Paranapiacaba, vila histórica encravada na Serra do Mar paulista, é famosa por seu nevoeiro intenso e quase diário. Esse fenômeno acontece pela conjunção de fatores geográficos, climáticos e ambientais. Veja uma explicação a seguir – para ver mais sobre Paranapiacaba, veja o outro post no link.

1. Clima úmido e temperaturas amenas
A Serra do Mar atua como barreira orográfica para os ventos úmidos que sopram do Oceano Atlântico. Ao subir o relevo, o ar esfria de forma adiabática (perda de calor por expansão), reduzindo sua capacidade de manter vapor d’água em suspensão. Quando a temperatura do ar chega próximo ao ponto de orvalho, a umidade relativa chega a 100%, e gotículas microscópicas se condensam, formando uma nuvem junto ao solo: o nevoeiro.
2. Altitude e relevo
Paranapiacaba situa-se a cerca de 800 metros de altitude. Em noites claras e com ar calmo, o resfriamento noturno no sopé da serra é intenso, gerando inversões térmicas (camadas de ar frio retidas sob camadas quentes). A umidade, então, fica “presa” perto do solo, condensando-se em nevoeiro denso logo ao amanhecer.
3. Vegetação de Mata Atlântica
A densa cobertura florestal ao redor de Paranapiacaba contribui para altos índices de umidade local. A evapotranspiração (vapor liberado pelas folhas) aumenta a quantidade de umidade disponível no ar. Esse excesso de vapor favorece a rápida saturação do ar e a formação de nevoeiro sempre que a temperatura cai.
4. Calmaria e pouca ventilação
O nevoeiro se mantém quando o vento é fraco ou praticamente inexistente. Em Paranapiacaba, os vales e morros bloqueiam correntes mais intensas, preservando o ar saturado próximo ao solo por longos períodos e mantendo a cerração até que o sol aqueça e disperse as gotículas.

O vídeo a seguir mostra a aproximação de um nevoeiro na vila:
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Todos esses fatores também contribuem para a ocorrência de muita chuva. A Serra do Mar paulista está entre as regiões mais chuvosas do país — com precipitações anuais típicas entre 2 500 mm e 3 000 mm.
Fontes
