Amesterdam é a capital dos Países Baixos, conhecida pela sua estrutura urbana baseada numa rede de canais concêntricos, pelo elevado número de bicicletas e por uma legislação permissiva em relação ao consumo de cannabis. A cidade teve o seu apogeu no Século de Ouro Holandês (séc. XVII), período que moldou grande parte da sua arquitetura e identidade comercial. Este texto aborda primeiro a diferença entre os conceitos de Holanda e Países Baixos, e em seguida descreve as principais atrações turísticas de Amesterdão (nome pelo qual é conhecida pelos portugueses) e arredores, desde a Estação Central e a Praça Dam até aos museus de renome mundial e à vila de Zaanse Schans.

É comum usar “Holanda” como sinônimo do país, mas tecnicamente isso é incorreto. Os Países Baixos (Nederland) são o país oficial, uma nação que inclui doze províncias. O nome “Países Baixos” refere-se às terras baixas (cerca de um quarto do território fica abaixo do nível do mar), uma caraterística geológica que forçou parcela significativa dos seus habitantes a tornarem-se especialistas em engenharia hídrica, construindo diques e pôlderes.
A Holanda, por sua vez, é uma região histórica que atualmente se divide em duas províncias: Holanda do Norte (onde fica Amesterdam) e Holanda do Sul (onde estão Roterdam e Haia). Durante o Século de Ouro (séc. XVII), a Holanda era a região mais rica e poderosa dos Países Baixos, dominando o comércio marítimo e a arte. Com o tempo, o nome da região mais influente acabou por ser usado incorretamente para designar todo o país. O holandês, também chamado de neerlandês, é a língua oficial dos Países Baixos e de parte da Bélgica – veja mais no post sobre Holandês – sendo que o inglês é utilizado como segunda língua por boa parte da população.
A adoção massiva da bicicleta na Holanda resultou de uma conjunção de fatores históricos, econômicos e de pressão social organizada nas décadas de 1970. Até meados do século XX, o uso da bicicleta já era significativo, mas declinou acentuadamente nos anos 1950 e 1960 com o aumento da prosperidade e a priorização do automóvel no planejamento urbano, que dedicava espaço e recursos majoritariamente aos carros. Este processo resultou em um número elevado de fatalidades no trânsito; em 1971, mais de 3.000 pessoas morreram em acidentes, incluindo aproximadamente 400 crianças. Este cenário gerou o movimento popular “Stop de Kindermoord” (Parem com a Morte de Crianças), que organizou protestos exigindo ruas mais seguras. Simultaneamente, as crises do petróleo de 1973 e 1979 aumentaram o custo da dependência de combustíveis fósseis e incentivaram a busca por alternativas energéticas. Em resposta a estas pressões, o governo holandês inverteu sua política de transporte a partir da década de 1970, implementando restrições ao uso do automóvel, como o aumento de impostos e a limitação de estacionamento, e investindo pesadamente em infraestrutura cicloviária, que hoje ultrapassa os 35.000 quilômetros de ciclovias dedicadas. Esta reorientação política, combinada com uma topografia naturalmente plana e a curta distância média das viagens urbanas, consolidou a bicicleta como um meio de transporte estável e onipresente, responsável por cerca de 27% de todas as viagens no país. (fonte: Nexo Jornal)
A cidade de Amsterdã possui uma rede de 165 canais com extensão total superior a 100 quilômetros, dispostos em quatro semicírculos concêntricos na direção dos bairros ocidentais. Cada canal principal, como Herengracht, Keizersgracht e Prinsengracht, recebe água do rio Amstel através de comportas e mantém profundidade média de dois a três metros. As margens são revestidas por paredes de tijolo e madeira, com pontes em arco de ferro que conectam as ruas estreitas entre os blocos residenciais. Barcos residenciais atracados ao longo das bordas utilizam conexões diretas às redes de esgoto e eletricidade, enquanto eclusas nos extremos controlam o nível da água contra as variações da maré no Mar do Norte.
As residências ao longo dos canais apresentam largura média entre quatro e seis metros, com profundidade que pode alcançar quinze metros, resultado da tributação histórica sobre a metragem da fachada voltada para a rua. Cada casa possui uma viga de madeira projetada do frontão triangular no topo, equipada com roldana para içamento de móveis pelas janelas, devido às escadas internas de ângulo acentuado. Muitas fachadas inclinam-se para a frente ou para os lados porque as fundações de madeira sobre estacas cravadas no solo turfoso sofreram recalques diferenciais ao longo dos séculos XVII e XVIII; a inclinação frontal, em alguns casos, foi planejada para que o movimento vertical da roldana não danificasse a fachada. A inclinação lateral resulta da convergência entre terrenos adjacentes com datas diferentes de reforma estrutural.
Turismo
Partindo do impressionante Centraal Station (Estação Central), um edifício de 1889 que parece um palácio, pode-se iniciar a exploração. Seguindo para sudoeste, encontra-se o Singel (o canal interior mais antigo), onde flutua o Houseboat Museum – um pequeno museu dentro de uma casa-barco que mostra este peculiar estilo de vida local. Pouco depois, a Casa de Anne Frank (Prinsengracht 263) é um local de peregrinação solene e essencial, onde a jovem judia escreveu o seu diário durante a ocupação nazista.

Nas proximidades, o bairro dos De 9 Straatjes (As 9 Ruas) é um labirinto de ruazinhas pitorescas que ligam os canais principais, cheias de lojas de design, galerias e cafés acolhedores. A poucos minutos, o Begijnhof é um oásis de paz: um pátio interior rodeado de casinhas históricas que pertenceram a uma ordem religiosa de mulheres leigas (beguinas), onde se destaca a madeireira casa de madeira mais antiga de Amesterdam (c. 1470).
A Praça Dam é o coração cerimonial da cidade, com o majestoso Koninklijk Paleis (Palácio Real) e o Monumento Nacional, além da Nieuwe Kerk (espaço de exposição em uma igreja medieval). A partir daí, a exploração para leste leva-nos a atrações mais, digamos, peculiares. O Hash Marihuana & Hemp Museum oferece uma perspetiva cultural e botânica sobre a cannabis, enquanto The Bulldog The First Coffeeshop é o mítico local que iniciou o fenômeno dos coffeeshops na década de 1970. A imponente De Oude Kerk (Igreja Velha), do século XIII, é o edifício mais antigo de Amesterdão, rodeada pelo famoso Quartier rouge (De Wallen) – o bairro de luz vermelha, com as suas vitrinas “diferenciadas”.

Regressando à arte mais clássica, o Museu Rembrandt House (na Jodenbreestraat) recria a casa e o ateliê do mestre pintor, onde ele viveu e criou algumas das suas obras-primas. Por fim, uma atração imperdível e flutuante é o Bloemenmarkt (Mercado de Flores), o único mercado flutuante do mundo, onde se podem comprar as famosas tulipas e bolbos – mesmo que seja proibido levá-los para alguns países.
A zona sul da cidade concentra o chamado “triângulo dos museus”. O Rijksmuseum (Museu Nacional) é uma viagem pela arte e história holandesa, com destaque para “A Ronda da Noite” de Rembrandt. Ao lado, o Museu Van Gogh guarda a maior coleção do mundo do atormentado gênio, incluindo “Os Comedores de Batata” e os seus famosos girassóis. Além disso, o Moco Museum, situado em uma casa geminada construída no início do século 20, exibe obras de arte moderna, como as de Dalí e de Banksy.

Próximo ao local, a Heineken Experience (instalada na antiga fábrica de cerveja) é uma atração interativa e descontraída. Para relaxar, o enorme Vondelpark é o parque mais popular da cidade, perfeito para um piquenique ou um passeio de bicicleta. O Albert Cuyp Market é um vibrante mercado de rua próximo que reflete a alma multicultural da cidade, oferecendo desde frescos produtos holandeses até especiarias exóticas – um ótimo lugar para saborear um stroopwaffle feito na hora.

Zaandam
A apenas 15 minutos de trem sentido norte, a cidade de Zaandam apresenta um conjunto de casas de madeira verdes e brancas alinhadas ao longo dos canais, cópias estilizadas da arquitetura regional do século XVII. O rio Zaan corta a cidade, onde um estaleiro histórico mantém embarcações à vela atracadas. Próximo da estação ferroviária, o bairro do Inntel Hotel exibe uma fachada que empilha dezessete residências típicas, formando um bloco único.

Zaanse Schans
A vila de Zaandijk Zaanse Schans, logo a norte de Zaandam, forma um parque-museu ao ar livre que recria uma aldeia do século XVIII. Aqui, os famosos moinhos de vento (como o de serração de madeira, o de moagem de especiarias e o de tintas) ainda funcionam. Pode-se visitar uma fábrica de queijo tradicional, uma sapataria de tamancos de madeira (klompen) e casinhas verdes com branco, proporcionando aquela fotografia de postal que todos associam aos Países Baixos.

