A história da Islândia começa muito antes da chegada do primeiro ser humano. A ilha principal surgiu há cerca de 24 milhões de anos a partir da interação entre a Dorsal Mesoatlântica (a gigantesca fenda onde as placas tectônicas da América do Norte e da Eurásia se afastam) e um ponto quente (hotspot) vulcânico. Essa combinação única faz da Islândia um laboratório geológico em escala continental. Vulcões, gêiseres, campos de lava e fontes hidrotermais são seus arquitetos originais, e essa herança permanece fortemente viva.
Atualmente, a ilha tem uma erupção vulcânica a cada quatro ou cinco anos, em média, moldando não apenas a paisagem, mas a psique nacional. Dos episódios de Eldfell em Heimaey (1973) à recente e espetacular erupção de Eyjafjallajökull (2010), que paralisou o tráfego aéreo europeu, a Islândia convive diariamente com o poder bruto da geologia. Suas centrais geotérmicas, que fornecem aquecimento e eletricidade limpa, são um testemunho de como os islandeses aprenderam a domar esse caos primordial.
Do ponto de vista humano, a história começa no final do século IX. Enquanto grande parte da Europa tremia sob os ataques vikings, um grupo desses mesmos navegadores escandinavos, liderados por Ingólfur Arnarson (por volta de 874 d.C.), buscou refúgio no Atlântico Norte para escapar da crescente centralização de poder na Noruega. Esses vikings, longe de serem meros saqueadores, eram agricultores, pescadores e, acima de tudo, construtores de sociedade.
O fato mais notável dessa colonização foi a criação, em 930 d.C., do Alþingi (Althing), um dos parlamentos mais antigos do mundo, estabelecido em Thingvellir – um deslumbrante vale de rift geológico de encontro das placas tectônicas. Ali, anualmente, os chefes tribais se reuniam para legislar e julgar disputas, consolidando um estado comum sem um rei. No ano 1000, sob a ameaça de guerra civil entre pagãos e cristãos, o Althing decidiu, pragmaticamente, adotar o cristianismo como religião oficial – um marco da diplomacia islandesa.

A independência durou pouco mais de três séculos. Guerras internas entre clãs (a Era dos Sturlungs, século XIII) enfraqueceram a república, que acabou se submetendo à coroa norueguesa em 1262, passando depois ao domínio dinamarquês (1380). Os séculos seguintes foram sombrios: o comércio foi monopolizado pela Dinamarca, erupções catastróficas (como a do Laki em 1783, que matou um quinto da população e causou fome na Europa) e o frio da Pequena Era do Gelo dizimaram colheitas e gado. Foi o auge da pobreza, que levou a um êxodo considerável, principalmente para a América do Norte.
O movimento de independência renasceu no século XIX com o nacionalismo romântico europeu. Liderados por Jón Sigurðsson, os islandeses conquistaram uma Constituição própria em 1874 e, finalmente, a soberania plena como Reino da Islândia, em união pessoal com a Dinamarca, em 1918. A ocupação britânica e depois americana durante a Segunda Guerra Mundial (quando a Dinamarca estava sob domínio nazista) foi o empurrão final: em 1944, com a Dinamarca ainda ocupada, o Althing declarou a total independência e estabeleceu a república, evitando assim um possível retorno ao controle dinamarquês após a guerra.
O período pós-guerra foi de rápida modernização, pesca intensiva e crescimento econômico, mas também de tensão geopolítica. A Islândia, membro fundador da OTAN (1949), foi palco da “Guerra do Bacalhau” (décadas de 1950 a 1970) contra o Reino Unido, uma série de disputas sobre zonas de pesca que a Islândia venceu com audácia – usando até mesmo navios-patrulha e ameaça de fechar a base da OTAN em Keflavík.
Com a crise financeira de 2008, os três maiores bancos do país quebrarem em uma semana. O povo islandês reagiu não com resgate bancário, mas com uma Revolução Silenciosa. Saindo às ruas, eles forçaram a renúncia do governo. Em um processo único de democracia direta, recusaram em referendo pagar a dívida dos bancos especuladores, redigiram uma nova Constituição de forma colaborativa (com artigos sugeridos pelo próprio povo via internet) e processaram os banqueiros, prendendo vários deles. Enquanto isso, outros países apenas coletivizavam os prejuízos para resgatar os mesmos bancos.
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