Chuva forte atrasa jogo Palmeiras e Remo

O jogo entre Remo e Palmeiras (10/05/2026, 15ª rodada do Brasileirão) terminou em empate de 1 x 1 no Mangueirão, em Belém, marcado por forte chuva e um atraso de quase duas horas. A emissora Globo chegou a cancelar a transmissão do jogo, que seria exibido para São Paulo e outros 16 estados, e optou por Atlético-MG x Botafogo, disputado em Belo Horizonte, para manter a programação nacional prevista para o domingo.

A região de Belém esteve em alerta laranja para tempestades e com a previsão de chuva para todo período do jogo do Brasileirão. Inicialmente previsto para começar às 16h, o jogo atrasou por 1h40. Observando-se as imagens de satélite e de radar desse horário, é possível observar a intensa chuva que acontecia em toda a região.

Imagens de satélite (esquerda) e radar de 15:50 de 10/05/2026 na região de Belém/PA. Fonte: Windy
Imagens de satélite (esquerda) e radar de 15:50 de 10/05/2026 na região de Belém/PA. Fonte: Windy

Analisado do ponto de vista meteorológico, esse horário para um evento ao ar livre e de grandes proporções para a capital paraense é uma escolha muito questionável. No estudo de Moraes e Filho (2018), os autores avaliaram a distribuição temporal de chuvas na região a partir de dados horários pluviométricos dos anos de 2003 a 2015. Verificou-se que as taxas de precipitação apresentaram picos máximos justamente no horário das 16 horas local. Elas são influenciadas diretamente pela atuação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), principal mecanismo gerador de chuvas em Belém, pelas Linhas de Instabilidade (LI) e pelos sistemas locais.

Chuva durante o jogo. Fonte: Reprodução/GE
Chuva durante o jogo. Fonte: Reprodução/GE

Um dos destaques da partida acabou sendo a eficiência do sistema de drenagem do estádio, que garantiu o escoamento rápido da água em poucos minutos e a movimentação dos jogadores no gramado mesmo após a forte chuva. O Novo Mangueirão foi reestruturado e modernizado pelo Governo do Pará em 2023. Ele possui um sistema de drenagem em formato de “espinha de peixe”, que ajuda a evitar o acúmulo de água no gramado. A obra seguiu recomendações da Fifa, com a aplicação de camadas técnicas compostas por seixo graduado, areia lavada de 20 centímetros com granulação específica, uma base de mistura de material orgânico, solo e adubo antes da instalação do gramado. Por fim, recebe o gramado do tipo “Bermuda Celebration”, utilizado em estádios da Copa do Mundo de 2014. O campo foi projetado para atender aos padrões da Fifa, adequado ao clima tropical e tem alta capacidade de regeneração.

Em entrevista à Agência Pará, o engenheiro agrônomo Raimundo Mesquita destacou a eficiência do sistema de drenagem. “O Mangueirão apresenta um projeto de drenagem bem dimensionado, que responde de forma rápida mesmo em situações de chuva intensa. Isso evita o encharcamento do gramado e garante melhores condições de jogo em um curto intervalo de tempo”, informou.

Fontes

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