ViniRoger

Avião DC-3 da Varig doado ao Museu Eduardo Matarazzo. Foto: ViniRoger

A Douglas Aircraft Company (DC) foi uma empresa americana fundada em 1921. Fundiu-se com a McDonnell Aircraft Corporation em 1967, por causa de problemas financeiros. Em 1997, a McDonnell Douglas (MD) se fundiu com a Boeing.

O Douglas DC-3 foi projetado fora dos padrões de sua época: possui dois motores (em vez de três) fabricados pela Wright e Pratt & Whitney, fuselagem e asas inteiramente em metal (antes haviam partes de madeira e lona), hélices de passo variável, fuselagem espaçosa, lavatório e espaço para preparo de refeições. O primeiro protótipo foi concluído em 1933 e recebeu o nome de Douglas Comercial No. 1. Durante a Segunda Guerra Mundial, uma versão militar do DC-3, o C47 Skytrain, foi projetada e construída nos EUA e em outros países por concessão (inclusive Rússia e Japão).

Mais de 16 mil aviões DC-3 foram produzidos. Sua produção foi interrompida com o fim da segunda guerra mundial, mas alguns continuam voando até hoje.

Apareceu nos filmes “Indiana Jones e a Última Cruzada” e no “Caçadores da Arca Perdida”, onde foi usado por Indiana jones e Marion Ravenwood para voar do Nepal para o Egito. Também “estrelou” o filme “Rocky IV” com falsas marcações soviéticas “Aviainija Rossija” transportando Ivan Drago, desafiante do ex-campeão Apollo Creed e que também luta com Rocky. Veja os filmes onde o DC-3 já apareceu clicando no link.

O Douglas C-47 Skytrain é a versão militar da aeronave de passageiros DC-3. Como grande parte dos aviões DC-3 vieram para o Brasil após a Segunda Guerra Mundial através da Força Aérea Norte Americana (USAAF), é comum encontrar esse “segundo nome” para identificá-los. Uma versão dedicada ao transporte de tropas foi o C-53 Skytrooper, que possuía o chão sem reforço. Já os aviões de uso civil confiscadas para uso militar receberam as designações C-48, C-49 e C-50.

Museu Catavento

O DC-3 exposto no vídeo (prefixo PT-KUB) é de 1936 e foi utilizado como cargueiro militar na Segunda Guerra Mundial, sendo posteriormente adquirido pela VASP e adaptado para a versão civil. Transportou passageiros e cargas na ponte área Rio-São Paulo até 1972.

O exemplar pertencia à Fundação Projeto Rondon, que coordena a ação interministerial de mesmo nome do Governo Federal que visa a somar esforços com as lideranças comunitárias e com a população, a fim de contribuir com o desenvolvimento local sustentável e na construção e promoção da cidadania. Foi doado em 1979 ao Museu da Tecnologia de São Paulo, que ficava ao lado da Cidade Universitária.

DC-3 em frente ao Edifício Pioneiro, parte do Museu de Tecnologia - note a escada, que dava acesso ao seu interior. Foto: Fundação Museu de Tecnologia

DC-3 em frente ao Edifício Pioneiro, parte do Museu de Tecnologia – note a escada, que dava acesso ao seu interior. Foto: Fundação Museu de Tecnologia

Com número de série 34.285, saiu do Parque de Material Aeronáutico dos Afonsos (Rio de Janeiro/RJ) às custas da Fundação Museu de Tecnologia. Nos documentos de doação, consta que o prefixo anterior era PP-SPO e depois foi alterado para PT-KUB. Seus motores 1 e 2 tinham 8.492 e 15.590 horas de funcionamento, respectivamente.

Em 2011, após o encerramento das atividades do Museu, seu acervo foi transferido para o Catavento Cultural e Educacional, localizado no Parque D. Pedro II, centro da capital paulista. O museu ainda possui outros equipamentos expostos ao ar livre e um centro de divulgação científica insalado no Palácio das Indústrias.

Museu Eduardo Matarazzo

O DC-3 matriculado como PP-VBK foi entregue em 1943 para a Força Aérea dos Estados Unidos. Em 1948, foi adquirido pela Varig e em 1970 foi doado ao Museu Eduardo Matarazzo, localizado na cidade paulista de Bebedouro.

Após o término da Segunda Guerra Mundial, a Varig adquiriu uma grande frota de aviões DC-3, que cresceu. Com a compra da Real-Aerovias-Nacional em 1961, a frota foi de 23 para 49 aeronaves em serviço. Durante as década de 1950 e 1960, os DC-3, juntamente com os Curtiss C-46, foram as principais aeronaves da VARIG para voos de curta distância.

Sítio do Carroção

O avião começou a voar na USAAF em 1943, sendo posteriormente repassado à FAB, ganhando o registro FAB 2035. Foi vendido para a VOTEC (Voos Técnicos e Executivos) no final dos anos 1970, recebendo a matrícula PT-KYX, e posteriormente pela Rico Linhas Aéreas para voos regionais na Amazônia. Em 1989, a Rico vendeu a aeronave ao Sítio do Carroção, na cidade de Tatuí/SP, sendo transportada em dois caminhões, de Roraima até seu local definitivo, onde foi apoiada em duas árvores “petrificadas” no meio da mata.

Manoel Cerqueira Leite adquiriu o sítio Ribeirão das Pederneiras, nos anos 1960. Seu filho, Luís Gonzaga Rocha Leite, publicitário e artista plástico, começou a transformar o espaço. A construção da casa principal começou em 1969. No ano seguinte, um antigo carroção, encontrado por Luís Gonzaga durante filmagens publicitárias, é restaurado e torna-se o marco do empreendimento. Em 1971, começam as atividades de recreação e acampamentos de férias. São mais de 150 funcionários diretos e várias atrações, como piscinas, labirinto, caverna do lago azul, aquário e um “esqueleto” de dinossauro – visite o site para conhecer os projetos pedagógicos de aprendizagem fora de sala de aula.

Cidade da Criança

Esse DC-3 pertenceu, de 1937 a 1947, à Pan American World Airways – mais conhecida como Pan Am, a principal companhia aérea norte-americana da década de 1930 até o seu colapso em 1991. Em seguida, foi repassada à Avianca e, no mesmo ano, à Viação Aérea Bahiana, que adquiriu outros dois DC-3 e um Boeing 274D. Em 1953, a aeronave foi vendida à Transportes Aéreos Nacional onde ganhou a matrícula PP-ANN.

Três anos mais tarde, a Real Aerovias (futuramente absorvida pela VARIG em 1960) comprou o DC-3, que voou com as cores da Real até o final de 1966, quando então recebeu a pintura azul e branco da VARIG. Em 1969, a aeronave foi retirada de serviço, desmontada em 1970 e transportada para o Parque Cidade da Criança, em São Bernardo do Campo/SP.

A Cidade da Criança é um parque de diversões localizado atrás dos antigos estúdios da Companhia Cinematográfica Vera Cruz. Foi o primeiro parque temático do Brasil, tendo sido criado em 1968, permanecendo fechado entre 2005 e 2010.

Chegou a receber pintura do Projeto Rondon, como se fosse a aeronave PT-KTW, recebendo o apelido “Tico-Tico”. No entanto, não há registros que ele tenha sido usado nesse projeto, inclusive porque a VARIG não fez doação de aeronaves com esse propósito. Também existem relatos de que este DC-3 simulava um voo através de uma tela que projetava um filme e se movimentava por meio de sistemas hidráulicos.

DC-3 em São Bernardo do Campo. Foto: ViniRoger

DC-3 em São Bernardo do Campo. Foto: ViniRoger

Museu da TAM

Quando doado ao Museu da TAM, o DC-3 “Rose” ainda estava em condições de voo – veja no link algumas fotos do Rose pousando em São Carlos e seguindo para o Museu. A aeronave foi construída em 1943 pela Douglas Aircraft Co., em Santa Monica, EUA. Durante a Segunda Guerra Mundial, transportou pára-quedistas à França na invasão do Dia D, em junho de 1944, e ainda preserva algumas marcas dessa batalha em sua fuselagem.

Após a guerra, o avião retornou aos Estados Unidos, onde voou com as cores da Pan American Airways, além de ser operado no Brasil por sua subsidiária Panagra (Pan American Grace Airways). Em seguida, o “Rose” fez parte da frota de diversas outras companhias aéreas, até ser usado para lançamento de pára-quedistas, antes que o casal John e Betty Pappas o comprasse e o utilizasse para realizar vôos panorâmicos, com quem o “Rose” viajou por quase todas as cidades dos Estados Unidos, além de ter sido usado pela TCM (Turner Classic Movies) em diversas filmagens de clássicos do cinema americano. Depois, a Boeing o comprou e o doou ao Museu Asas de um Sonho em plenas condições de voo.

DC-3 no Museu Asas de Um Sonhos. Foto: ViniRoger

DC-3 no Museu Asas de Um Sonhos. Foto: ViniRoger

Outros locais no Brasil com aviões DC-3 em exposição

  • FAB 2009 – Museu Aerospacial – Campo dos Afonsos (Rio de Janeiro/RJ) (Google Maps)
  • FAB 2015 – Museu Aerospacial – Campo dos Afonsos (Rio de Janeiro/RJ) (Google Maps)
  • PP-AVJ – Museu Aerospacial – Campo dos Afonsos (Rio de Janeiro/RJ) (Google Maps)
  • PP-AKA (FAB 2017) – Museu Aeroterrestre da Brigada de Infantaria Páraquedista – Campo dos Afonsos (Rio de janeiro/RJ) (Google Maps): primeiro avião usado para prática de paraquedismo militar, está próximo a um bombardeiro
  • FAB 2032 – Base Aérea de Belém/PA (Google Maps): está próximo ao PBY-6A Catalina FAB 6552
  • HC-ALD – Aeroporto de Tabatinga/AM (Google Maps): apreendido pela Polícia Federal, foi doado ao Exército em 2011 e virou uma sala de cinema, na entrada do parque zoobotânico (veja mais no link)
  • PT-KZF – Parque Pedagógico Apoena Eco Park – Pacatuba/CE (Google Maps)
  • PT-BFU – Pátio da AESO – Olinda/PE (Google Maps): depois de permanecer junto a Cervejaria Campo de Pouso na Praia de Maria Farinha, foi doada à Falcudades Integradas Barros Melo, onde recebeu pintura da equipe de Romero Britto
  • PT-KVA – Praça da Cultura – Alta Floresta/MT (Google Maps): pertenceu à Cruz Vermelha durante a 2ª Guerra Mundial, passou pela FAB e foi essencial para transportar colonos, garimpeiros e cargas nos anos 1980 na região. Em 2006, o avião foi doado ao município pelos pilotos e proprietários Wilson Clever Lima e William José Lima (Irmãos Metralha)
  • PT-AOB – Aeroporto Pinto Martins – Fortaleza/CE (Google Maps): após a 2ª Guerra Mundial, foi comprado pela empresa Cruzeiro do Sul e adaptado para aerofotogrametria. Está abandonado em um cemitério de aviões
  • PP-VDM – Aeroporto de Parauapebas/PA (Google Maps): primeiro avião a pousar no aeroporto de Carajás – de 1942, voou 40 anos e 43 mil horas
DC-3 no aeroporto de Parauapebas/PA. Foto: Melão.

DC-3 no aeroporto de Parauapebas/PA. Foto: Melão.

  • PP-YPU – Praça Siegfrid Roewer – Canarana/MT (Google Maps)
  • PP-VBT – junto ao Posto/Churrascaria do Avião e de uma danceteria, Rodovia RS-470 entre as cidades de Garibaldi e Bento Gonçalves/RS (Google Maps)
  • PP-VBF – Jardim em frente a Fundação Ruben Berta, Aeroporto do Galeão – Rio de Janeiro/RJ (Google Maps): entregue pela Douglas à USAAF em 1942, já pertenceu à Hughes Tool Co. tendo sido pilotado pelo próprio Howard Hughes, sendo adquirida pela Varig. Chegou a ficar exposta no aterro do Flamengo
  • PP-VBN – hangar da Fazenda Caiapó – Mococa/SP (Google Maps): depois de passar por várias empresas, ainda está em condições de voo com pintura da Varig
  • PP-ANU – Aeroporto Salgado Filho – Porto Alegre/RS (Google Maps): pertence(ia) ao Museu da Varig, próximo ao avião, que está fechado desde a falência da companhia aérea. Em 2016, foi restaurado interna e externamente para visitação no Shopping Boulevard Laçador, ao lado do antigo Museu da Varig. Veja algumas fotos dele antes e depois do restauro no link.
Varig Experience no PP-ANU: visitantes são recebidos por tripulação vestida com uniformes como os da época em que ele voava (Foto: Roberto Furtado/Divulgação)

Varig Experience no PP-ANU: visitantes são recebidos por “tripulação” vestida com uniformes como os da época em que ele voava (Foto: Roberto Furtado/Divulgação)

Veja mais detalhes sobre esses aviões no site do Projeto DC-3.

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