Quantas vezes a humanidade já foi para a Lua?

Dia 10 de abril de 2026 ficará marcado na história da exploração espacial com o retorno dos astronautas da missão Artemis 2 à Terra, uma viagem de cerca de dez dias ao redor da Lua que serviu como um teste crucial para as futuras missões tripuladas de retorno à superfície lunar. No entanto, a chegada da cápsula Orion ao Oceano Pacífico não foi apenas o fim de mais uma jornada; foi também um poderoso lembrete de que a humanidade já realizou outras viagens à Lua, indo muito além do famoso pouso de 1969 e não se limitando apenas aos Estados Unidos.

Vista da janela da espaçonave Orion aproximadamente 9 minutos antes do pôr do sol da Terra durante a passagem lunar da missão Artemis II em 6 de abril de 2026. Crédito: NASA
Vista da janela da espaçonave Orion aproximadamente 9 minutos antes do pôr do sol da Terra durante a passagem lunar da missão Artemis II em 6 de abril de 2026. Crédito: NASA

Os Estados Unidos já promoveram o Programa Apollo (1961-1972): um conjunto de missões da NASA que conseguiu o primeiro pouso tripulado na Lua. A Apollo 11 foi a primeira a alunissar, em 20 de julho de 1969, com os astronautas Neil Armstrong e Buzz Aldrin. Outras cinco missões (Apollo 12, 14, 15, 16 e 17) também pousaram na Lua, totalizando 12 homens que caminharam em sua superfície. As missões Apollo 8 e 10 orbitaram a Lua, enquanto a Apollo 13, famosa por uma explosão a bordo, teve que dar a volta no satélite sem pousar.

A União Soviética trabalhou no Programa Luna (1959-1976): uma série de missões não tripuladas que conquistaram diversos “primeiros passos” na exploração lunar. A Luna 2 foi a primeira nave a impactar a Lua (1959), a Luna 3 tirou as primeiras fotos do seu lado oculto (1959), a Luna 9 realizou o primeiro pouso suave (1966), e a Luna 16 foi a primeira missão robótica a trazer amostras do solo lunar de volta à Terra (1970). Após um hiato, a Rússia tentou retomar as missões com a Luna-25 em 2023, que colidiu com a superfície lunar.

O módulo de pouso Chang'e-4 fotografado pelo rover Yutu-2 no lado oculto da Lua. Fonte: Wikipedia
O módulo de pouso Chang’e-4 fotografado pelo rover Yutu-2 no lado oculto da Lua. Fonte: Wikipedia

Agora a China atua através do Programa Chang’e (2007-presente): um programa espacial de exploração lunar que começou com as orbitadoras Chang’e 1 e 2. Em 2013, a Chang’e 3 realizou o primeiro pouso suave chinês na Lua, e em 2019, a Chang’e 4 fez história ao ser a primeira missão a pousar no lado oculto da Lua. O programa também incluiu missões de retorno de amostras, como a Chang’e 5 (2020) e a Chang’e 6 (2024), esta última tendo trazido amostras inéditas do polo sul lunar.

Durante a missão Artemis 2, a espaçonave ficou cerca de 40 minutos sem contato com a Terra ao passar pelo lado oculto da Lua, pois o próprio corpo da Lua bloqueia as comunicações por rádio nessa região. Já os chineses não enfrentariam esse problema porque utilizam satélites de retransmissão, como os Queqiao-1 e Queqiao-2: um deles fica a 65 mil quilômetros atrás da Lua e outro orbita o polo sul lunar, criando uma ponte de comunicação que supera a barreira física imposta pelo satélite natural. Esses satélites foram originalmente desenvolvidos para permitir o pouso e a operação de rovers no lado oculto da Lua, missões que a China realizou com sucesso (Chang’e-4 em 2019 e Chang’e-6 em 2024), e poderiam ser igualmente empregados em uma futura missão tripulada chinesa para garantir contato contínuo com a Terra.

Após pousar no lado oculto da Lua, a China tem planos de fazer um voo tripulado para o satélite até 2030. Os EUA, por outro lado, querem fazer um voo tripulado em 2028 para, posteriormente, instalar uma base lunar.

Outros países também fizeram missões à Lua:

  • Índia: a sonda Chandrayaan-1 (2008) foi a primeira missão indiana à Lua. Em 2023, a Chandrayaan-3 realizou um pouso suave bem-sucedido perto do polo sul lunar, tornando a Índia o quarto país a conseguir tal feito.
  • Japão: o módulo de pouso SLIM (Smart Lander for Investigating Moon) tornou o Japão o quinto país a pousar na Lua, em janeiro de 2024, demonstrando uma tecnologia de pouso de alta precisão.
  • Coreia do Sul: A Coreia do Sul lançou seu primeiro orbitador lunar, o Danuri (Korea Pathfinder Lunar Orbiter), em 2022, com o objetivo de mapear a superfície e prospectar recursos como gelo de água.
  • Agência Espacial Europeia (ESA): enviou sua primeira sonda à Lua, a SMART-1, em 2003, que orbitou o satélite e testou um novo sistema de propulsão iônica.

Apesar da rica e diversa história da exploração lunar, o imaginário popular ainda insiste em reduzir toda essa epopeia a um único evento: o pouso da Apollo 11. O grande público, em geral, desconhece que os Estados Unidos enviaram outras cinco missões tripuladas à Lua (Apollo 12, 14, 15, 16 e 17), com astronautas caminhando, dirigindo jipes lunares e trazendo centenas de quilos de rochas. Também ignora que a União Soviética realizou as primeiras amostras de solo com a Luna 16, que a China já pousou no lado oculto da Lua com a Chang’e 4, e que Índia e Japão recentemente se juntaram ao clube dos que alunissaram de forma controlada.

Quanto às teorias da conspiração que insistem em duvidar da autenticidade do pouso de 1969, vale lembrar que esse assunto já foi amplamente discutido e desmascarado várias vezes (veja mais no post “Um pequeno passo para o homem…“) com evidências irrefutáveis — desde as imagens e os retrorefletores deixados na Lua até os testemunhos de centenas de milhares de profissionais envolvidos no programa Apollo. Assim, ao celebrarmos o retorno da Artemis 2 em 2026, é fundamental reconhecer que a humanidade nunca parou de viajar à Lua: fomos muitas vezes, de muitos países e de muitas maneiras, e essa história coletiva merece ser contada por inteiro.

Fontes

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