Cachoeiras passageiras dão espetáculo na Pedra do Elefante

As fortes chuvas que atingiram Nova Venécia, no Espírito Santo, entre os dias 21 e 23 de março de 2026, criaram um espetáculo natural raro na Pedra do Elefante. O fenômeno, que encantou moradores e visitantes, consiste na formação de cachoeiras temporárias que escorrem pelas laterais da formação rochosa, um evento que só ocorre em períodos de chuvas excepcionalmente intensas.

Pedra do Elefante com cachoeiras passageiras em março/2026. Fonte: noroesteinforma
Pedra do Elefante com cachoeiras passageiras em março/2026. Fonte: noroesteinforma

A formação está inserida na Área de Proteção Ambiental (APA) Pedra do Elefante, criada em 2001 e gerida pelo Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (IEMA). Além do valor geológico, a unidade de conservação protege ecossistemas associados à Mata Atlântica, como vegetação rupestre e fragmentos florestais, além de abrigar um precioso patrimônio histórico e cultural, incluindo o Santuário da Mãe Peregrina e um casarão do século XIX.

A Pedra do Elefante, com 604 metros de altitude, é o principal cartão-postal e símbolo natural do município. Trata-se de um afloramento rochoso de granito, parte de um conjunto geológico inserido nos “Patamares com Afloramentos Rochosos”, uma unidade geomorfológica que caracteriza a região sul do Rio Cricaré em Nova Venécia. Diferentemente das áreas de tabuleiros costeiros, essa formação apresenta relevo mais acidentado e declividades mais acentuadas, fruto da solidificação direta do magma em eras passadas.

Embora maciça, a Pedra possui um sistema de diaclases (fraturas e fendas naturais) formadas ao longo de milhões de anos por processos de resfriamento, alívio de pressão e intemperismo. Em condições normais, essas fendas absorvem a água das chuvas comuns. Contudo, durante um evento de precipitação extrema, a água que não consegue infiltrar rapidamente é direcionada por essas mesmas fendas, escorrendo pelas laterais íngremes da formação e formando as cachoeiras temporárias.

O município registrou um volume excepcional de chuva em um curto intervalo. De acordo com a Defesa Civil, em um dos episódios chuvosos, foram acumulados cerca de 63 milímetros em apenas 1 hora e 30 minutos. Essa precipitação intensa e concentrada superou a capacidade de infiltração do solo e das fendas da rocha, fazendo com que o excesso de água escoasse superficialmente.

A beleza do fenômeno é tão passageira quanto sua origem. Assim que as chuvas cessam, a água que está armazenada nas fraturas da rocha termina de escoar em poucos dias, e as cachoeiras desaparecem até a próxima ocorrência de chuvas igualmente intensas. Apesar dos transtornos urbanos causados pelos alagamentos em bairros de Nova Venécia, não há registro de danos à área ambiental da Pedra do Elefante.

Fontes

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.